Meu Diário
08/06/2019 00h07
IGUALDADE (10)

            André, irmão de Pedro, também de Betsaída, era pescador de profissão, como seu irmão. Tinha um caráter formado na religião judaica que apresentava como lei central os Dez Mandamentos, para que todos pudessem disciplinar seus impulsos, amando a Deus para amar ao próximo.

André, quando conheceu Jesus, já era discípulo de João, o Batista, que o convidou para passar uma noite com ele no deserto. Conversaram sobre as coisas de Deus, sobre a vida futura, sobre o dever do homem a respeito da vida na Terra, o caminho do arrependimento, no sentido de alcançar melhor e mais profundo entendimento sobre os preceitos de Deus.

Dizia assim, o Batista:

            - André, queres saber realmente quando o Messias terá de vir para salvar a humanidade? Eu te falo como se fosse da boca do Senhor que está nos céus. Ele já está na Terra, e eu, em primeiro lugar, já o conheço há muito tempo, sem, contudo, ter a ciência de que Ele era o salvador do mundo. E, se queres saber, ele é Jesus de Nazaré, o filho de Maria.

            André estremeceu nos seus alicerces! Pensara muitas vezes que o Salvador era João Batista. E João continuou falando a André com segurança:

            - Eu, André, vim primeiro abrir as veredas, dar o sinal, abrir as portas do coração pelo arrependimento, para que o amor encontre acesso na alma faminta das gerações.

Esse Messias de que te falo tem a assistência de grande movimento de anjos nos céus, que tomam providências no sentido que sua palavra seja cumprida. Não sou digno de ser seu servo. Tudo que foi dito dEle há de se cumprir, para que reconheçamos a Sua missão na Terra.

            André conversava bastante, mas com pessoas da sua amizade. Logo que começava a juntar mais gente, calava-se, era introvertido. O acanhamento era uma barreira que o impedia, às vezes, de realizar muitas coisas. Em meio à multidão, mesmo que dominasse um assunto, perdia totalmente a inspiração e corava com facilidade. O seu estado emocional tirava-o de muitas alegrias. Conversou com João sobre isso e foi aconselhado que esperasse, que poderia ser uma porta fechada por Deus para que ele pudesse crescer em algumas virtudes e saber controlar, mais tarde, suas próprias emoções.

André já havia conversado com Pedro acerca de suas dúvidas na maneira pela qual entendia a igualdade e, na hora, sentiu que alguém que ele não via pedia-lhe para perguntar a Jesus sobre esse tema que tanto fascina os humildes e pequeninos, quanto é desprezado pelos latifundiários. Aproveitou a intuição e fez a pergunta.

- Mestre! Tomo a liberdade de perguntar ao Senhor qual o papel da Igualdade no seio da comunidade humana e, por assim dizer, no nosso meio, tendo a Tua presença como se fosse o próprio Deus? Abaixou a cabeça e esperou escutar a verdade. Olhou várias vezes para Pedro, sorridente, que aprovou o seu gesto.

Respondeu o Mestre, percebendo a dificuldade do discípulo.

            - André! Sendo Deus todo amor e justiça, não poderíamos acreditar em desigualdade no mundo e no grande rebanho do seu coração. Contudo, assim como não és capaz de encontrar uma folha igualzinha a outra na imensidão da floresta, nem árvores, nem animais, nem insetos, também não encontrastes nunca um rosto, chorando, sorrindo ou em estado normal igual a outro na sua estrutura física. E no caráter, na disposição do bem? No fundo, todos somos feitos iguais, como, certamente, as coisas que nos cercam. 

Porém, cada um de nós e cada coisa está como expressa no sonho de Jacó, em forma de escada: cada um e cada coisa vive em um degrau da vida, expressando o mundo em que vive.

            André tinha dificuldade de compreensão e procurava gravar o que ouvira, mas pouco entendia das comparações do Mestre. Olhava muito para o irmão, que era mais avançado no entendimento.

            Pedro percebeu, chegou perto do irmão e falou: - Não te desesperes, André. Deixa primeiro cozinhar para que tu tenhas maior sabor na comida. Ainda não temos capacidade de entender o Cristo com a mesma facilidade com que perguntamos por nossos problemas. Por vezes tenho dificuldade até de formular as perguntas, e, muito pior, entender o que Ele fala. Não te aflijas, espera.

            O Mestre continuava nas explicações.

            - André, será que quando alimentas o ideal de Igualdade, não pensas somente em seres igual aos que estão bem situados no mundo da riqueza e no domínio dos poderes da Terra? Já pensastes na Igualdade daqueles que estão nos vales dos leprosos, sem esperança, para que possas, com a fé que tens, consolá-los? Será que já passou por tua cabeça seres igual, na posição em que te encontras, aos andarilhos sem destino e, às vezes sem pátria, passando as maiores necessidades que o destino lhes impõe, para que, junto a eles, possas idealizar meios e movimentar recursos, pelo que já sabes, para aliviá-los dos seus sofrimentos? Será que pretendes igualar-te aos velhos sem teto e às crianças órfãs, para que, junto a eles, venhas a colocar a tua inteligência a serviço da segurança desses que sofrem o desprezo na carne e no coração? Por certo que não!

‘A Igualdade que todos, ou quase todos pretendem, meu filho, tem algo de egoísmo, tem muito de bem-estar próprio. Todo homem revoltado na vida é assim porque não conseguiu atingir o lugar que os outros desfrutam nos píncaros dos poderes de César.

Seria muito mais justo e humano, se ele quisesse beneficiar os outros, desfrutando também, que ele trabalhasse em silêncio, em qualquer atividade em que a dignidade fosse a meta, em que a sinceridade fosse o comando, em que o amor fosse o interesse. Mesmo assim, não seria igual aos teus semelhantes, por existirem detalhes que não percebes, impedindo essa possibilidade.

            ‘Quando o impulso da desigualdade ascende no coração de um homem, é para ser desigual aos pobres, aos párias, aos incultos, mesmo pertencendo a essa faixa de testemunhos. Devemos lutar com todas as nossas forças no sentido de que todas as camadas da vida, ao se aproximarem de nós, sintam no coração que estamos nos apresentando como se fôssemos eles, em benefício deles: Esquecendo posições, caso haja; esquecendo sabedoria, caso a tenhamos; esquecendo fortuna, caso desfrutemos dela.

‘Sejamos iguais por amor, pois a caridade se estende sem barreiras. Na verdade, vos digo que todos somos iguais em Deus, mas diversificamo-nos ao infinito, para que possamos fazer parte da criação na melodia harmoniosa e universal.

Finalmente, o Cristo conclui seu pensamento.

- André, procura o amor e ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo, e não queiras modificar as coisas feitas por Deus, porque por ora, não te é dado entender.
            A reunião estava encerrada. Os dois irmãos saíram conversando sobre o assunto da reunião inesquecível.


Publicado por Sióstio de Lapa em 08/06/2019 às 00h07
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07/06/2019 00h04
OTÁRIO

É tão triste pensar que é correto

Que se luta pelo bem da humanidade

E nega a justiça com seu veto

E a cegueira atropela a verdade

 

E tudo olha com grande autoridade

Não mais pensa sobre a vida, refletir

Não sabe porque sente ansiedade

Porque sem dolo tem sempre que mentir

 

Ah! Meu amigo, como posso te ajudar?

Se pensas que tudo lá e cá é falsidade?

Que o paraíso que tu pensa é realidade?

 

Sim, eu não consigo tua mente acessar

E te mostrar meu coração tão solidário

Que não importa ouvir de ti... é tão otário!


