No livro “Ave Luz”, de João Nunes Maia, pelo espírito Shaolin, tem um capítulo onde o velho Basílio faz uma profecia para o, ainda criança, Judas Tadeu. Ele olha para o rapagão que anda distraído pelas ruas de Jope (cidade portuária do Mediterrâneo) e acena com a mão para que ele se aproxime.
Dentro de uma cabana improvisada, o menino assenta-se acanhado e pergunta o nome do velho senhor: - Meu filho, o meu nome é Basílio. Tenho 98 anos e nunca me esqueço do amor de Deus para com as criaturas. Não sei como vais receber-me na posição em que me encontro e, pelo que vou falar-te, diante da pouca idade que tens. No entanto, é meu dever te revelar algo que a vida guarda para o teu coração.
O menino entendeu mais ou menos, pois frequentava a Igreja, ouvia falar muito dos destinos das pessoas e das coisas de Deus, dos profetas, dos anjos e da comunicação que o Divino pode fazer com aqueles que tem o coração aberto para a sintonia do Alto, mesmo que reflita a informação na forma de simbologia e mascarada pelas nuances do tempo.
O homem, sereno, descobre em sua frente um volume que brilhava mais na claridade, uma bola de cristal. Era muito polida e bonita. O profeta fixa seus olhos na criança e fala com sabedoria: - Meu filho, te chamei porque, de longe, vi em volta de tua cabeça uma promessa para o teu futuro. Coisa difícil de explicar por palavras. A minha posição me obrigou a te revelar algo de bom para o teu coração, mesmo se isso te custar a própria vida.
Fechando os olhos, pôs a mão bem devagar por sobre a pedra, fala algumas palavras estranhas e o menino vê, assustado, desenrolar-se a vida de uma pessoa desde o nascimento, em uma estrebaria, até a morte, pendurado no madeiro, em um monte. Depois de assistir a todo o drama, o velho Basílio pondera com tristeza.
- Meu filho, viste tudo? Pois tu és um desses que vai acompanhar esse Mestre. Ele vai te chamar para Seu apostolado. Ele é a luz do mundo que veio nos salvar. Ele é o Cristo anunciado pelos antigos profetas. Podemos chama-Lo de Pai na ausência de Deus, se é que sentimos a Sua ausência de vez em quando.
O rapaz, movido pelos sentimentos de bondade, chora quase aos soluços, e o velho Basílio acrescenta: - Chora, meu filho, chora, para que essa advertência não saia da tua mente, e quando encontrares esse personagem divino, acompanha em todos os Seus acertos e sejas portador da Sua voz, para que os homens entendam esse homem. É o homem do amor.
Tornou a cobrir a pedra com delicadeza. Serviu um doce de figo para o menino, pegou sua mão e saiu de novo pela rua dizendo: - Queres ouvir um conselho, Tadeu?
- Sim, senhor, quero. Quero ouvir muito do senhor.
- Então não digas nada do que viste e ouvistes ou lestes de mim, porque a vida tem segredos dispensados a poucos e que exigem silêncio aos ouvidos de muitos.
Dá um sorriso e termina: - Vai, meu filho, vai à procura dos teus, que já devem se encontrar impacientes com a tua demora. Vai, Tadeu.
Essa bola de cristal foi usada pelo velho Basílio e aplicada as informações ao jovem Tadeu como uma profecia. Foi aqui neste texto registrada com algumas alterações, e traz motivos para melhorar, ressignificar a nossa própria narrativa de vida, que pode impactar também a narrativa de vida de outras pessoas, seja qual for o caminho pelo qual estejam seguindo e tenham a oportunidade do compartilhamento.