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FONTE DA AMIZADE
            Jesus disse que a amizade nasce de ideais idênticos. Concordo, mas é preciso que haja um desdobramento dessa assertiva, que certamente ele não teve tempo ou condições de fazer.

            Quando aceito o Cristo como modelo para minha vida, e os seus ensinamentos como conduta de vida, observo ao redor pessoas que tem o mesmo ideal. Essa identificação de ideias é o que proporciona amizade entre tantas pessoas.

            Acontece que tenho amigos que não são cristãos, que não tem o Cristo como modelo, alguns são ateus. Um deles que é ateu é o meu amigo de longa data. Ele fez escola técnica e foi para São Paulo. Eu vim para Natal servir a Marinha do Brasil e logo depois fiz o curso de Medicina permanecendo em Natal. Apesar da distância nossa amizade sempre permaneceu sem abalos quando eu precisava ir para São Paulo cumprir alguma tarefa do trabalho ou do estudo, ficava sempre em sua casa, convivendo com sus esposa e com seus filhos. Fui o padrinho de um deles, e ele foi o padrinho de um dos meus filhos. Somos amigos e nossa amizade se espalhou para todos os membros da família. Um belo exemplo de amizade. Certamente nossos ideais tem uma certa sintonia, grande sintonia, poderia dizer, mas não consigo ver com objetividade em se baseia realmente essa sintonia? Pois, do ponto de vista familiar, nós temos uma grande divergência. Ele mantém um casamento tradicional, baseado na fidelidade, na exclusividade dos afetos; eu mantenho relacionamentos afetivos baseados na liberdade, na inclusividade de quem quer que se aproxime com amor.

            Como ancorar tão bela amizade? Nas orientações que Deus deixou para gente, de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”? Mas ele não acredita em Deus, portanto não posso fazer daí uma ancoragem. Amar ao próximo como a si mesmo? Sim, aí pode ser. Eu vejo em suas ações uma atitude desse tipo, não há preocupações nele de causar o mal a ninguém, pelo contrário, eu vejo mais a caridade com o próximo, num nível que chega a ultrapassar o meu. Ele chega a separar trocados para doar a quem se apresente pedindo por caridade. Eu, já tenho muitas reservas, quantas vezes deixei de ajudar alguém com uma pratinha, por identificar ou suspeitar de alguma forma que aquela ajuda poderá ter outra finalidade, que não o benefício de quem pede.

            Portanto, essa lição de Jesus precisa ainda de muito aprofundamento para que pessoas como eu, que não tem tanta perspectiva de alcance de tais lições espirituais, cheguem a compreender. Enquanto isso sigo minhas intuições, pois sinto que dentro delas tem muitos conteúdos necessários que sejam colocados em prática, mesmo que minha inteligência e racionalidade não alcance o sentido ou que eu seja capaz de explicar com clareza.
Sióstio de Lapa
Enviado por Sióstio de Lapa em 04/04/2019
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