Publicado por Sióstio de Lapa em 07/06/2019 às 00h04
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06/06/2019 00h04
NOME DA DOR

A minha dor tem o seu nome

Quanto te sinto longe de mim

E tua boca, lábios carmim

Dizem horrores e logo some

 

E eu não posso te acompanhar

Pelas veredas da iniquidade

Eu não tenho mais pouca idade

Para inocente me enganar

 

Talvez não saibas a dor que causas

Que acabrunha a minha alma

E nela escreve sombrias laudas

 

E tu afundas pensando falso

Noite e dia sem ver o trauma

De ir por onde não posso ou galgo


Publicado por Sióstio de Lapa em 06/06/2019 às 00h04
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05/06/2019 00h04
CORAÇÃO PRESO

Há quem exista nesta vida, eu sei

Que finge a dor que realmente tem

São os poetas do aqui e do além

E com eles um dia conversei

 

Disse da minha louca ilusão

De ter um mundo cheio de amor

Que cada um vivesse em esplendor

Sem nunca ter preso o coração

 

Responderam todos, mas, que ironia!

Pois nós tentamos a mesma fantasia

Como fantasmas vivíamos com decência

 

Mas tínhamos que colocar em nossos versos

Toda a tristeza de viver em dor imersos

E o coração preso nas malhas da inocência


Publicado por Sióstio de Lapa em 05/06/2019 às 00h04
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04/06/2019 00h03
UNIVERSIDADES... INSTRUMENTOS DA VERDADE?

            Dentre todas as instituições que servem à humanidade, as universidades deveriam ter uma posição de maior destaque, pois ao lidar com a ciência e a busca da verdade no cipoal da ignorância, seria o motor de nossa evolução em direção à luz. No entanto, como ela também é formada por seres humanos passíveis de corrupção, direta ou indireta, consciente ou inconsciente, terminamos por ver informações como esta que reproduzo abaixo, que circula nas redes sociais:

UFRN, FUNPEC e Lais

31.05.2019

Vejam como ocorre a inversão de valores. Hoje encontrei com uma professora de UFRN, ela me perguntou se era Gustavo Negreiros, confirmei, e ela disparou a seguinte pergunta:

-Por que você quer destruir a UFRN e a FUNPEC?

De pronto respondi:

Quem quer destruir a UFRN e a FUNPEC é quem paga R$ 4 milhões em um site que custa R$ 20 mil, quem quer destruir a UFRN e FUNPEC é quem gasta R$ 2 milhões em 4 filmes de 60 segundos que no mercado de Natal sairia por R$ 70 mil.

A UFRN ganhou ao longo dos anos um selo de intocável, nem mesmo os órgãos fiscalizadores tinham coragem de transpor os muros da instituição.

A autonomia administrativa logo virou soberania; a universidade virou um país dentro de Natal acima do bem e do mal, jorrando dinheiro.

A FUNPEC além de produzir alguma pesquisa, mas com muita boa-fé, olhando para a Fundação, podemos absorver que de fato, hora faz as vezes de laranja de órgãos públicos, ou pior, às vezes é escoadora de dinheiro fácil.

A soberana UFRN deve ser investigada. O Blog não consegue compilar a quantidade de denúncias que tem recebido nos últimos dias, do Metrópole Digital até o Lais.

Esse Lais é um mundo a parte, ninguém imagina -o Blog vai revelar- a quantidade de dinheiro que passa por lá, as práticas, como o dinheiro sai do Ministério da Saúde e porque passa por Natal.

Essa história nem começou ainda, vai envolver órgãos de controle e vai ganhar o Brasil porque existe metodologia nas mesmas práticas pelo Brasil.

Esse Final de Semana vai render. Aguardem!

            Como também sou professor da UFRN, tal resposta me atingiu em cheio. Então, a UFRN patrocina atos corruptos dentro de seus limites gerenciais? Não será mais uma mentira no sentido de destruir a universidade brasileira? Como podemos desativar esse torpedo maléfico, se ele está carregado de mentiras? Antevejo uma saída: como a Universidade é a palatina da verdade, nada melhor do que expor todas as contas acusadas de corrupção, seus valores, destinação e comparação com os valores de mercado. Nós temos quadros acadêmicos suficientes para mostrar com transparência todas as mentiras que essa resposta pode estar nos envergonhando...

Vamos esperar pela ação dos novos reitores... Afinal, nós somos instrumentos da verdade!


Publicado por Sióstio de Lapa em 04/06/2019 às 00h03
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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr