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ASSASSINO ECONÔMICO (01) – SOFISTICAÇÃO DO CRIME
            Muito pertinente o pensamento de John Perkins, economista, sobre o assassinato de nações motivado pela manutenção e ampliação do poder econômico, que encaixa bem com nossas atuais reflexões sobre a Revolução Russa. Vejamos...
            “Há dois modos de subjugar e escravizar uma nação. Um é pela força, o outro é pelas dívidas” (John Adams, 1735-1826).
            Nós, assassinos econômicos, de fato fomos os responsáveis pela criação desse primeiro império realmente global. Trabalhamos de muitas maneiras diferentes. Talvez a mais comum seja identificar um país que tem recursos como o petróleo. E em seguida, conseguir um empréstimo enorme para esse país através do Banco Mundial ou uma de suas organizações irmãs. Só que o dinheiro nunca vai realmente para o país. Ele acaba indo para nossas grandes corporações para criar projetos de infraestrutura nesse país. Usinas de energia, parques industriais, portos... coisas que beneficiam uns poucos ricos desse país e também as nossas corporações, mas não a maioria das pessoas. Entretanto, essas pessoas, o país inteiro acaba ficando com uma enorme dívida. A dívida é tão grande que eles não conseguem pagá-la, e isso é parte do plano... eles não podem pagá-la! Então, num certo ponto, nós assassinos econômicos vamos lá e dizemos “ouça”, “você perdeu muito dinheiro, não vai conseguir pagar sua dívida, então...” “venda seu petróleo bem barato para nossas petroleiras”, “deixe-nos construir uma base militar em seu país...”, “envie tropas para apoiar uma das nossas, em algum lugar do mundo como o Iraque, ou vote na gente na próxima cúpula da ONU”. Pedem para privatizar sua companhia elétrica e vender seu sistema de água e esgoto para corporações americanas ou outras corporações multinacionais.
            Então, é uma coisa que só cresce, e é tão típico, esse modo como o FMI e o Banco Mundial operam. Eles colocam o país em uma dívida, aí eles se oferecem para refinanciar a dívida e então refinanciado está, e cobram mais juros. E eles exigem esse “escambo” que é chamado de condicionalidade ou boa governança, que basicamente significa que eles têm que vender seus recursos, incluindo muitos serviços sociais, suas empresas de serviços básicos, as vezes seus sistemas educacionais, seus sistemas penitenciários, seus sistemas previdenciários... para corporações estrangeiras. Isso é um ganho duplo, triplo, quádruplo!
            Observamos o surgimento de um novo tipo de assassino... mais sofisticado e muito mais daninho à evolução humana. O egoísmo que é o germe latente que habita em nós, quando adubado por recursos financeiros e poder; torna-se cego aos prejuízos que causam aos irmãos, considerados estes como animais, bestas de carga. A organização de um pequeno grupo de elite, detentor do poder e das finanças, se reúne para deliberar sobre a sorte de milhões de pessoas, sem um pingo de consideração sobre suas dignidades. Quando alguém mais coerente surge do meio desse povo, adquire conhecimentos e coragem suficiente para fazer o enfrentamento, logo é destruído pelas armadilhas sorrateiras que se colocam na sua frente. Uma situação que se fortalece a cada dia. O Evangelho do Cristo, bem cumprido, seria uma alternativa para vencermos essa tendência e iniciarmos a criação do Reino de Deus. Utopia?
 
Sióstio de Lapa
Enviado por Sióstio de Lapa em 06/01/2019
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