Textos

SONHOS ATROPELADOS – NOURES 01
            O filósofo e pensador espiritualista Pietro Ubaldi dizia que existia no espaço, principalmente à noite, correntes de pensamentos que ele chamava “Noures”, que podemos captar e interagir com elas.
            Vou tentar praticar agora, neste período da meia-noite, a interação com correntes de pensamentos que chegam até mim e ativam energias potenciais e revigoram o corpo e alma, independentemente de suas origens, mas que tragam a sintonia nas emoções e sentimentos.
            Atropelei os meus sonhos, porque não tive tempo de sonhá-los.
            Venci as mágoas, por que? Porque não me permiti sentir dor.
            Convivi com os fracos, porque precisei ajuda-los.
            Suportei os falsos, porque fui verdadeira.
            E hoje sei a força que tenho para enfrentar qualquer obstáculo. Mas não estou preparada para ouvir dizer que faço algo por impulso ou instinto ou até prejudicar alguém, definitivamente não serei eu.
            Quem pode atropelar sonhos? O tempo!
Quem pode resgatar os sonhos? A esperança.
            Que trajetória interessante, ser agredida, mas não permitir sentir a dor e assim não ter motivos para ter mágoas.
            Ajuda ao fraco, uma missão divina, instrumento do Criador.
            Suportar a falsidade com a verdade, eis uma ação hercúlea. Pois a falsidade vem muitas vezes vestida de verdade e podemos sofrer essa ilusão por muito tempo, pensando ser verdadeiros, terminamos por aceitar a falsidade da mentira. Somente na arena íntima podemos ser verdadeiros com o que sentimos. Mas, será conveniente passar a verdade do que sinto para o outro? Mesmo porque não existe apenas um aspecto simples no pensamento e sim um encadeamento de possibilidades. O que deverei contar?
            Os obstáculos são colocados à nossa frente como teste de capacidade. Será que tenho força suficiente para enfrentar? Somente fazendo o teste! Sim, posso fazer o teste, mas devo saber quais são minhas particularidades. Se eu não tiver esse conhecimento e saber gerir minhas energias, não estarei capacitado para a vitória... ainda!
            Antes de ser uma alma que pensa, sou um organismo que vive. Este organismo é o veículo de minha alma. Devo saber como ele funciona para aprender a dirigi-lo. Ele tem um sistema motivacional chamado de prazer, que faz a gente procurar comida e sexo, entre outras coisas, em qualquer lugar. Também tem um sistema de funcionamento automático chamado de instinto, que promove uma reação rápida como forma de subsistência da vida, que se estende do fisiológico ao psicológico.
            Com base nesses conhecimentos e procurando viver dentro de um paradigma espiritual, com base no amor incondicional, vamos encontrar os diversos obstáculos que a vida nos oferece a cada momento. A cada momento desenvolvemos relacionamentos, onde cada pessoa tem suas estratégias de vida e de sobrevivência. O que para mim é caminho seguro, para o outro pode ser um obstáculo. Como manter um relacionamento sem saber o que para o outro é ou não obstáculo? Neste instante a verdade se faz soberana, é ela que irá mostrar onde estão os obstáculos e como podem ou não serem contornados. Se a tentativa de contornar ou retirar os obstáculos podem ou não trazerem prejuízos a um e ao outro.
            Eis a beleza da vida, esse jogo que o Criador nos capacitou a fazer, com as fichas da emoção e do sentimento, sabendo jogar no tapete da verdade, usando as energias faiscantes que fazem brilhar a alma e revigorar o corpo.
            Assim, passou por minha mente essas interessantes Noures, interagindo com o fluxo dos meus pensamentos, no momento que passava por mim a meia noite, a majestade do tempo.
 
Sióstio de Lapa
Enviado por Sióstio de Lapa em 07/08/2019
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Voce deve sitar a autoria de Sióstio de Lapa e o site http://www.siostiodelapa.net). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários


Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr