\ Peço permissão ao ilustre autor, C. S. Lewis, neste dia dedicado ao escritor (25-07) para conversar com ele através do seu livro CRISTIANISMO PURO E SIMPLES, com tradução: Álvaro Oppermann e Marcelo Brandão Cipolla; revisão de tradução: Luiz Gonzaga de Carvalho Neto e Marcelo Brandão Cipolla; revisão técnica: Omar de Souza.
Sei que parece injusto com o autor, pois posso contesta-lo em suas afirmativas e ele não pode me contestar em troca. Mas confio que meus leitores, mesmo que poucos, tenham a devida lógica de não deixar impune minhas ousadias inconvenientes, sem propósito ou simplesmente inócuas, ignorantes.
Vamos seguir a ordem que ele definiu no contexto do livro.
Livro I
O CERTO E O ERRADO COMO CHAVES PARA A COMPREENSