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SOLIDARIEDADE (08)
Simão andava preocupado com sua militância dentro do partido Zelote, que lutava pela liberdade dos judeus do jugo romano. Era interessado pela pátria livre e se sentia revoltado diante da subjugação romana, um povo ganancioso e perverso, egoísta e fanático por seus deuses de pedra. Mentalizava a paz e o trabalho honesto para seu povo, e não sabia o que fazer a não ser se reunir com homens com mesmo ideal.
Todavia, a revolta, mesmo aquela cheia de direitos, termina companheira da intolerância e começa a usar as armas da violência enfraquecendo as bases da Solidariedade.
Seu partido passou da defesa para o crime. Da liberdade dos galileus para a imposição dos seus próprios patrícios, pessoas que não comungavam com eles na mesclagem do ódio com a defesa. Viu frustrado todo seu ideal. Não era isso que queria.
Era portador de descomunal energia para o que desse e viesse, mas não concordava em destruir para defender-se.
Foi convidado para procurar Jesus, e quando este o viu, na multidão, convidou-o para o seu partido de amor, aquele que não vinga, que não oprime, que não fere, que não julga, que não vende, que não mata.
Simão aproveitou a oportunidade do encontro com Jesus e fez a pergunta que lhe afligia.
Mestre, por favor! Queira nos orientar sobre o que vem a ser Solidariedade. Quero crer que a Solidariedade não diminui em nenhuma condição. Apesar disso, a que eu alimentava junto aos companheiros dos mesmos ideais, enfraqueceu, quando eles começaram a mudar de rota. Parece que se apagou em mim aquela chama pela causa que antes abraçara, a da liberdade de uma pátria a que tanto devemos, por ser o nosso berço.
Jesus ouviu pacientemente a dissertação de Simão e argumentou, com simplicidade.
Simão! A Solidariedade é princípio divino no coração humano. Ela é uma argamassa de natureza superior que somente se ajusta em pilares da mesma formação, como justiça, verdade, honestidade, etc.
Se queres saber, a tua Solidariedade não se acabou, pelo que vemos está mudando de direção, assim como mudou o alvo no qual concentraste a tua atenção.
A política do mundo tem seus valores para aqueles que com ela se afinam. No entanto, sua área é restrita, e sua defesa é gananciosa e egoística.
O partido que agora tomaste como emblema da tua vida, seguindo as lições que estou trazendo em nome do Pai, se alicerça em leis bem mais elevadas.
Esse partido não tem limites para fazer o bem, nem barreiras que demarcam tempo e espaço para servir. É bem mais diferente dos outros, pois este se empenha mais em favorecer os próprios adversários quando esses estão com a razão, portando a verdade; em vez de ofensa, privilegia o perdão; no lugar do ódio, cultiva o amor.
A solidariedade que buscas, que chamas de verdadeira, pode ser bem diferente da que antes idealizavas, porque ela, na verdade, encontrando o mesmo clima, se unifica.
Porém, em nenhum caso deves exigir que a Solidariedade não seja revestida de usura. Podes é afastar-te, depois de usares a tolerância, para onde melhor te acomodares, ampliando, cada vez mais tua ação benfeitora.
Nunca deves desistir definitivamente de solidarizar-te com o movimento de que participaste e que tanto esforço exigiu em prol do bem-estar comum.
Separa com critério as atitudes valorosas dos companheiros.
Nunca um homem é inteiramente ruim, nem também, um grupo que se forma defendendo um ideal.
Aproveita, pois, o que é bom e distancia-te do que achas imprestável.
Se um teu inimigo está fazendo o bem no lugar que escolheu para viver, é justo desmerece-lo, somente porque a presença dele não te agrada?
É uma nobreza de caráter quem procura a Solidariedade. Podemos notar, pelos benefícios que traz, que ela representa raios indiscutíveis do amor.
Quem ajuda por caridade é a pessoa que o futuro espera, é a alma querendo se tornar anjo, para que o mal fique somente na história do mundo.
O que nos une neste instante e o que nos vai unir eternamente é a Solidariedade de princípios, porque as bênçãos do nosso Pai nos convocam para tal.
Quando as pessoas que tocaste com a tua Solidariedade falharem no que antes mostravam como meta, não sejas como barco sem remador, entregando-te às ondas sem rumo, e não duvides da bondade de Deus que, por vezes, está te experimentando para que possas assumir postos mais elevados na disseminação das verdades espirituais.
Quando isso acontecer contigo, renova a confiança e busca a frente, sem que o atrás te chame a atenção e te perturbe os princípios.
Ainda existe uma Solidariedade mais importante, é aquela que deves ter ao Senhor de todas as coisas, que mora fora e dentro de ti.
Não te esqueças de saber até que ponto a assistência é benefício e até que ponto a ajuda é conivência. Temos que nos preparar para a grande viagem de ascensão. Se encontrarmos carruagem, melhor, vamos a ela. Se nos faltar essa condução, usaremos os pés sem esmorecer, por motivo nenhum.
Estamos aqui nos preparando para nos solidarizarmos com o bem que estiver sendo praticado em qualquer parte do mundo, e no meio de qualquer seita ou partido, reforçando o amor de Deus a todas as criaturas.
Nesse trabalho, a universalidade é o lema, e anunciemos as nossas concepções das leis do Criador, que se eternizam com o amor puro.
Sióstio de Lapa
Enviado por Sióstio de Lapa em 18/05/2019
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