Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
29/09/2013 00h01
DESCANSO AUTORIZADO

            Tenho que fazer uma revisão quanto ao ritmo de trabalho que cumpro e que mesmo assim não me sinto satisfeito. Sempre estou a sentir que preciso fazer algo mais do que faço. Classifico assim como preguiça o resultado dessa lacuna do que não consigo produzir, mesmo que a opinião unanime ao meu redor seja contrária.

            Então prestei uma melhor atenção ao que diz a Bíblia, afinal este mês que está no fim é dedicado a ela. Observando as pessoas que mesmo em igrejas diferentes seguem os ensinamentos bíblicos, vejo que existe uma tendência majoritária de dedicar um dia da semana a Deus, o Dia do Senhor. Em nosso calendário é o domingo, muito parecido com o descanso sabático do Antigo Testamento.

            Jesus quebrou a rigidez dessa observação, curando no sábado. Disse que o sábado foi feito para servir as pessoas, e não as pessoas para servirem o sábado (Marcos, 2: 27). Essa ação de Jesus ensina que devemos colocar o serviço ao próximo em primeiro plano. Mas Ele não negou a conveniência de ser escolhido um dia para o descanso, para desacelerar, aproveitar a vida, ser propositadamente improdutivo do ponto de vista material. Do ponto de vista espiritual esse dia de descanso da labuta material, deve servir principalmente para o renovo espiritual, da maior aproximação com Deus.

            Eu já tenho uma prática parecida com essa, escolho o domingo para o lazer, para me afastar do trabalho propositalmente, inclusive cheguei a pagar meus plantões como uma forma de ter sempre o domingo livre. Também aproveito para divulgar os ensinamentos de Jesus como uma tarefa de evangelização e de aproximação com Deus. O que devo corrigir é a sensação de tempo perdido com essas atividades lúdicas e de repouso. Devo assumir que esse repouso é autorizado por Deus e seguindo as lições do Mestre Jesus, não ser tão rígido nessa observação. Se for necessário ou conveniente fazer algum trabalho no domingo, eu o farei, sabendo que estou tirando um momento do meu descanso autorizado para realizar uma tarefa necessária. Isso implica que não irei colocar tarefas propositalmente no domingo, será sempre um dia reservado ao repouso e à aproximação com o Pai.  

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em 29/09/2013 às 00h01
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28/09/2013 00h01
UMA LIÇÃO DE PERDÃO

            Este texto de hoje não tem nada a ver com os livros que estou constantemente lendo e tentando aproveitar as lições. Tem a ver com uma observação casual que fiz sobre o machucado do meu dedo polegar direito. Por um momento de desatenção deixei ele na porta do carro e ao fechar machuquei na raiz da unha. A dor foi forte e pensava até que a unha fosse cair. Mas ela se recuperou, apesar de mostrar uma mancha escura que se deslocou ao longo do tempo e hoje está prestes a desaparecer com o contínuo aparar. Então, vendo essa evolução tão natural de células que consideramos não ter uma consciência, fiz uma relação intuitiva com o mecanismo do perdão.

            Todos sabemos que o perdão é uma ação importante no nosso processo evolutivo, e que está intimamente associada à nossa capacidade de amar incondicionalmente. Muitos consideram uma ação muito difícil, outros, impossível. Mas Jesus já ensinava que não podemos deixar de perdoar a quem nos tem ofendido, para sermos dignos do mesmo perdão, já que nós, como espíritos imperfeitos, ainda estamos cometendo erros constantes com o próximo. Dizem que o mal que é feito a nós jamais pode ser esquecido. Isso é verdade, eu até pensava assim, mas a minha unha me deu outra percepção. Tem injúria que pode ser esquecida sim! Do ponto de vista dos ressentimentos. A minha unha está mostrando que logo mais estará saudável e perfeita como antes, sem nenhuma marca da injúria sofrida. Precisou apenas do tempo e de que o fato não mais se repetisse.

            Então eu fiquei a imaginar... Realmente existem injúrias que consigo perdoar e que não fica nenhuma marca na minha memória. Lembro-me das pessoas que por seus diversos motivos me maltrataram e falaram mal de mim. No meu modo de entender eu sou inocente e, portanto, vítima de injúria por quem tem um interesse diverso do meu e não quer considerar outras razões. Poderia procurar uma forma de vingança e aplicar o mesmo tipo de injúria, talvez pior. Mas o Mestre ensina a perdoar e é isso que faço. No começo é mais difícil, mas basta seguir as lições de Jesus, principalmente amar ao próximo como a nós mesmo. Esta é a lição básica para a aplicação do perdão. Se eu vejo o outro como um reflexo de mim, que eu devo o amar como eu amo a mim, então eu devo perdoar o erro que ele está cometendo considerando as razões que ele apresenta. Ao fazer assim, a mancha dessa injúria que sofri vai ao longo do tempo se afastando do campo de minha consciência, até se apagar. Não é que eu esqueça os fatos, isso sempre vai existir, pois é uma função da memória. Mas isso não traz de volta nenhum sentimento, ressentimento... é algo neutro.

            Esta é a lição da unha. Com o perdão a minha mente deixou de apresentar a mancha do ressentimento, a minha memória está limpa. Está capaz de se relacionar com essa pessoa sem sentir o mínimo de necessidade de lembrar do que ocorreu, da injúria que sofreu. Mesmo que a pessoa, por ignorância, volte a injuriar. O machucado novamente vai se fazer sentir e outra mancha irá surgir. Mas a capacidade de perdoar outra vez vai fazer efeito no sentido de dissipar a mancha ao longo do tempo. Mas se a pessoa continuar na ignorância e voltar a ferir, a injuriar... qual será o limite? Jesus já o disse: 70 x 7. Aí vem a pergunta: Será que eu suportarei tanta injúria? E qual o sentido disso? A resposta é de uma beleza exemplar!

            Quando Deus nos colocou no mundo foi com o objetivo de crescermos com o nosso livre arbítrio em direção a ele, em inteligência, sabedoria e principalmente AMOR! Como ele é o Pai de todos, a todos como filhos deseja o sucesso. Acontece que tem filhos que por um motivo ou outro desviaram do caminho, esqueceram do amor e entraram na trilha do egoísmo, dos prazeres e interesses individuais, esqueceram que até possuem um Pai além do biológico. E o Pai não quer que nenhum dos seus filhos se perca. Jesus já dizia que devemos deixar todas as ovelhas no redil e ir à busca da ovelha perdida, quem quer que ela seja, onde quer que ela esteja. Pois bem, esta pessoa que nos injuria, que não tem capacidade de perdoar e consequentemente é muito falha no amor, á a nossa ovelha perdida, tão querida do Pai. A injúria que ela nos faz é a prova inconteste de sua ignorância da Lei do Pai e talvez ela não saiba nem da existência dEle. Mas ela tem dentro de si a semente divina, como todos nós a ganhamos quando fomos criados. E o Pai deseja que quem tem mais dê a quem tem menos. Se eu me considero com muito amor no coração e que recebo mais amor a cada momento diretamente de Deus, é esse amor que devo também distribuir ao meu redor. É esse exemplo de amorosidade através do perdão repetido que vai quebrar as resistências da ovelha perdida e ela encontrar novamente o caminho do redil. Portanto, Jesus foi modesto quando limitou a quantidade de perdão em 70 x 7, pois o Pai deseja que apliquemos o perdão até o momento da recuperação de sua ovelha perdida e isso eu não sei quanto tempo vai durar.

            É preciso alcançar o desejo do Pai sem nos contaminar com os nossos próprios desejos, senão o perdão não conseguirá ser aplicado. Para aplicar o perdão é necessário afastar o ciúme que deseja exclusividade no ato de amar; é necessário afastar a ganância que deseja acumular bens materiais; é necessário servir quando desejamos ser servidos.

 

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em 28/09/2013 às 00h01
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27/09/2013 00h01
MENTALIDADE DEMONÍACA

            Esse termo “mentalidade demoníaca” trazida pelo Baghavad Gita apesar de parecer muito pesado de certa forma me atrai, pois serve para identificar com dureza o caminho que não devo trilhar. No Verso 10 do Capítulo 16 ele descreve a mentalidade demoníaca da seguinte forma:

            Os demônios não se fartam de sua luxúria. Eles não param de intensificar seus insaciáveis desejos de prazer material. Embora vivam sempre cheios de ansiedade decorrentes do fato de aceitarem situações impermanentes, mesmo assim eles continuam a se ocupar nessas atividades devido a ilusão. Eles não tem nenhum conhecimento e não podem perceber que estão se dirigindo para o caminho errado. Aceitando as coisas não permanentes, estas pessoas demoníacas criam seu próprio Deus e criam seus próprios hinos que se harmonizam com sua capacidade de cantá-los. O resultado é que eles ficam mais e mais atraídos a duas situações – prazer sexual e bens materiais. “Votos impuros” são muito significativos dentro deste contexto. Essas pessoas demoníacas só se sentem atraídas a vinho, mulheres, jogatina e consumo de carne; estes são seus hábitos sujos. Induzidos pelo orgulho e pelo falso prestígio, estes seres demoníacos criam alguns princípios religiosos que não são aprovados pelos preceitos védicos. Embora eles sejam os mais abomináveis do mundo, através de meios artificiais o mundo lhes presta uma falsa homenagem. Embora estejam deslizando para o inferno, eles se consideram muito avançados.

            Essa força de atração material e ilusória que sofremos através dos desejos do nosso corpo é o grande fator de distorção do caminho que leva o nosso espírito a se perder nesse labirinto de paixões. Vejo ao meu redor quantas pessoas estão totalmente envolvidas nesse campo vibratório de prazeres fugazes e que não tem nenhuma intenção de sair dele. Outras pessoas nem tanto.

            Tomo o exemplo de dois irmãos biológicos que possuo: um é inteiramente ligado as questões materiais e ao prazer dos sentidos, alimento, bebidas e principalmente mulheres, sexo! Vejo ele se aproximar de livros espiritualistas, mas com o interesse secundário. Uma colega de trabalho que ele paquera tem interesse espiritualista e ele para se aproximar procura levar livros nesse sentido. Vejo que ele tem mostrado até certa evolução no sentido de não se deixar dominar completamente por esses prazeres e perder o sentido de responsabilidade, pelo menos a material.

            O outro irmão não é tão aprisionado por esses prazeres da carne. Apesar de seu foco de vida está ainda no campo material, ele já demonstra ações espiritualizadas de controle comportamental, de pensamentos e sentimentos. Está bem mais avançado, apesar de mais jovem.

            Eu me considero com o foco dentro do campo espiritual. Ainda curto os prazeres da carne, das bebidas, do sexo, dos bens materiais, mas tudo isso subordinado aos princípios do Amor Incondicional que é a Lei máxima para a construção do Reino de Deus. Apesar de ter ainda uma mentalidade demoníaca que se delicia com esses prazeres carnais, materiais e fugazes, o que prevalece em mim é o princípio do Amor Incondicional e que pode frear a qualquer momento, qualquer ação que eu considere deletéria aos propósitos espirituais. Demonstro isso com o controle sobre a gula, sobre os prazeres dos alimentos. Consigo passar três meses de jejum e até mais se eu assim determinar. Consigo diminuir ou mesmo eliminar o prazer das bebidas, sejam alcoólicas ou refrigerantes. Consigo desviar o prazer do sexo para a construção da fraternidade, apesar de todas as complicações que isso traz devido as falsas interpretações das parceiras com relação a exclusividade do amor.

            Estas lições são muito úteis para avaliarmos a cada momento o nosso nível evolutivo, chamar a atenção daquilo que devemos evitar e concentrar esforços naquilo que é importante para cumprir nossa missão frente ao Pai.

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em 27/09/2013 às 00h01
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26/09/2013 00h01
FÉ BAHÁ’Í

            A Fé Bahá’í é uma religião monoteísta fundada por Bahá’ulláh na Pérsia do século XIX que enfatiza a unidade espiritual da humanidade. Trata-se de uma religião independente que possui as suas próprias leis, escrituras sagradas e calendário. Mas não possui dogmas, clero nem sacerdócio. Estima-se que existam cinco a seis milhões de bahá’ís espalhados por mais de 200 países e territórios.

            Os ensinamentos bahá-ís atribuem grande importância ao conceito de unidade das religiões. A história religiosa da humanidade é vista como um processo de desenvolvimento gradual, em que surgem Mensageiros Divinos com ensinamentos adequados às necessidades de cada momento e à maturidade de cada povo. Esses mensageiros incluem Krishna, Abraão, Buda, Jesus, Maomé e, mais recentemente , o Báb e Bahá’u’lláh. Segundo os ensinamentos bahá’ís, a humanidade encontra-se num processo de evolução coletiva a caminho de uma civilização mundial, e as suas necessidades atuais centram-se, essencialmente, no estabelecimento gradual da paz, justiça e unidade a uma escala global.

            Mantém coerência dentro da perspectiva evolutiva de que caminhamos para a construção do Reino de Deus, onde cada Mensageiro Divino contribui para o aperfeiçoamento das relações humanas, de acordo com o padrão de conhecimentos e de sabedoria adquiridos.

            Adquiri no dia 11 de setembro um livro intitulado PÉROLAS DE SABEDORIA, “Seleções dos escritos do Báb, Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá para meditação diária.” Editora Bahá’í, 1988. Pelo calendário Bahá’í o ano começa em 21 de março e o dia começa e termina com o por do sol. Como adquiri o livro no dia 11 de setembro, então comecei a ler essas “pérolas de sabedoria” a partir dessa data. Encontrei o seguinte:

            Ó amigos espirituais! Tal deve ser a vossa constância que, se os malevolentes tirarem a vida de todos os crentes, com exceção de um único, esse remanescente, sozinho e sem auxílio de ninguém, resistirá a todos os povos da Terra e continuará a difundir aos quatro ventos as doces fragrâncias de Deus. Portanto, se alguma notícia alarmante ou algum relato de acontecimentos terríveis vos chegar aos ouvidos da Terra Santa, não vacileis, nem vos aflijais, nem vos deixeis abalar. Antes, erguei-vos prontamente, imbuídos de resolução férrea, e servi ao Reino de Deus.

            Achei interessante, pois essa data foi a mesma do ataque às torres gêmeas nos Estados Unidos e o texto se aplica bem àqueles acontecimentos. Também faz a convocação de todos os amigos espirituais para que sirvam ao Reino de Deus com vontade férrea.

            Encontro assim em todos os textos sagrados, escritos ou intuídos pelos Mensageiros Divinos, instruções que se adaptam ao projeto que o Pai determinou para mim. Mesmo que exista um detalhe que foge dos padrões culturais e que não são abordados diretamente pelos Mensageiros anteriores, mas que na minha compreensão é a pedra angular da construção do Reino de Deus: o Amor Incondicional, o amor inclusivo, baseado na justiça e na fraternidade.

 

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em 26/09/2013 às 00h01
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25/09/2013 00h01
COMPREENSÃO DEMONÍACA

            Essa compreensão tirada do Baghavad Gita (Cap. 16, Verso 8) pareceu-me muito forte quando aplicado a minha realidade, mas parece bastante pertinente quando aplicado a muita gente que conheço. Vejamos o que diz na íntegra:

            Os demoníacos concluem que o mundo é uma fantasmagoria. Não há causa nem efeito, nenhum controlador, nenhum propósito: tudo é irreal. Eles dizem que essa manifestação cósmica surge devido a ações e reações materiais aleatórias. Eles não aceitam que Deus criou o mundo com um determinado propósito. Eles têm sua própria teoria: que o mundo apareceu por si próprio e que não há razão alguma para acreditar que um Deus por trás dele. Para eles, não há diferença entre matéria e espírito, e não aceitam o Espírito Supremo. Tudo é apenas matéria, e supõe-se que o cosmos inteiro seja uma massa bruta. Segundo eles, tudo é vazio, e qualquer manifestação que exista se deve à nossa percepção ignorante. Eles afirmam que todas as manifestações de diversidade são exibições de ignorância, assim como num sonho podemos criar tantas coisas que de fato não têm existência. Então quando acordamos vemos que tudo não passa de um sonho. Mas na verdade, embora digam que a vida é um sonho, os demônios são muito peritos em desfrutar este sonho. E assim, em vez de adquirir conhecimentos, eles cada vez mais se envolvem com suas fantasias. Eles concluem que, sendo o filho o simples resultado da relação sexual entre um homem e uma mulher, este mundo surgiu sem a presença da alma. Para eles foi apenas uma combinação de matéria que produziu os seres vivos, e a existência da alma fica fora de cogitação. Assim como sem causa aparente muitas criaturas vivas surgem do suor ou de um corpo morto, todo o mundo vivo surgiu das combinações materiais que se processam na manifestação cósmica. Portanto, a natureza material é a causa desta manifestação, e não existe nenhuma outra causa.

            Esta é uma compreensão puramente materialista. É uma compreensão ainda predominante na academia, mesmo que exercita por homens e mulheres de boa conduta e sentimentos. Então por isso eu considero o termo “demoníaco” muito forte para caracterizar essas pessoas que pensam assim, já que demônio pressupõe algum tipo de maldade feita ao próximo. Eu ficaria mais confortável em classificar essa compreensão como divergente, pois não traz em si a conotação da maldade.

            Mas respeito a sabedoria milenar do Baghavad Gita, talvez fazendo assim as pessoas sintam com maior força o impacto dessa falta de sintonia com o Criador e mantenedor do universo.

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em 25/09/2013 às 00h01
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