Continuando o acompanhando o pensamento do Padre David Francisquini (Revista Catolicismo dez/2024) sobre a Igreja.
Para medir a gravidade das mudanças que querem implementar na Igreja, é preciso compreender todo o alcance da “catolicidade” da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Como é sabido, a catolicidade é uma das quatro notas da Igreja, conforme rezamos no Credo: unam, Sanctam, catholicam et apostolicam Ecclesiam. As quatro “notas” são propriedades intrínsecas da Igreja, que lhe foram concedidas por Nosso Senhor e que constituem a sua essência. Elas têm de característico que, além de serem propriedades internas (sem as quais Ela deixaria de ser a Igreja), elas são visíveis, tornando-A reconhecível por aqueles chamados a pertencer a Ela.
Se a unidade é a nota mais essencial e a santidade a mais preciosa das propriedades da Igreja, a catolicidade é a que mais A distingue das falsas igrejas heréticas e/ou cismáticas. Ela designa uma extensão temporal, cobrindo a universalidade das eras, mas sobretudo uma extensão territorial, porque, ao contrário do Povo Eleito do Antigo Testamento, a Igreja está chamada a estender-se ao mundo inteiro, conforme o derradeiro mandato de Jesus aos Apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
Essa extensão territorial não precisa dar-se de fato (não existia nas primeiras comunidades cristãs, que eram uma gota d’água no globo), mas ela sempre existiu de direito, posto que a Igreja tinha a vocação e o direito de estender-se ao mundo inteiro (e esperamos que o fará no Reino de Maria).
Também não precisa ser uma universalidade física, bastando que seja moral, isto é, que Ela tenha uma tal extensão no mundo que a torne visível e que sua força, grandeza e capacidade de expansão sejam perceptíveis por boa parte da humanidade.
Santo Inácio de Antioquia foi o primeiro a dar à Igreja o título de “católica”, dizendo que “onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja católica”. Outros padres da Igreja lhe deram esse nome, mas o que o fez de maneira mais notável e excludente foi São Cirilo de Jerusalém: “Se algum dia peregrinares pelas cidades, não indagues simplesmente onde está a casa do Senhor, porque também as seitas dos ímpios e as heresias querem coonestar com o nome de ‘casa do Senhor’ as suas espeluncas; nem perguntes simplesmente onde está a igreja, mas onde está a Igreja Católica; este é o nome desta santa Mãe de todos nós, que é também a Esposa de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Instrução Catequética c. 18; nº 26).
O próprio São Cirilo explica as catecúmenos o sentido dessa expressão: “A Igreja é chamada ‘católica’ porque existe em toda a superfície da Terra, de um extremo ao outro; porque ensina integralmente e sem omissão todos os dogmas que devem ser levados ao conhecimento dos homens, tanto nas coisas visíveis quanto nas invisíveis, nas coisas celestes e nas coisas terrenas; porque leva ao mesmo culto todas as categorias de pessoas, governantes e súditos, instruídos e ignorantes; por fim, porque ela cuida e cura integralmente todos os tipos de pecados, tantos carnais quanto da alma; e mais, porque ela possui todos os tipos de virtudes, em atos, em palavras, em dons espirituais de toda sorte”.
Define uma potência da Igreja que só é explicada pela força moral que o Cristo passou para os apóstolos e seus convertidos.