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TRÓTSKY (13) – FINANCIAMENTO REVOLUCIONÁRIO
            Série Netflix, segundo episódio.
            A cena se desloca para a Geórgia, 1903. Uma caravana é conduzida por soldados. Um homem está parado na estrada deserta, acende um cigarro, interrompe a passagem da carroça. Os soldados ficam intrigados. Quando um deles pega um chicote para brandir contra o intruso, um tiro vindo da floresta ao redor o abate. Assim, a maioria dos soldados que protegem a carroça são abatidos. Um deles é encontrado com um panfleto onde diz que “Trótski está certo”, trazendo uma foto mostrando Trótski numa posição de liderança em uma reunião. O assaltante que aparenta ser o líder, lê o que são as palavras do novo candidato a líder do movimento revolucionário russo: “Para todos os dragonas douradas e bigodes grisalhos, para todos os chauvinistas com nós nos ombros em corredores de ouro e mármore, para todos que reprimem o livre pensamento dos trabalhadores, nós queremos dizer isso. Vocês realmente pensam que podem dormir em paz? Não. Nós vamos chegar e chutar o traseiro de vocês. Porque somos mais fortes, mais jovens e estamos certos. E nós vamos vencer. Sou eu, Leon Trótski, quem disse isso.”
            O trabalho de divulgação do pensamento de Trótski já está sendo realizado. Observamos nessas primeiras palavras algumas verdades, como “somos mais fortes”, sim, com a organização do povo para construir a revolução eles se tornam mais fortes, como aconteceu; “somos mais jovens”, correto, os jovens são mais sensíveis às mudanças, principalmente quando tem o apelo de trazer o bem para a humanidade; agora, “estamos certos”, não se mostrou correta, pois a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) não se consolidaram e o “bem maior ao povo” foi deturpado, exemplo maior é a “caçada” que é feita contra Trótski.  
            O líder se dirige ao soldado que estava com o panfleto e pergunta:
            - L. Você é marxista?
            O soldado trêmulo, com voz vacilante, diz que é simpatizante.
            - L. Então por que serve a exploradores, camarada simpatizante?
            - S. Preciso sustentar minha mãe e irmã. Elas só têm a mim.
            O chefe do soldado, caído ao chão, vocifera: - Seu cretino! E cospe em sua direção.
            - L. Mãe, irmã... família prejudica o revolucionário. Não precisamos de simpatizantes. Precisamos de irmãos de armas.
            Retira o revólver do soldado e o entrega, sinalizando para ele matar o comandante, enquanto outro assaltante aponta o revólver para sua cabeça. Nessa posição forçada, o soldado trêmulo aponta o revólver para o seu comandante, tendo uma arma do assaltante dirigida para sua cabeça... fecha os olhos e mata o comandante... é o sinal para os assaltantes fuzilarem o resto dos soldados que estavam rendidos.
            L. Muito bem, irmão.
            O cadeado da caixa que era conduzida tão bem protegida é destruído com as armas de fogo. O líder confere os diversos pacotes de dinheiro, todos bem organizados.
            Mais uma ação contraditória dos revolucionários. Praticarem assaltos para o financiamento de seus propósitos, sem nenhum tipo de compaixão para quem considera obstáculo. E todos os integrantes devem ter essa energia, de abandonarem a família e serem capazes de assassinar pessoas indefesas, inocentes, arrependidos, ou meras testemunhas. Tudo isto aconteceu no Brasil, essas ações de guerrilha com assalto a bancos, explosões de ambientes públicos, sequestro de autoridades. As narrativas desse período cobriram com um manto de romantismo os piores assassinos desses movimentos, como Che Guevara, por exemplo. Devo relatar aqui que nos meus anos de adolescente até meu curso universitário e primeiros anos de vida profissional, Che Guevara era um dos meus ídolos. Vejo agora como é destrutivo para a pessoa e para a civilidade o desconhecimento da verdade dos acontecimentos e a leitura das narrativas sem a crítica coerente.
 
Sióstio de Lapa
Enviado por Sióstio de Lapa em 26/01/2019
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