Meu Diário
07/01/2019 01h01
ASSASSINO ECONÔMICO (02) – IRAN 1953

            Continuação da entrevista com o economista John Perkins.

            A introdução do assassino econômico começou mesmo no começo dos anos 50 quando Dr. Mohammad Mossadegh, escolhido democraticamente, foi eleito no Irã... Ele era considerado “A Esperança da Democracia” no Oriente médio ou do mundo. Ele foi o Homem do Ano da revista Time. Porém... uma das questões que ele trazia e queria implementar era a ideia de que as petroleiras internacionais deveriam pagar muito mais ao povo iraniano pelo petróleo que estavam retirando do Irã e de que o povo iraniano deveria se beneficiar do seu próprio petróleo. “Política estranha?” Claro que não gostamos disso, mas tivemos medo de fazer o que estávamos fazendo, que era enviar os militares. Em vez disso, enviamos um agente da CIA, Kermit Roosevelt, parente de Teddy Roosevelt, e com alguns milhões de dólares, ele mostrou-se muito eficiente e em pouco tempo Mossadegh foi deposto e substituído pelo Xá do Irã que sempre foi favorável ao petróleo, e isso funcionou muito bem.

            REVOLTA NO IRÃ – Noticiário (Bombas explodem perto do Irã, um oficial do exército anuncia que Mossadegh se rendeu e seu regime como ditador virtual do Irã acabou. Fotos do Xá são exibidas pelas ruas à medida que os sentimentos mudam. O Xá é bem-vindo em seu lar.)

Aqui nos Estados Unidos, em Washington, as pessoas olharam aquilo e disseram “uau, aquilo foi fácil e barato!” Então se estabeleceu um modo novo de manipular países, de criar impérios. O único problema de Kermit é que ele era um agente da CIA identificado e se ele tivesse sido pego, as implicações poderiam ter sido muito sérias. Então naquele momento, tomou-se a decisão de usar consultores privados para canalizar o dinheiro através do Banco Mundial ou uma das outras agências de treinar pessoas como eu, que trabalham para empresas privadas. Assim, se fôssemos pegos, não haveria consequências governamentais

Essa é uma engenharia que precisamos avaliar com cuidado. Os EUA capitaneou essas operações de compra por um preço baixo o petróleo que é útil não só para os EUA e sim para os países do ocidente, cujo aumento de preço termina por aumentar o custo de vida da população. Olhando por este prisma, é uma ação positiva para nós, moradores desse lado do mundo. Os EUA estariam protagonizando algo positivo para todos nós. A intenção de Mossadegh de beneficiar o seu povo passava pelo prejuízo causado a um maior número de pessoas? A sua população estaria prejudicada pelo preço baixo do petróleo ou por uma má distribuição de renda? Fenômeno esse que pode acontecer tanto lá quanto cá? O movimento promovido pelo EUA de retirar tal pensamento do poder não seria de manter o status quo que se aplica em todo o mundo? O desvio de recursos financeiros para grupos mais fortes e que mantem subjugados a maioria da população, trabalhando essa para manter o fluxo das mordomias das elites e tentando sobreviver no limite da sua força? Isso justifica a inteligência das elites desenvolver estratégia como “assassino econômico” para preservar seus interesses. Nós, povão, iremos nos rastros dessa caminhada, sem desenvolver uma estratégia que nos retire desse destino: ser escravo das elites. Somente a aplicação na prática das lições do Mestre Jesus, trazendo a reforma íntima para os nossos corações, livrando-os do egoísmo, é que sairemos dessa situação, construiremos a família universal, sem necessidade desses conflitos em busca de hegemonia, e consequentemente, construindo o reino de Deus além dos nossos corações.


Publicado por Sióstio de Lapa em 07/01/2019 às 01h01
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06/01/2019 00h49
ASSASSINO ECONÔMICO (01) – SOFISTICAÇÃO DO CRIME

            Muito pertinente o pensamento de John Perkins, economista, sobre o assassinato de nações motivado pela manutenção e ampliação do poder econômico, que encaixa bem com nossas atuais reflexões sobre a Revolução Russa. Vejamos...

            “Há dois modos de subjugar e escravizar uma nação. Um é pela força, o outro é pelas dívidas” (John Adams, 1735-1826).

            Nós, assassinos econômicos, de fato fomos os responsáveis pela criação desse primeiro império realmente global. Trabalhamos de muitas maneiras diferentes. Talvez a mais comum seja identificar um país que tem recursos como o petróleo. E em seguida, conseguir um empréstimo enorme para esse país através do Banco Mundial ou uma de suas organizações irmãs. Só que o dinheiro nunca vai realmente para o país. Ele acaba indo para nossas grandes corporações para criar projetos de infraestrutura nesse país. Usinas de energia, parques industriais, portos... coisas que beneficiam uns poucos ricos desse país e também as nossas corporações, mas não a maioria das pessoas. Entretanto, essas pessoas, o país inteiro acaba ficando com uma enorme dívida. A dívida é tão grande que eles não conseguem pagá-la, e isso é parte do plano... eles não podem pagá-la! Então, num certo ponto, nós assassinos econômicos vamos lá e dizemos “ouça”, “você perdeu muito dinheiro, não vai conseguir pagar sua dívida, então...” “venda seu petróleo bem barato para nossas petroleiras”, “deixe-nos construir uma base militar em seu país...”, “envie tropas para apoiar uma das nossas, em algum lugar do mundo como o Iraque, ou vote na gente na próxima cúpula da ONU”. Pedem para privatizar sua companhia elétrica e vender seu sistema de água e esgoto para corporações americanas ou outras corporações multinacionais.

            Então, é uma coisa que só cresce, e é tão típico, esse modo como o FMI e o Banco Mundial operam. Eles colocam o país em uma dívida, aí eles se oferecem para refinanciar a dívida e então refinanciado está, e cobram mais juros. E eles exigem esse “escambo” que é chamado de condicionalidade ou boa governança, que basicamente significa que eles têm que vender seus recursos, incluindo muitos serviços sociais, suas empresas de serviços básicos, as vezes seus sistemas educacionais, seus sistemas penitenciários, seus sistemas previdenciários... para corporações estrangeiras. Isso é um ganho duplo, triplo, quádruplo!

            Observamos o surgimento de um novo tipo de assassino... mais sofisticado e muito mais daninho à evolução humana. O egoísmo que é o germe latente que habita em nós, quando adubado por recursos financeiros e poder; torna-se cego aos prejuízos que causam aos irmãos, considerados estes como animais, bestas de carga. A organização de um pequeno grupo de elite, detentor do poder e das finanças, se reúne para deliberar sobre a sorte de milhões de pessoas, sem um pingo de consideração sobre suas dignidades. Quando alguém mais coerente surge do meio desse povo, adquire conhecimentos e coragem suficiente para fazer o enfrentamento, logo é destruído pelas armadilhas sorrateiras que se colocam na sua frente. Uma situação que se fortalece a cada dia. O Evangelho do Cristo, bem cumprido, seria uma alternativa para vencermos essa tendência e iniciarmos a criação do Reino de Deus. Utopia?


Publicado por Sióstio de Lapa em 06/01/2019 às 00h49
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05/01/2019 01h01
TROTSKY (09) - FINANCIAMENTO DA REVOLUÇÃO

            Série Netflix.

            A cena se desloca para um passeio arborizado onde Alexander caminha ao lado de um patrocinador de suas causas e interesses.

            - A. Plekhanov é importante, mas está velho. Não é muito racional apostar nele. Eu apostaria em Lenin. É mais confiável na escolha dos meios.

            - P. Lenin é muito teimoso e obcecado com vingança. Isso pode atrapalhar o objetivo principal.

            - A. Temos outra opção.

            - P. É mesmo? Pelo que eu sei, o movimento revolucionário russo só tem Plekhanov e Lenin.

            - A. É verdade. Um novo sujeito está ganhando poder nos círculos revolucionários. Se investirmos nele...

            - P. Não temos tempo. Não sei quando haverá outra guerra, mas haverá. Estamos no século 20. Não é possível ganhar só com canhões. Precisamos de influência para desestabilizar a Rússia. Por outro lado, se transformarmos esse Trótski no nosso revolucionário... É uma ideia interessante. Quanto dinheiro precisamos para quebrar a Rússia com uma revolução?

            - A. Essa pergunta é sempre difícil de responder. Mas eu acho que... um bilhão de marcos seria suficiente.

            - P. Eu queria lhe perguntar, Gelfand. Por que escolheu o nome Alexander Parvus? Tem vergonha da sua origem judia?

            - A. Tenha um bom dia.

            - P. Até logo.

            Mais uma lição interessante. Costumamos ver a revolução como um movimento ideológico, romântico, onde se procura o bem comum, a libertação do homem escravizado seja de qual maneira for. Não pensamos que por trás do movimento revolucionário existe investimento financeiro de magnatas de qualquer coisa que quer fazer o seu dinheiro render. E o dinheiro vai render com o trabalho antes escravizado que era direcionado para alguém e agora deve ser direcionado para outro alguém, com a melhora das condições de vida de quem vivia sem qualquer dignidade. Isso não deixa de trazer certo tipo de evolução para todos os envolvidos. O perigo é quando os novos dirigentes, aqueles que conseguiram tornar vitoriosa a revolução, esquece esses princípios norteadores da ação e se tornam iguais ou piores que aqueles senhores do passado. E como o povo mal alimentado e mal-educado pode se precaver quanto a isso? Muito difícil. Apenas com a aplicação do Evangelho ou algo parecido, poderemos evoluir sem esse risco. Será esse o papel do novo Brasil que estará surgindo?


Publicado por Sióstio de Lapa em 05/01/2019 às 01h01
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04/01/2019 01h01
TRÓTSKY (08) – ATRAÇÃO AFETIVA

            Série Netflix.

            A cena se desloca pela cidade, onde Alexander conduz Trótsky até a sua casa.

            - A. Pode entrar, meu amigo. Essa casa é minha. Eu hospedo seus colegas socialistas aqui. Por favor. Não é o Hotel Metropol, muito menos o Hilton, mas é uma casa, um lugar pra morar.

            - Uma dama desce a escada e chama. – Alexander. Que bom que encontrei você. Gostaria de pagar pelo próximo mês.

            - A. Natália, já disse várias vezes, não quero o seu dinheiro. Não.

            - N. E eu já disse que você pode hospedar esses socialistas de graça. Não serei uma aproveitadora. Aceite ou irei embora.

            - A. Como quiser. Conheça seu novo vizinho, Leon Trótski.

            - T. Olá.

            Estende a mão para aperto, que ela não aceita.

            - N. Ouvi um dos seus discursos.

            - T. Gostou?

            - N. Não. É um prazer conhece-lo.

            Natália se afasta descendo as escadas, enquanto um olha para o outro de soslaio.

            - A. Eu adoraria lhe dar esperanças, mas ela é teimosa. Entre por favor. Pode deixar a porta trancada. Não tem vazamento no teto. O que achou? Está bom pra você?

            - T. Muito bom. Pelo menos não é um porão.

            - A. Isso mesmo. Não é.

            - T. Qual era o nome daquela mulher?

            - A. Você não será o primeiro, nem será o último. Natália Sedova. Ela é de um círculo completamente diferente. Boêmios. Teatro, exposições... outra vida. Ideais diferentes.

            - T. Entendi.

            - A. Boa sorte.

            Por trás das ações ideológicas, sejam em quais sentidos forem, sempre existirá o instinto animal que possuímos se manifestando. Quando o instinto é aquele capaz de reproduzir a espécie (sexo) é tão forte quanto aquele de preservar a própria vida (alimentação). Trótski se depara com o apelo sexual, os princípios ideológicos, assim como os compromissos sociais com a esposa e filhos, ficam obnubilados por algum instante, mas com consequências para a vida toda. Como condenar ou perdoar algo que está dentro de todos nós? Quando dentro de ações proibidas pela cultura existe o toque do amor? Quando não existe a intenção de prejudicar o outro que está distante, mas aglutinar com o próximo correntes afetivas que se ampliam em direção a família universal? Parece ser essa a saída, para usar os nossos instintos animais na construção daquilo que Jesus ensinava, construir a família universal, para se conquistar o Reino de Deus. Talvez essas ações sejam de mais difícil realização do que construir uma sociedade humana justa e fraterna, com base na família nuclear. Construir a família universal vencendo o ciúme, talvez seja mais difícil que construir uma sociedade justa vencendo a corrupção.


Publicado por Sióstio de Lapa em 04/01/2019 às 01h01
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03/01/2019 01h01
TRÓTSKI (07) – CONTRATO DE MÍDIA

            Série Netflix.

            A cena se desloca para o quarto onde Trótski está morando. Ele está lavando a sua roupa, num ambiente apertado e pestilento. A primeira pessoa que tentou falar com ele, no café onde discursou, se aproxima. Bate na porta.

            - T. Sim?

            - PP – Boa tarde. Permita que me apresente. Alexander Parvus.

            - T. Sei quem você é.

            - A. E o que sabe sobre mim?

            - T. Que ganha dinheiro com tudo. Até mesmo com a revolução. Ou seja, é um oportunista.

            - A. Eu vim parabeniza-lo por um discurso brilhante que, infelizmente, não muda nada. Você é um grande orador, um grande publicitário... sem dúvida você tem o que é preciso para liderar. Por isso vim oferecer ajuda.

            - T. Obrigado, mas não preciso.

            - A. Acha que é melhor ficar aqui? Sejamos sinceros, Plekhanov e Lenin são grandes homens, líderes experientes, mas nada acontece.

            - T. E daí?

            - A. Precisamos de um novo líder. E temos um. Um homem que pode inflamar corações, para seguir não apenas em cafés, mas na guerra, se preciso. Você é esse líder, Leon!

            - T. Ninguém me conhece.

            - A. É só um detalhe. Torna-lo famoso é meu trabalho. Eu criei Maxim Gorky (Escritor russo). Ele é famoso em toda a Europa.

            - T. Ele é escritor. Não preciso dessa fama toda.

            - A. Precisa, sim. Vamos analisar de outro ângulo. Imagine uma atriz. Se ela é desconhecida, ninguém se interessa por ela, mas quando ela fica famosa, o mundo cai aos seus pés. Dinheiro, joias, e, até mesmo, reinos. Sim. Temos precedentes. O líder de uma revolução é assim. Precisa chamar a atenção do público. Controlá-lo. Parece com... sexo. Não! É sexo!

            - T. Digamos que eu concorde. O que você ganha com isso?

            - A. Dinheiro. Irei transformá-lo no maior revolucionário do seu tempo. Farei dinheiro usando seu nome. Viu? Não escondo isso. Eu não faço caridade. Sou um homem de negócios.

            - T. Eu aceito. Quando começamos?

            Observamos aqui a aproximação da mídia no sentido da construção e apresentação ao público, à opinião pública, como um produto, a personalidade Trótski, necessário às reivindicações que cada um faz da vida em sociedade. No caso de Trótski, a proposta publicitária é de adequar melhor o produto que já existe em forma bruta, para que seja mais palatável ao público. No caso das eleições atuais, no Brasil e no mundo, observamos uma procura pelos publicitários para que eles construam uma personalidade que não existe, que use seus “fogos de artifício” para encantar os eleitores que nem mesmo imaginam o que existe de realidade por trás de tudo isso. Este é um trabalho que devemos ter enquanto eleitores, saber separar o joio do trigo das publicidades em torno de algum candidato, das mentiras que são colocadas como enfeite para desviar da verdade.


Publicado por Sióstio de Lapa em 03/01/2019 às 01h01
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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr