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ORAÇÃO ABRIL 2019
            Pai, hoje não quero falar diretamente contigo, mas sim com os irmãos maiores que embelezam e sustentam a minha vida. Mas, falando assim com eles, com essa compreensão, não deixo de falar também contigo, que afinal És também o Criador deles.

            Primeiro, quero agradecer, não a irmã, mas a mãe terra, pois foi dela que fui gerado, todo elemento químico, material, sólido que forma o meu corpo, veio através dela, desde os primeiros momentos no interior do útero, no crescimento daquele óvulo que logo se transformou em ovo e termina com a minha vinda à luz.

            Quero agradecer a irmã água, que compõe a maior parte da minha estrutura biológica, que faz os constituintes sólidos do meu corpo deslizarem de forma harmônica para gerar uma fisiologia inteligente, bela e reprodutível. Que serviu de berço para a formação dos meus entes passados, bem longe, no tempo dos coacervados, dos seres unicelulares, até chegarmos na beleza dos mamíferos, dos primatas, da nossa estrutura cerebral, racional, humana.

            Quero agradecer ao irmão ar, aquele que não vejo com meus olhos físicos, mas sinto ele entrar e sair constantemente do meu corpo, vejo o movimento que ele produz ao redor, dos aparelhos que construímos para fazê-lo se movimentar, para atenuar o nosso calor, ou então construirmos outros aparelhos para captar sua energia e usá-la em tantas outras necessidades.

            Mas, acima de tudo, quero agradecer ao fogo que existe em mim, uma criação direta do Pai para me dar uma existência inteligente, capaz de compreender o sentido da vida e do objetivo de alcança-lo algum dia, por mais distante que ainda pareça. Agradecer aos bons espíritos, fogos como eu, mas que já estão bem mais próximos do Pai, e procuram nos ajudar com o fogo dos entendimentos da verdade em que estamos mergulhados e que temos que descobrir com nossos erros e acertos.

            Dessa forma, Pai, esta minha oração deste mês, é um agradecimento por minha existência, pelas estruturas materiais e espirituais que sempre me dás para a minha tão lenta evolução. Sei que me escutas e que percebes minhas ações antes mesmo que eu as tenha praticado. Peço perdão pelos meus erros, aqueles que um dia cometi, por força da minha ignorância e também daqueles que eu continuo a praticar sem ter a consciência deles.

            Peço mais uma vez, Pai, a sabedoria pelo menos a necessária, para que eu não continue cometendo erros sem saber, que eu não administre os recursos materiais que me dás de forma devida, que eu não deixe de fazer o bem necessário por não saber como fazer...

            Retira-me, Pai, do mar da ignorância!
Sióstio de Lapa
Enviado por Sióstio de Lapa em 04/04/2019
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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr