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ASSASSINO ECONÔMICO (02) – IRAN 1953
            Continuação da entrevista com o economista John Perkins.
            A introdução do assassino econômico começou mesmo no começo dos anos 50 quando Dr. Mohammad Mossadegh, escolhido democraticamente, foi eleito no Irã... Ele era considerado “A Esperança da Democracia” no Oriente médio ou do mundo. Ele foi o Homem do Ano da revista Time. Porém... uma das questões que ele trazia e queria implementar era a ideia de que as petroleiras internacionais deveriam pagar muito mais ao povo iraniano pelo petróleo que estavam retirando do Irã e de que o povo iraniano deveria se beneficiar do seu próprio petróleo. “Política estranha?” Claro que não gostamos disso, mas tivemos medo de fazer o que estávamos fazendo, que era enviar os militares. Em vez disso, enviamos um agente da CIA, Kermit Roosevelt, parente de Teddy Roosevelt, e com alguns milhões de dólares, ele mostrou-se muito eficiente e em pouco tempo Mossadegh foi deposto e substituído pelo Xá do Irã que sempre foi favorável ao petróleo, e isso funcionou muito bem.
            REVOLTA NO IRÃ – Noticiário (Bombas explodem perto do Irã, um oficial do exército anuncia que Mossadegh se rendeu e seu regime como ditador virtual do Irã acabou. Fotos do Xá são exibidas pelas ruas à medida que os sentimentos mudam. O Xá é bem-vindo em seu lar.)
Aqui nos Estados Unidos, em Washington, as pessoas olharam aquilo e disseram “uau, aquilo foi fácil e barato!” Então se estabeleceu um modo novo de manipular países, de criar impérios. O único problema de Kermit é que ele era um agente da CIA identificado e se ele tivesse sido pego, as implicações poderiam ter sido muito sérias. Então naquele momento, tomou-se a decisão de usar consultores privados para canalizar o dinheiro através do Banco Mundial ou uma das outras agências de treinar pessoas como eu, que trabalham para empresas privadas. Assim, se fôssemos pegos, não haveria consequências governamentais
Essa é uma engenharia que precisamos avaliar com cuidado. Os EUA capitaneou essas operações de compra por um preço baixo o petróleo que é útil não só para os EUA e sim para os países do ocidente, cujo aumento de preço termina por aumentar o custo de vida da população. Olhando por este prisma, é uma ação positiva para nós, moradores desse lado do mundo. Os EUA estariam protagonizando algo positivo para todos nós. A intenção de Mossadegh de beneficiar o seu povo passava pelo prejuízo causado a um maior número de pessoas? A sua população estaria prejudicada pelo preço baixo do petróleo ou por uma má distribuição de renda? Fenômeno esse que pode acontecer tanto lá quanto cá? O movimento promovido pelo EUA de retirar tal pensamento do poder não seria de manter o status quo que se aplica em todo o mundo? O desvio de recursos financeiros para grupos mais fortes e que mantem subjugados a maioria da população, trabalhando essa para manter o fluxo das mordomias das elites e tentando sobreviver no limite da sua força? Isso justifica a inteligência das elites desenvolver estratégia como “assassino econômico” para preservar seus interesses. Nós, povão, iremos nos rastros dessa caminhada, sem desenvolver uma estratégia que nos retire desse destino: ser escravo das elites. Somente a aplicação na prática das lições do Mestre Jesus, trazendo a reforma íntima para os nossos corações, livrando-os do egoísmo, é que sairemos dessa situação, construiremos a família universal, sem necessidade desses conflitos em busca de hegemonia, e consequentemente, construindo o reino de Deus além dos nossos corações.
 
Sióstio de Lapa
Enviado por Sióstio de Lapa em 07/01/2019
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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr