Meu Diário
22/09/2021 00h21
AWARENESS/ESPÍRITO/SELF

            Awareness é um conceito central em Gestalt-Terapia que se caracteriza pela consciência de si e a consciência perceptiva. É a tomada de consciência global no momento presente, a atenção ao conjunto da percepção pessoal, corporal e emocional, interior e ambiental. É a apreensão de todas as possibilidades de nossos sentidos, da ocorrência do mundo dos fenômenos dentro e fora de nós. Esta apreensão se dá no presente, no aqui e agora. Mesmo quando lembramos de algo do passado, esta memória vem do passado para o presente, para o aqui e agora. Embora o awareness seja sempre presente, o objeto dela pode pertencer a um outro tempo e espaço. É um conceito que pode ser usado como o Espírito, a entidade enérgica, criada por Deus simples e ignorante e que evolui adquirindo experiência, pelas inúmeras reencarnações que sofre pelos diversos reinos da natureza.

            Posso dizer que awareness é o termo operacional para dizer que o espírito está agindo. Para que haja awareness é preciso haver algum contato, embora possa existir contato sem que haja awareness. É através do contato que a relação com o mundo pode ser nutritiva. Ele é responsável pelas mudanças que o Espírito provoca na pessoa pelo uso do livre arbítrio operando a vontade da pessoa e das experiências que ela tem do mundo.

            O contato ocorre na fronteira de contato, que é o ponto no qual a pessoa experiência o “eu” em relação ao “não eu”. A relação particular entre a pessoa e o meio, entre o “eu” e o “não eu”. 

            Self é outro termo para o Espírito que posso usar para referir à totalidade da pessoa quando em interação saudável com o meio. A característica fundamental do self é a formação e destruição de paradigmas. É a nossa essência. É o processo de avaliar as possibilidades no campo, integrá-las e leva-las à completude em função das necessidades do organismo e do espírito. O self é o agente em contato com o presente, efetuando o ajustamento criativo, fazendo sentido. Constitui nossos processos, funcionando para a existência e crescimento do organismo, e principalmente, para a evolução do espírito.

            Podemos imaginar o self como um sistema complexo de contatos necessários ao ajustamento ao campo da realidade material e transcendental. É o processo permanente de ajustamento criativo do homem ao seu meio interior e exterior, material e espiritual. É a fronteira de contatos em funcionamento, encontrando e dando sentido às teorias e às coisas nas quais vivemos.

            A psicopatologia pode ser interpretada como resultado de um antigo diálogo abortado, que o espírito não conseguiu realizar e guardou a frustração na forma de ressentimentos que se manifesta emocional e comportalmente. Na tentativa intensa de relacionar-se com os outros, a pessoa não é ouvida ou atendida, sua voz voltou-se tragicamente para dentro. A patologia assim teria origem na ausência de uma relação esperada com o outro e que não foi devidamente explicada. Uma situação que nem o mundo, nem o amor alcança o indivíduo que fecha no círculo de suas racionalizações contaminadas pela sensação de que foi vítima de alguém. A cura se realiza através do encontro e a devida explicação dos fenômenos mal interpretados do passado. Nesse contexto, o trabalho terapêutico consiste em restaurar o contato através da relação dialógica que é o encontro do espírito de duas pessoas, no qual um se deixa impactar e responder a totalidade do outro, e onde o interesse fraterno e honesto de ambos é o que se precisa para reestruturação cognitiva e formulação de novos paradigmas.


Publicado por Sióstio de Lapa em 22/09/2021 às 00h21
 
21/09/2021 00h18
FRANCISCO... DAS CHAGAS

            Em tudo existe uma simbologia, depende do nosso olhar e onde procuramos. Acontece com o nome próprio de cada pessoa. 

            Observando o meu nome próprio, como já fiz algumas vezes, agora vem uma nova intuição do seu significado.

            Francisco eu já entendi desde cedo, que foi devido uma promessa que meus parentes fizeram na hora crítica do meu nascimento, onde eu estava com dificuldade de atravessar o canal do parto, que poderia morrer e levar comigo a minha mãe. Como o parto estava sendo realizado em nossa casa do interior, assistido por parteira, sem nenhum outro recurso mais elaborado que não fosse a tentativa de me puxar a força pela cabeça, até hoje tenho as marcas dos dedos da heroica parteira. Não havia outro recurso, a não ser apelar para Deus e como estamos acostumados, encontrar alguém mais próximo ao poder do que nós mesmos, para levar o nosso pedido. Como estávamos no mês de outubro, mês de importância para a cristandade pois se comemorava São Francisco de Assis, famoso por seus milagres, por ser bem próximo do Cristo, o emissário de Deus, foi a ele dirigido a promessa. Caso se operasse o milagre de eu nascer com vida e minha mãe sobrevivesse, então o meu nome seria Francisco. O milagre aconteceu e a promessa foi cumprida.

            Rodrigues, foi o sobrenome dado, como é costume, seguir o sobrenome do pai.

            Agora, das Chagas, deve ter tido outro motivo e muito provável que seja intuitivo. Pois seria mais provável ter sido colocado Francisco de Assis, que é o nome mais conhecido do santo, do que por suas chagas. Mas, talvez o Espírito Santo que estava vendo toda a movimentação, decidira que o pagamento por aquele milagre não poderia ser somente o registro no cartório de um nome. Algo mais severo devia ser cumprido, e talvez não por meus familiares, que afinal estavam querendo me ajudar. O principal beneficiário de tudo que acontecia era eu. Eu teria a minha vida salva e a vida da minha mãe, para me dar toda a acolhida que eu necessitaria. Portanto, eu deveria pagar o preço mais alto. Assim, ele intuiu a quem foi ao cartório para colocar o nome do meio, ligando o nome do milagre ao nome da família. Deveria seu um nome que lembrasse o que eu deveria pagar, um sofrimento relacionado com a divindade. 

            Assim surgiu o “das Chagas”. Indicava que eu devia sofrer como São Francisco sofreu, ao se identificar com Jesus e eleger a pobreza como seu caminho. Lentamente eu fui me identificando com a vontade de Deus que ia tomando vulto em minha consciência e elegi o amor incondicional como o meu caminho. Daí começaram a surgir os sofrimentos e as chagas. São Francisco teve mais dificuldades de ocultar suas chagas, pois elas apareciam em seu corpo físico. No meu caso, não tenho essa dificuldade, pois as chagas surgem na minha alma. A cada sofrimento que causo a outras pessoas que amo, devido o caminho que trilho, abre uma chaga que ninguém ver e que meu sorriso disfarça. Somente o meu olhar melancólico e as lágrimas fáceis de caírem pela empatia com o próximo, causam suspeitas em algumas pessoas que algo não vai bem comigo, que alguma ferida existe.

            Assim como São Francisco não podia evitar que suas chagas físicas existissem e lhe provocassem dor por se identificar tanto com o Cristo, também não posso evitar que minhas chagas emocionais existam e me façam sofrer, por eu me identificar tanto com o amor incondicional que o Cristo me ensinou, para me aproximar do Pai.


Publicado por Sióstio de Lapa em 21/09/2021 às 00h18
 
20/09/2021 00h18
À PROCURA DO CENTRO 

            Entendo que a minha vida funciona como uma roda girando em torno de um eixo. Fui criado por Deus, simples e ignorante, para aprender com as oportunidades que me chegam por sua providência, principalmente no campo material que é o “campus” de aprendizagem. Assumo um corpo material que me permite ir adquirindo esse aprendizado, desde as lições mais primárias, ligadas ao reino mineral, passando pelo vegetal, pelo reino animal, até atingir a condição do hominal, onde me encontro agora. Tendo me desvencilhar das influências instintivas do reino animal e assumir cada vez mais as virtudes do reino angelical. Para isso acontecer, tenho que corrigir os diversos erros que cometo na escola material, principalmente no planeta que me encontro, classificado como planeta de Provas e Expiações. A cada necessidade de corrigenda, volto a reencarnar no planeta, na periferia da “roda”, que gira e com sua força centrífuga tende a me levar cada vez mais à periferia. Tenho que vencer essa força de distanciamento do centro, onde se encontra a energia imanente e transcendente de Deus, que faz tudo funcionar, todas as rodas. 

            Com a ajuda do Cristo, que veio enviado por Deus para nos ensinar como se aproximar do centro, como se aproximar do Pai, aprendi que a forma mais eficaz é praticar o amor incondicional ao invés do amor condicional. Entendo a lógica do que o Mestre ensinava, aceitei a verdade de suas lições e, para ser honesto com o aprendizado, passei a praticar, mesmo que sofresse severas críticas de todos ao meu lado, pois parece que todos entendem a teoria, mas que ninguém entende a prática. Não era essa falta de compreensão que iria me deter. Eu já estava vislumbrando o caminho em direção ao Centro, em direção à Deus. Nada poderia me impedir, nem mesmo todo o sofrimento que eu passava a sofrer sem ninguém perceber, disfarçado no prazer que todos imaginavam.

            Entendi que a prática do amor incondicional iria no primeiro momento quebrar as regras do casamento, o compromisso da fidelidade conjugal, do amor exclusivo, que eu havia assumido. Mas, era minha decisão: ou ficar nesta encarnação girando na periferia e esperando nova encarnação, no mesmo nível ou mais distante do Centro, ou decidiria quebrar as regras e me aproximar de Deus, praticando o amor incondicional que o Mestre ensinou, inclusive com a bússola comportamental, de fazer ao próximo aquilo que desejamos seja feito a nós. 

            Os prazeres existiam dentro deste novo paradigma de vida que eu assumia, como todos podiam imaginar, pois com a quebra do amor exclusivo da fidelidade conjugal, eu permiti a aproximação afetiva com outras pessoas e que podiam me levar até o clímax do prazer sensual/sexual. Mas ninguém percebia o sofrimento que me atingia ao perceber o sofrimento de minhas companheiras, quando viam que meu paradigma de amor incondicional que a havia incluído, não iria ser desprezado por eu ter me aproximado delas. Elas entendiam, enfim, que eu não me aproximara delas por causa do romantismo de ter encontrado a mulher da minha vida. Entendiam que eu estava á procura de outra coisa, entendiam que eu procurava outra mulher... parece que minhas palavras de estar à procura do Reino de Deus caiam no vácuo da incompreensão, de uma espécie de loucura de alguém que coloca Deus como motivo de ter prazer sexual. Isso elas não podiam aceitar e tinham que se ver livres de mim.

Além do sofrimento por ser rejeitado e expulso algumas vezes, com raias de violência por parte delas, ainda tinha o sofrimento dos filhos que perdiam minha condição de instrutor para suas vidas e tinham apenas a opinião da mãe, opinião distorcida pelo sofrimento que ela experimentava. Eu não podia brigar por um contato que ela raivosamente dizia não querer, nem para ela e nem para os filhos. Deixei que o tempo se encarregasse de levar a verdade para cada um deles e segui o meu caminho, com a alcunha de ser perverso, de fazer todos que se aproximassem de mim afetivamente, sofrerem. Essa é uma verdade, não vou negar, mas é um sofrimento que todas sabem que podem passar, pois não nego a ninguém o caminho que estou percorrendo, e rogo a Deus que surja uma companheira que me entenda suficientemente para ser carne da minha carne, que sofra os meus padecimentos e goze dos meus prazeres, como carne da minha carne, como está escrito na Bíblia.

            Enfim, assumo até hoje esse novo caminho que me aproxima de Deus, tentando praticar o amor incondicional que já aumentou minha família nuclear em família ampliada e que me prepara cada vez mais para a família universal, como eu vejo cada vez mais sinais de sua aproximação. Este prazer de eu sentir que me aproximo do Centro, do Pai, é que me dá forças para eu resistir ao sofrimento que essa caminhada provoca.   


Publicado por Sióstio de Lapa em 20/09/2021 às 00h18
 
19/09/2021 00h16
O JULGAMENTO (S6) – MACHISMO

            Como orientação ao meu leitor que chega agora, oriento que procure ver o início desta série de textos indicados com o “S” de sessão para não perder a lógica do raciocínio, e se achar conveniente fazer críticas ou comentários.

            J – Vamos dar início a sexta sessão. Chamo o Réu novamente ao banco das testemunhas.

            AD -  Você explicou na última sessão como se sentiria e faria se tivesse na condição de sua esposa. Ia falar também que não foi fácil aplicar a bússola comportamental, apesar de toda a compreensão que essa aplicação seria necessária para viabilizar sua vida harmônica no futuro. Pode dar seguimento? 

            R – Agradeço a atenção. Durante cerca de dois anos de minha racionalização dentro dos ensinamentos do Cristo sobre o amor incondicional e da aplicação da bússola comportamental, eu sentia que devia fazer o que os estudos indicavam, não era mais uma opção do que eu, particularmente, deveria fazer, era a vontade do Pai, explicada pelo Cristo, e que eu deveria cumprir. Não era mais satisfazer os meus desejos, experimentar o prazer carnal que o meu corpo desejava... era um caminho muito mais íngreme, pois eu também percebia as consequências de onde ele me levaria. Eu iria ser contestado e rejeitado, principalmente por minhas companheiras, que sempre desejariam uma pessoa que cumprisse o amor exclusivo, a fidelidade na expressão do amor em toda dimensão que ele se manifestasse. Eu possivelmente iria viver sozinho, ou pelo menos, viver temporalmente com alguém, sempre esperando o momento que seria expulso do relacionamento, quando a possibilidade do amor inclusivo que existia nos meus paradigmas e era conhecido por todos, se manifestasse. Você pode perceber que, para mim era interessante do ponto de vista do prazer, mas inconveniente do ponto de vista de manter uma relação fixa com alguém por toda a vida, com harmonia e felicidade. A pessoa poderia até viver certo tempo comigo, poderia ter forças para vencer essa possibilidade, de ficar atenta para quando ela surgisse, de ficar sempre na expectativa de algo que iria lhe ferir. Não estaria vivendo com a mesma qualidade de vida que eu possuía, pois eu estava mantendo coerência com o Pai, com o Cristo e comigo mesmo. Se eu seria expulso quando o amor por outras pessoas se manifestasse de forma íntima, isso seria a consequência que eu teria de pagar, como qualquer missionário cristão pagou ao longo do tempo. Você pode observar que eu tinha adquirido um novo paradigma de vida, bem consolidado com os ensinos que o Cristo passou, estava pronto para abrir a família nuclear que eu havia construído, partir para a construção da família ampliada, incluindo principalmente todas as pessoas que haviam tido a oportunidade e a condição de envolvimento afetivo íntimo. Mas algo ainda me impedia. Não era minha esposa com suas correntes conjugais que me prendiam, essas eu havia destruído. Não era qualquer outra condição externa que pudesse influenciar meus pensamentos e diagnósticos acima das lições que recebera do Cristo. Era a força do Behemoth dentro de mim, a força do egoísmo que ainda influenciava meu comportamento. Essa força se confrontava com a aplicação da bússola comportamental e com a justiça que implica estar presente. Para o Behemoth era muito justo que eu aplicasse a bússola e aprofundasse o amor incondicional até a intimidade do relacionamento, mas não seria interessante que eu desse o mesmo direito à minha esposa. Ela não deveria ter este mesmo direito que eu posso ter, pelo fato de eu ser o homem e ela a mulher. Entendi que essa energia negativa atendia pelo nome de “machismo” e conseguiu, realmente, frear a aplicação da bússola comportamental. Mais uma vez eu estava frente a minha amiga, recebendo convites para namorarmos, estava livre das diversas correntes externas, principalmente a mantida por minha esposa, mas agora eu percebia que existia outra corrente, criada pelos padrões culturais e segura firmemente pelo Behemoth, dentro de mim. Mais uma vez fiquei paralisado sem atender os convites, sem usar a bússola comportamental. Mas o culpado agora era eu mesmo. E o Behemoth, o monstro energético que Deus criou dentro de cada um de nós, para proteger e desenvolver o nosso corpo, era o centro dessa disputa. Por um lado, ele queria o prazer de uma relação íntima, e por outro lado não queria dar o mesmo direito a minha esposa, pois a tinha como um objeto dele, um objeto de oferecer prazeres, serviços e sexo, mas jamais ter a mesma liberdade que eu tinha, de me relacionar intimamente com outras pessoas, ampliar minha família para a direção da família universal. Ela deveria ser apenas um apêndice da minha vontade. Meu senso de justiça que estava associado ao amor incondicional, como deve ser, não permitiu isso. Fiquei por mais um ano sem minha consciência poder decidir pela aplicação da bússola comportamental do Cristo, pois ela dizia que eu deveria fazer ao próximo aquilo que desejasse para mim. Ora, eu desejava sair para namorar com minha amiga, e se minha esposa quisesse também, sair para namorar com algum amigo seu, não teria esse mesmo direito? Aplicando a bússola comportamental do Cristo? Sim, era verdade. Eu teria que dar o mesmo direito a ela. Mas o Behemoth não queria. Eu, enquanto espírito, com a responsabilidade de administrar o corpo e seus desejos, instintos, deveria ser fiel a lei de Deus que eu havia aprendido através do Cristo, acima de qualquer outra providência. Decidi não sair do lugar. Não iria aplicar a bússola comportamental do Cristo com hipocrisia. Se o Behemoth iria ser beneficiado com os prazeres que iria receber, o Behemoth da minha esposa teria o mesmo direito, por aplicação da justiça. Depois de cerca de mais 1 ano nesse conflito interno, meu Behemoth perdeu as forças machistas de considerar a minha esposa como objeto e que ela não poderia ter mesmo direito que eu, pois percebeu que nunca iria ter o prazer que tanto desejava, tanto com esta minha amiga do trabalho, como com tantas outras que iriam surgir. Quando senti que o machismo em mim não existia mais a ponto de não dar a minha esposa os mesmos direitos que eu conquistasse, foi quando me permiti sair para namorar com minha amiga.

            AA – Observem, senhores jurados, a maquinação psicológica de uma pessoa que deixou se levar por seus instintos bestiais, do Behemoth, como ele mesmo disse, para se sentir livre para cometer o pecado do adultério com uma pessoa que estava ao seu alcance, assim como com tantas que tivesse oportunidade de induzir ao erro. E tudo isso com a ousadia de dizer que estava aplicando as lições que Deus nos deixou quanto a construir uma sociedade saudável, sem pecados. Dessa forma?

            AD – Senhores, quero que vocês observem que até agora não foi cometido nenhum ato criminoso, nenhuma lei foi violada, nem na terra nem no céu. O meu cliente apenas colocou como estava funcionando a sua mente em todo esse conflito racional e comportamental que ele deveria responder de algum modo. Vejam, ele usou a melhor ferramenta para resolver o conflito, pois usou as lições do Cristo, a bússola comportamental, como ele diz, sem qualquer sentido de hipocrisia, de querer atingir apenas os seus prazeres sensuais. Vejam que por trás de tudo que ele colocou existe uma ética que os simples desejos da carne, por mais poderosos que sejam, não conseguiram quebrar. Vamos dar oportunidade para que ele continue o seu relato e ver como a aplicação da bussola comportamental, como ele disse que já estava em condições de aplicar, vai funcionar no mundo real.

            J – Encerro os trabalhos neste momento pelo avançado do tempo e continuaremos o relato que o AD propõe na próxima sessão.


Publicado por Sióstio de Lapa em 19/09/2021 às 00h16
 
18/09/2021 00h16
O JULGAMENTO (S5) – EMPATIA

            Como orientação ao meu leitor que chega agora, oriento que procure ver o início desta série de textos indicados com o “S” de sessão para não perder a lógica do raciocínio, e se achar conveniente fazer críticas ou comentários.

            J – Estamos iniciando a quinta sessão do julgamento e autorizo a volta ao banco das testemunhas do Réu, para continuar as suas explicações.

            AD – Você estava explicando o uso da bússola comportamental que o Cristo ensinou na relação com sua primeira esposa, que este tribunal considera como a primeira vítima de suas atitudes. Você disse que achou utilidade em usar a bússola, não para as consequências imediatas, mas para as consequências futuras que você já sentia o desenrolar. Mas foi indagado: qual seria a posição da sua esposa se você se colocasse empaticamente no lugar dela? 

            R – Algumas vezes coloco em minhas orações que o Pai permita que eu volte outra vez reencarnado neste planeta de Provas e Expiações, num corpo de mulher e que eu me case com um homem que tenha o comportamento exatamente igual ao que eu tenho, para que eu possa demonstrar como uma mulher deveria se comportar em tais circunstâncias. Pois é isso que você me pede para fazer, de outra forma. Se eu estivesse no lugar de minha esposa, não iria deixar de ser surpreendida pelo fato que ele me contou. Iria ficar agradecida por ele ter sido honesta comigo. Iria ficar gratificada por ele ainda me amar, apesar de não ter a paixão de antes, e que não quer se separar de mim por qualquer outra pessoa, mesmo que sinta paixão por essa outra pessoa. Eu iria entender os impulsos biológicos que ele sente na condição de homem, de macho, de acordo também com os estudos biológicos que fiz, dos conhecimentos a esse respeito que tenho. Ficaria envaidecida por ele sentir tão fortes desejos instintivos e não esquecer, não deixar de sentir o nosso amor e não querer romper nosso companheirismo ou a proximidade com nossos filhos. Entender os momentos onde ele tenha a necessidade afetiva de ficar com outras pessoas para atender sua afetividade, como entendo a necessidade de ele passar noites de plantões trabalhando para atender sua responsabilidade financeira conosco. Ficaria ainda mais orgulhosa, ao saber que ele atende todos esses desejos afetivos, românticos, sexuais com outras pessoas, com base no amor incondicional e seguindo a bussola comportamental do Cristo. Estaria pronta para ajudar a todas amigas que se aproximassem dele e tivessem a oportunidade de aprofundar o relacionamento até o nível sexual, se fosse conveniente. Sentiria o prazer de ambos como se estivesse na carne do meu marido, seguindo a orientação bíblica de que somos carne da mesma carne, e o que ele sente eu devo sentir, seja prazer ou dor. Iria amar a todas as pessoas que o amam e vice-versa, como forma de consolidar meu amor com ele a dimensões estratosféricas, que imagino ninguém ser capaz de alcançar. Os nossos filhos seriam ensinados, por mim, inclusive, que o pai tem uma sintonia imensa com o amor incondicional, que segue as lições do Cristo, que não mente nem é hipócrita, por mais que falem de forma distorcida do seu comportamento. Ensinaria que a arvore boa se identifica pelos frutos bons que produz, então, se querem saber se seu pai é uma árvore boa ou ruim, procure ver os frutos que ele produz dentro da sociedade. Iria saber que o desejo sexual que ele sente ocasionalmente por outra pessoa, jamais irá ser superior ao amor divino que ele possui e tem em mim a principal companheira, e que o sexo carnal é apenas um detalhe da vida eterna que iremos desfrutar juntos pela eternidade que o Pai nos oferece. Onde eu iria encontrar outro companheiro igual a este? Era assim que eu sentiria, que eu pensaria e que eu faria. 

            AA – Você está atendendo o compromisso com a verdade que jurou no início?

            R – Sim, conforme deixo indícios por onde passo e conforme o Pai sonda o meu coração. 

            AD – A aplicação da bússola comportamental que o Cristo ensinou, acredito que ninguém nesta sala é contrária a ela, você conseguiu aplicar a contento nessas circunstâncias que você estava vivenciando? 

            R – Não. Tive dificuldades de aplicar por questões culturais e biológicas...

            J – Vamos interromper mais uma vez e continuar na próxima sessão...


Publicado por Sióstio de Lapa em 18/09/2021 às 00h16



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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr