Meu Diário
22/05/2018 00h01
VERDADE, MENTIRA, QUEM GANHA?

            Ao ler o livro de um dos maiores publicitários do país, “Duda Mendonça – casos e coisas”, encontrei um trecho que merece nossa reflexão e a comparação com os dias mais atualizados.

            Ao se referir ao diagnóstico verdadeiro que o médico americano deu ao câncer que sua mãe sofria, o publicitário escreveu:

            “Isso nunca saiu da minha cabeça: jogar claro, aberto, colocando as coisas nos seus devidos lugares, desde o princípio, de um modo bastante objetivo.

            Quando decido aceitar um cliente e assumir a responsabilidade de fazer a campanha política, minha disposição é uma só. Eu entro para ganhar.

            O ditado que reza que “o importante é competir” não faz parte da minha cartilha.”

            Na condição de marqueteiro político, acredito que seja muito difícil ele colocar essas premissas em prática, de jogar claro, aberto, colocando as coisas nos seus devidos lugares desde o início. Pois senão, vejamos, ele foi o responsável pela primeira campanha vitoriosa do PT à presidência em 2002, momento que eu também votei em Lula pela primeira vez. E encontro no site da VEJA, revista semanal, no blog do colunista Reinaldo Azevedo, em abril de 2017, o seguinte:

            Investigação

            Com essa nova citação ao seu nome, Duda Mendonça deve entrar outra vez na mira das autoridades. Seu nome já havia aparecido no Mensalão – escândalo de compra de votos no primeiro mandato do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva – mas ele acabou sendo absolvido no julgamento.

            Na ocasião, o Ministério Público Federal apontava que ele e Zilmar Fernandes, sócia de Duda, teriam lavado e remetido criminosamente para o exterior recursos de caixa 2 da campanha de Lula em 2002. Em 2006, os dois chegaram a ter seus bens bloqueados pelo ministro Joaquim Barbosa a pedido do MPF como forma de garantir o pagamento da dívida que teriam com o Fisco, calculada à época em R$ 30 milhões. A defesa dos dois admitia uma dívida próxima a R$ 7 milhões. Relator do processo, Joaquim Barbosa deferiu pedido de bloqueio dos bens em 2006. Com a absolvição, os recursos foram liberados.

            Defesa

            A reportagem tentou contato insistentemente com Duda Mendonça pelo celular, mas ninguém atendeu. Foi encaminhada mensagem para o marqueteiro, também sem resposta.

            Podemos observar que as intenções do publicitário, divulgada pessoalmente em seu livro, não está coerente com o que foi praticado nessas campanhas políticas. Não quero dizer que ele esteja envolvido na prática da corrupção que os seus contratantes se envolveram, mas é muito difícil acreditar que ele, com toda a inteligência que demonstra ter em sua agência de publicidade, não teria conhecimento da fonte criminosa dos recursos que recebia. Inclusive, pelo reconhecimento de sua defesa com de uma dívida no valor de R$ 7 milhões de reais com o Fisco e a esquiva de falar com a imprensa sobre o assunto.

            Sei que pode haver outros motivos que não sejam criminosos nessas aparentes provas de cumplicidade com a corrupção, mas isso serve de lição para todos nós que estamos do outro lado, na posição de “juízes”, com “pedras na mão”, prontos para destruir o delinquente.

            Ele como todos nós, com raríssimas exceções, lutamos para vencer na vida as maiores privações, medos, resistências, equívocos... nessa luta, apesar de nossas boas intenções, estamos ao lado de pequenos gestos de corrupção que para nós, parece normal, como fazer um trabalho da escola usando a xerox e o papel da empresa que trabalhamos, guardar para nós o dinheiro achado numa bolsa com documentos e endereço do seu proprietário, deixar de trabalhar algumas horas numa empresa para prestar serviço em outras, ou mesmo esquecer um contrato de dedicação exclusiva com uma empresa e trabalhar para outros entes no mercado... essas “pequenas contravenções” são feitas à luz do dia, todos observam e tratam com naturalidade. Inclusive os próprios arautos da honestidade sofrem desses “pequenos desvios éticos”, inclusive o autor deste texto.

Ao escrever aqui essas reflexões, penso nos diversos “pequenos desvios éticos” que pratico a todo momento. Não estou muito distante de Duda Mendonça ou de qualquer corrupto que um dia pensava com tantas boas intenções.

            Acredito que o fator principal para evitar nossa queda na franca corrupção de tirar do bolso da população milhões do seu suor ou até da sua vida, é a manutenção da Verdade em nossas ações. Se cairmos na tentação de omitir e principalmente mentir sobre o que praticamos ou dizemos que iremos praticar, estaremos pavimentando a estrada dos crimes que irão sair de nossas ações.

            Portanto, temos duas armas a esgrimir, a Verdade ou a Mentira, para determinar quem será o vencedor dessa peleja, o Bem ou o Mal. Sabemos por estudos prévios, que o Bem é nossa destinação, que todos alcançaremos o estágio de perfeição no caminho evolutivo, mas enquanto isso não acontece, fiquemos ao lado da Verdade. Pois somente aqui aquele ditado não deve prevalecer: o importante não é competir, mas vencer!


Publicado por Sióstio de Lapa em 22/05/2018 às 00h01
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21/05/2018 00h01
(CRUZADA 40) DELINQUENTES

            Vivemos atualmente num mundo cheio de violência, de agressividade, de delinquência. As pessoas que procuram viver dentro das normas sentem-se constantemente ameaçadas pelos delinquentes e surge naturalmente um sentimento de revolta, de justiça, de vingança. O Evangelho aponta para a direção contrária, que não devemos abominar os delinquentes, pois podem ter delinquido por invigilância ou insanidade, que por terem resvalado na estrada da vida, podem estar em profundo fosso de inomináveis sofrimentos.

            Talvez isso não chegue à nossa consciência, mas muitos deles dariam a metade da existência se pudessem recomeçar toda sua vida em vez de estar preso entre grades, ou sendo surrados nas ruas, caídos na lama, sorvendo as lágrimas de fogo numa taça de remorsos.

            São esses pobres sofredores, homens e mulheres, às vezes crianças, que se envolvem em todos os tipos de delinquência e formam um batalhão que jornadeiam nas ondas fortes da ansiedade.

            São mulheres que expulsaram a maternidade no ato criminoso do aborto e que choram solitárias a sua angústia, e agora, tudo dariam para reter o filho que supunham não desejar; são outros que caminham cadaverizados dominados pelas drogas, amedrontados e envergonhados do exame a si mesmo; são assassinos vítimas do momento insano, que convertem o cérebro em presídio, recordando e sofrendo sem paz nem esperança; são viciados de toda a natureza, sexo, drogas, jogos, e até a recente tecnologia midiática que deixam cada um preso a tela de um celular em qualquer ocasião, sem respeito às pessoas presentes que ficam privadas de suas companhias.

            Mesmo que sejamos tentados a julgar, condenar e punir, lembremos da lição do Mestre ao ser confrontado com o problema da adúltera que foi pega nessa delinquência e por isso foi levada para o caso ser decidido por Ele. Jesus percebeu a armadilha que queriam colocá-lo, pois se defendesse a ré, perdoando-a, estaria indo contra a lei de Moisés; se observasse a Lei de Moisés, autorizando o apedrejamento, estaria indo de encontro a Lei do Amor que Ele sempre ensinava. No entanto, o Mestre frente a adúltera, só pensou em ajudar, considerando que a delinquente conduz o fardo pesado do crime a torturar-lhe a consciência, tanto no momento atual quanto no amanhã.

            Analisemos a nossa posição, nosso norte. Examinemos os nossos débitos e compromissos negativos. A escada moral sempre tem mais um degrau, sempre vai mais abaixo. A ligação com a irresponsabilidade ou a ambição não se rompe facilmente, e o primeiro engano, quando não corrigido, é convite para outro engano. O sabor de enganar o próximo é ópio mentiroso e o delito em planejamento mental é crime em corporificação. Ora, enganar ao próximo é fácil... o difícil depois é explicar a Deus.

            Também, devemos nos submeter aos fatores cármicos do nosso nascimento e até rejubilarmos com eles. Lembremos da história da rã que queria ser forte quanto um boi. Foi estufando, estufando, estufando até que... pum!!!

            Auscultemos o pensamento divino que perpassa por tudo e assim compreenderemos a necessidade de sermos felizes com o que temos, como estamos. Consideremos os que delinquiram e procuremos amá-los, mesmo que isso seja muito difícil e pareça incoerente. Visitemos esses delinquentes no cárcere, nos leitos hospitalares, aonde possamos ir...

            Reconheçamos a última lição do Mestre: foi crucificado como delinquente entre dois ladrões. A hora da sua morte entre eles é como se o Mestre quisesse nos dizer sobre a necessidade de sermos piedosos em relação aqueles que, imprudentes ou enlouquecidos, deliram com os seus crimes.


Publicado por Sióstio de Lapa em 21/05/2018 às 00h01
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20/05/2018 00h01
POLÊMICA VILLAS BÔAS

            Ao observar esses textos vindos da área militar, fui em busca na net o que foi que o Chefe do Exército, General Villas Bôas havia dito, e encontrei o seguinte na Wikipédia:

            No dia 03 de abril de 2018, um dia antes do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o General, sem citar o julgamento ou o ex-presidente, afirmou:

            “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais. Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando o bem do País de das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”

            Essas palavras causaram rebuliço nos setores da sociedade, muitos em apoio e muitos contra. Apesar de todo o alvoroço, generais da ativa e da reserva apoiaram publicamente as falas do general, sendo eles: General Geraldo Antônio Miotto, ativa (futuro Comandante Militar do Sul); General Walter Souza Braga Netto, ativa (Interventor federal no Rio de Janeiro); General José Luiz Dias Freitas, ativa (Comandante Militar do Oeste); General Cristiano Pinto Sampaio, ativa (Comandante da 16ª Brigada de  Infantaria de Selva); General Elieser Girão Monteiro, reserva; e General Paulo Chagas, reserva.

            Além disso, o General também teve apoio do candidato à presidência e Capitão da reserva, Jair Bolsonaro.

            O Comandante da FAB, Nivaldo Rossato, afirmou que “Não é momento de impor nossa vontade”, além de dizer aos membros da instituição para não se empolgarem, falando assim de forma conciliadora e esclarecedora de que não haverá uma intervenção militar.

            Além do Comandante de FAB, o General da reserva Sebastião Roberto Peternelli Júnior afirmou que os militares devem ter o direito de se manifestar em questões políticas e disse para a população não se empolgar com as declarações. O também General da reserva, Augusto Heleno, concordou com a declaração de seu colega e afirmou que os militares podem opinar sobre a situação política do País e que não são “antas pacíficas, omissas e sem cérebro”.

            Confesso que fiquei mais tranquilo com essas manifestações do setor militar. Vejo na sociedade ao meu redor uma completa deterioração dos valores morais, uma rede de corrupção que atinge todos os níveis da administração pública, os serviços públicos deteriorados, sem funcionar, sem atender a população, com prejuízos severos na saúde e educação. Isso sem falar da escalada da violência, da agressão aos bens materiais e à própria vida. Os gestores institucionais que deviam cuidar com zelo e rigor de nossa segurança e desenvolvimento, fazem o contrário, usam de suas prerrogativas para enriquecimento pessoal. Nós, como não somos “antas” como o General advertiu, ficamos nos sentindo impotentes com tanta mentira querendo forjar narrativas falsas para proteger criminosos já identificados e condenados, como se fossemos crianças capazes de serem enganadas com quaisquer folguedos. Isso pode até acontecer com uma massa carente, miserável, ignorante que a perversidade desses gestores criminosos deixam prosperar para ganhar os seus votos sem nenhum critério moral.

            Reconhecer a atenção dos militares, como última reserva física e moral para não despencarmos na catástrofe, é um alívio...

 


Publicado por Sióstio de Lapa em 20/05/2018 às 00h01
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19/05/2018 00h01
VESPEIRO ERRADO

            Interessante como está circulando na net vários textos atribuídos a militares que ostentam uma patente significativa. Podem ser trabalhos de algum falsário desejando fazer uma narrativa de acordo com o seu gosto, mas é importante que possamos refletir sobre os argumentos que são postos e concluir ou não por sua veracidade e coerência.

            Irei reproduzir abaixo a pretensa carta Aberta ao Ministro Gilmar Mendes, cuja autoria é do General Paulo Chagas, pré-candidato ao governo do Distrito Federal:

            Matéria jornalística dá conta de que o senhor repudia as “manifestações” do Comandante e de outros oficiais generais do Exército Brasileiro.

            Considerando a credibilidade das Páginas Eletrônicas que publicaram a matéria e não encontrando qualquer posicionamento contrário, conclui ser verdadeira.

            Assim como o senhor, tenho o direito democrático e republicano de me expressar e digo, em alto e bom som, que a liberdade de expressão é uma garantia constitucional e esta garantia é muito clara na Lei 7524/86, que, em seu artigo primeiro estabelece que “é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público”. Assim me comporto.

            Os militares são homens sérios e responsáveis, Sr. Ministro, e não se manifestariam se a situação no País estivesse normal, se não estivéssemos vivenciando uma avalanche de denúncias sobre desmandos, corrupção, instabilidade jurídica e incitações a crimes, entre outras agressões à normalidade da ordem – com envolvimento direto de autoridades dos Três Poderes e outros cidadãos que já ocuparam os cargos mais elevados da administração do País. Ministro que muda de opinião para beneficiar criminoso não é Ministro, é comparsa!

            Somam-se a tudo isso esdrúxulas discussões entre Ministros da Corte Suprema com acusações mútuas de condutas antiéticas, que mereceriam, em qualquer lugar do mundo, rigorosa apuração.

            Sugiro que Vossa Excelência mande fazer uma pesquisa para verificar se o povo está tranquilo e em paz e se acredita e confia nas mais altas autoridades da República.

            Creio que a resposta será um retumbante não! Pois, faz muito tempo que as instituições nacionais estão fora da realidade, dissociadas dos anseios do povo, dando a lamentável impressão de que trabalham para outros patrões, talvez alienígenas.

            Se a última esperança de salvar a nação do caos, depositada pelos brasileiros nas mãos dos Ministros do STF, está desmoronando, onde estará a salvação?

            Estamos na fronteira entre a desordem e o caos total, o limite está bem à nossa frente. O Brasil está perdendo o rumo e logo a baderna se instalará, com sérias consequências que certamente desaguarão nas responsabilidades constitucionais das Forças Armadas, última reserva física e moral da Pátria.

            Embora Vossa Excelência não queira enxergar, é bom saber que ainda existe um grupo de cidadãos que ama o Brasil e que por ele dará a vida se for preciso!

            Os chefes militares sabem, Sr. Ministro, que o emprego das Forças Armadas para o restabelecimento da ordem interna não será sem traumas e essa é a diferença entre elas e as demais instituições republicanas.

            Com a omissão do Supremo diante do caos, restarão, apenas, as Forças Armadas e isso não é ameaça, é fato real!

            O Povo confia nas Forças Armadas como último baluarte e o General Villas Boas simplesmente tranquilizou a Nação, renovando de forma concreta, o juramento que todo militar presta perante a Bandeira Nacional, assegurando-lhe que o Exército compartilha o anseio de todos os cidadãos de bem e que repudia a impunidade, respeita a Constituição, deseja a paz social e a Democracia e se mantém atento às suas missões institucionais. Nada mais simples, oportuno, democrático, republicano e constitucional!

            A História comprova que o Exército Brasileiro é o Povo fardado, portanto, Sr. Ministro, pense melhor antes de manifestar-se a respeito dele ou de seus Chefes, porquanto, diferentemente do Supremo Tribunal Federal, eles têm e merecem a confiança daqueles que lhes confiaram as suas mais poderosas armas!

            Respeitosamente.

            Gen Bda Paulo Chagas.

            A carta mostra o enfrentamento que a população deseja, que os magistrados colocados de forma gratuita num alto posto da nação, cujo conhecimento não é atestado por uma avaliação pública, não se comportem como apadrinhados que na realidade foram em detrimento dos interesses da nação que tem por dever defender. É salutar que a nação perceba que esses magistrados não estão acima dos deveres constitucionais que os militares estudaram, aprenderam e podem cumprir quando o País se encontrar em perigo.


Publicado por Sióstio de Lapa em 19/05/2018 às 00h01
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18/05/2018 14h29
FREUD EXPLICA

            Outro texto atribuído ao General de Divisão Gilberto Rodrigues Pimentel, Presidente do Clube Militar, também circula na net com data de 11-05-18, e que merece entrar em nossas reflexões...

            FREUD EXPLICA

            A jornalista me pergunta se pretendo, na condição de dirigente do Clube Militar, dar algum tipo de resposta à divulgação de um documento da CIA, acusando o presidente Geisel de crimes que teriam sido praticados no período do seu governo, também com a participação de outro ex-presidente, João Figueiredo, destacando que só o Jornal Nacional gastou três minutos e trinta segundos, sem quaisquer contestações de outras partes.

            Pretendo sim, mas é tão grande o desprezo que nutro pelo jornalismo praticado pelas organizações Globo e também por seus jornalistas, de um modo geral, que meu ímpeto seria o de abandonar a versão, a meu ver inteiramente fantasiosa, e falar das razões do meu descrédito.

            Seus traumas tem tudo a ver com as sombras de um passado que os atormenta e Freud certamente explicaria. Quem viveu e sabe da atuação da Globo nos idos de 64 entende muito bem a que me refiro.

            Em relação aos militares, aceitam como fato consumado uma versão cuja fonte e grau de veracidade sequer são colocados em dúvida.

            Naquela casa, hoje, quem tem direito de distorcer os fatos são os bandidos, em relação à polícia que os combate, e ontem, os subversivos terroristas que pretenderam implantar no Brasil uma ditadura do proletariado, com relação às forças legais que lhe deram combate.

            Aliás, a Globo não precisa ir longe para comprovar o que digo. Nos seus próprios quadros de jornalismo existem hoje, e também em outros tempos, integrantes que aberta e livremente confessam essa intenção.

            E eles, sim, cinicamente, declaram que em nome dos seus torpes ideais foram capazes de mandar executar quem lhes fizesse oposição.

            Quanto aos acusados, Ernesto Geisel e João Figueiredo, os homens de bem que viveram meu tempo sabem bem que os objetivos que estabeleceram àquela altura do governo militar não abrigavam esse tipo de ação. A ordem era restabelecer a plenitude da democracia e devolver o poder aos civis. Além do mais estávamos diante de homens íntegros.

            Não vale um tostão furado o presente documento.

            E para completar, quando a jornalista me inquiriu, disse-lhe que não me surpreendia com a oportunidade da divulgação de um documento desse teor e que não acreditava numa linha do que continha. A oportunidade para mim é clara, e é assim que a Globo costuma tornar claro o ódio que deposita nos militares. Temos agora na liderança das pesquisas para as eleições presidenciais um candidato que surgiu do nosso meio e um grupo expressivo de militares que, democraticamente nesses dias, consolidou a intenção de candidatar-se aos mais variados cargos de governo, desde os municipais, passando pelos estaduais até os federais. Não suportarão jamais. Preparemo-nos para novos embates.

            A eles nosso permanente desprezo.

            Novo texto que foca o desprezo dos militares por esse tipo de jornalismo engajado em uma ideologia e que levanta fatos ou constrói dados para incrementar uma narrativa onde colocam apenas os problemas que levam a uma rejeição do militarismo.

            Um dado importante que trago para a reflexão, é que esses militares são formados em escolas que privilegiam o amor à Pátria, que não estão engajados em defesa de outras ideologias, que se mostram atentos ao processo degenerativo que a corrupção provocou no país. Até parece que o jornalismo não quer ver essas causas nocivas que levaram o País a uma crise severa, que foi possível sair dela com o processo de impeachment e que as figuras expulsas carimbaram como “golpe” o processo democrático que foi instalado. E a imprensa, por que não coloca de forma majoritária, os argumentos que todos vimos e que legalizam democraticamente os procedimentos?

            Por força da coerência lógica, a minha consciência tende se aliar ao pensamento de crítica que surge dentro da caserna, e repudiar a tentativa de manipular o meu senso crítico colocando as “verdades” que são construídas para torna verdadeira uma falsa narrativa.


Publicado por Sióstio de Lapa em 18/05/2018 às 14h29
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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr