Lembro daquele dia, há pouco tempo passado, quando eu dirigia pelas ruas de Ceará-Mirim, por volta das 21h, quando eu saia de uma reunião de Alcoólicos Anônimos (AA), em busca de uma resposta de Deus. Estava me sentindo sufocado pelas acusações que sempre recebo de que sou guiado na minha vida não pela vontade de Deus, como eu digo, mas pelos meus desejos sexuais, de quem me observa.
Foi nessa busca que encontrei o Bar Canavial e em frente à porta uma mulher, G., vestida de vermelho. Senti intuitivamente que ali estava as respostas que Deus me daria, às minhas dúvidas: se eu fosse até ela com minha disposição de ajuda-la, eu iria me envolver sexualmente no trabalho que ela estava oferecendo? Ou iria prestar algum benefício conforme a vontade de Deus e não conforme os meus desejos?
Busquei a bússola comportamental que o Mestre Jesus ensinou e que guardo na minha consciência: fazer ao próximo àquilo que eu gostaria que fizessem a mim, estando no lugar desse próximo.
Então, fiquei no lugar daquela mulher e imaginei o que ela gostaria de receber de mim. Claro, de imediato seria pensar que ela gostaria de vender os seus serviços sexuais a mim e que fosse devidamente recompensada por isso. Estaria assim atendendo aos nossos desejos materiais. Da minha parte, estaria obtendo os prazeres sexuais, da parte dela a venda desses prazeres momentâneos que o seu corpo oferece.
A bússola do Cristo, nesse contexto material, estaria sendo devidamente aplicada, dentro dos nossos interesses carnais, materialista. Mas eu estava indo ali sintonizado com o mundo espiritual, com a vontade de Deus, e não pelos meus desejo carnais.
Assim, a pergunta que eu deveria fazer para aplicar a bússola comportamental do Cristo, seria: o que aquela mulher gostaria de receber de mim, que estaria além da venda do seu corpo, que é o bem mais importante para ela e que está sempre pedindo a Deus em suas orações?
Foi isso que eu procurei saber dela, conversando um pouco. Depois, em outros momentos, com suas colegas todas juntas e pagando pelo tempo que elas estavam “desperdiçando” comigo.
Confesso que minhas ações naqueles momentos não tnham a clareza que tenho agora, ao digitar este texto. A própria G. me disse certa vez que suas colegas não tinham interesse nas minhas palavras e sim na gratificação monetária que eu deixava com elas pelo tempo que ficavam perdendo comigo.
Dessa forma, parece que G. começa a dizer daquilo que ela procura e tem necessidade além da venda do seu corpo. A intuição me segreda que que eu deva dar aquilo que esteja ao meu alcance. É como se o Pai me orientasse para eu doar o que tenho para oferecer, pois é isso que eu recebo dEle, e que alcançarei algo mais, sem que eu pense naquilo que riei receber em troca. Isso para não desfigurar a minha forma de amar incondicionalmente, conforme o amoe que recebo do Pai.
Os sofredores sempre abrem os braços para todos os que se propõem consola-los, ajuda-los. Sei que G. tem um filho pequeno, um pai biológico e um pai do seu filho, que estuda e que vende o corpo para se manter, sobreviver com os que dependem dela.
Essa é a questão: onde a minha ajuda pode ser mais importante do que a compra dos seus serviços sexuais?
Primeiro, devo ensinar conforme Jesus fazia. Que nós devemos reconhecer a existência do Pai, nosso Criador, que devemos fazer a Sua vontade, tolerando com paciência e fé as circunstâncias negativas que estamos passando, como colheita daquilo que semeamos no passado, e que acada momento podemos semear novas sementes para aoclheira futura.
Agindo assim com G. estarei fazendo aquilo que o Pai faria se tivesse em meu lugar, gerenciando o meu corpo físico. Farei convite para ela ir comigo na próxima segunda feira a algum culto evangélico, num centro espírita ou igreja católica, onde ela seja recebida devidamente como uma irmã, sem preconceitos morais, e que eu possa lembrar da parábola ensinada por Jesus, das sementes do semeador. Depois irei deixa-la em segurança na sua casa.
Essa é a lição que o Pai está me dando, de como fazer a vontade dEle e não a minha, que pode ser aplicada à vida de G., tanto a vida dela como a vida de qualquer uma de suas colegas que despertem para o chamado do Pai, tanto através de mim quanto através de todos os meus irmãos que querem fazer a vontade do Pai.
Eis a semente de mostarda!