Meu Diário
15/06/2017 23h59
NOVA FORMA DE TORTURA

            As pessoas que se consideram de Esquerda no Brasil, parece que não usam o racional e querem que todos tenham o mesmo perfil cognitivo, de aceitar uma realidade distorcida dos fatos reais, como eles se apresentam. Pois vejamos o que aconteceu com a jornalista Miriam Leitão num voo em que foi “atacada”, uma nova forma de tortura, por esse tipo de pessoas, numa coluna que ela escreveu sobre o assunto.

            “Foram duas horas de gritos, ameaças e xingamentos por parte de delegados do PT em voo de Brasília do Rio. Lula tem estimulado o ódio, citando meu nome com frequência em comícios. Sofri um ataque de violência verbal por parte de delegados do PT dentro de um voo. Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo.

            Sábado, 3 de junho, o voo 6237 da Avianca, das 19h05, de Brasília para o Santos Dumont, estava no horário.  O Congresso do PT em Brasília havia acabado naquela tarde e por isso eles estavam ainda vestidos com camisetas do encontro. Eu tinha ido a Brasília gravar o programa da Globonews.

            Antes de chegar ao portão, fui comprar água e ouvi gritos do outro lado. Olhei instintivamente e vi que um grupo me dirigia ofensas. O barulho parou em seguida, e achei que embarcaram em outro voo. Fui uma das primeiras a entrar no avião e me sentei na 15C. logo depois eles entraram e começaram as hostilidades antes mesmo de sentarem. Por coincidência, estavam todos, talvez uns 20, em cadeiras próximas de mim. Alguns à minha frente, outros do lado, outros atrás. Alguns mais silenciosos me dirigiram olhares de ódio ou risos debochados, outros lançavam ofensas. – Terrorista, terrorista – gritaram alguns. Pensei na ironia. Foi “terrorista” a palavra com que fui recebida em um quartel do Exército, aos 19 anos, durante minha prisão na ditadura. Tantas décadas depois, em plena democracia, a mesma palavra era lançada contra mim.

            Uma comissária de bordo, a única mulher na tripulação, veio, abaixou-se e falou: - O comandante te convida a sentar na frente. – Diga ao comandante que eu comprei a 15C e é aqui que eu vou ficar – respondi.

            O avião já estava atrasado àquela altura. Os gritos, slogans, cantorias continuavam, diante de uma tripulação inerte, que nada fazia para restabelecer a ordem a bordo em respeito aos passageiros. Os petistas pareciam estar numa manifestação. Minutos depois, a aeromoça voltou:

            - A Polícia Federal está mandando você ir para frente. Disse que se a senhora não for o avião não sai.

            - Diga a Polícia Federal que enfrentei a ditadura. Não tenho medo. De nada. Não vi ninguém da Polícia Federal. Se esteve lá, ficou na porta do avião e não andou pelo corredor, não chegou até minha cadeira.

            Durante todo o voo os delegados do PT me ofenderam, mostrando uma visão totalmente distorcida do meu trabalho. Certamente não o acompanham. Não sou inimiga do Partido, não torci pela crise, alertei que ela ocorreria pelos erros que estavam sendo cometidos. Quando os governos do PT acertaram, fiz avaliações positivas e há vários registros disso.

            Durante o voo foram muitas as ofensas, e, nos momentos de maior tensão, alguns levantavam o celular esperando a reação que eu não tive. Houve um gesto de tão baixo nível que prefiro nem relatar aqui. Calculavam que eu perderia o autocontrole. Não filmei, porque isso seria visto como provocação. Permaneci em silêncio. Alguns, ao andarem no corredor, empurravam minha cadeira, entre outras grosserias. Ameaçaram atacar fisicamente a emissora, mostrando desconhecimento histórico mínimo: “quando eles mataram Getúlio o povo foi lá e quebrou a Globo”, berrou um deles. Ela foi fundada onze anos depois do suicídio de Vargas.

            O piloto nada disse ou fez para restabelecer a paz a bordo. Nem mesmo um pedido de silêncio pelo serviço de som. Ele é a autoridade dentro do avião, mas não exerceu. A viagem transcorreu em clima de comício, e, em meio a refrãos, pousamos no Santos Dumont. A Avianca não me deu – nem aos demais passageiros – qualquer explicação sobre sua inusitada leniência e flagrante desrespeito às regras de segurança em voo. Alguns dos delegados do PT estavam bem exaltados. Quando me levantei, um deles, no corredor, me apontou o dedo xingando em altos brados. Passei entre eles no saguão do aeroporto debaixo do coro ofensivo.

            Não acho que o PT é isso, mas repito que os protagonistas desse ataque de ódio eram profissionais do partido. Lula citou, mais de uma vez, meu nome em comícios ou reuniões partidárias. Como fez nesse último fim de semana. É um erro. Não devo ser alvo do partido, nem do seu líder. Sou apenas uma jornalista e continuarei fazendo meu trabalho.

            Eis o relato.

            Como eu poderia classificar a posição dessa jornalista no meio de tantos energúmenos que a provocavam constantemente, agrediam verbalmente, ameaçavam sua integridade física e danificavam sua integridade moral, sob uma audiência de passageiros inertes e de uma tripulação omissa? Tortura!

            Imagino que o seu psiquismo tenha sido afetado, assim como acontecia com as pessoas que sofreram torturas dos militares. Ela escreveu que “não sou inimiga do Partido, não torci pela crise, alertei que ela ocorreria pelos erros que estavam sendo cometidos. Quando os governos do PT acertaram, fiz avaliações positivas e há vários registros disso.”

            Desde que houve a descoberta do mensalão, de uma quadrilha instalada pelo partido dentro da alta cúpula do governo, que ficou claro que esse partido estava trabalhando contra nação e fortalecendo a sua ideologia. Se nós, cidadãos de bem, estávamos sendo vampirizados por um Partido, é porque esse partido é nosso inimigo, sim! Os acertos que foram citados estavam contaminados na essência pela presença do mal, e serviram mais como uma cortina de fumaça para ocultar os mais sérios desmandos que mais tarde foram descobertos. A sua alegação de ter feito avaliações positivas desse governo, mostra o grau de ignorância que ela tinha na época ou o medo recalcado que lhe impuseram e que se manifestou numa forma de mostrar que não merecia ser alvo dessa sanha torturadora.

            É por demais emocionante o desamparo que a jornalista demonstrou sentir, apesar de sua coragem de permanecer firme, dentro de um avião no qual nenhuma voz se levantou em sua defesa. Tenho certeza que naquele voo existiam pessoas que sentem esse partido como inimigo, mas sentem também o seu poder de intimidação, de tortura como estava acontecendo e até de assassinatos como está na justiça essa investigação.

            Outra avaliação distorcida, dessa vez acredito pelo medo, é da jornalista não achar que “o PT é isso”. O PT é justamente isso que esses protagonistas da tortura fizeram. Se o PT não fosse isso, os seus dirigentes viriam de público repudiar esse comportamento, mas a jornalista sabe que é justamente esse comportamento que é estimulado nos comícios e reuniões. É importante que ela saiba, que se continuar fazendo o seu trabalho de divulgar a Verdade, vai continuar sendo alvo do partido que tem como principal arma a Mentira.


Publicado por Sióstio de Lapa em 15/06/2017 às 23h59


Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr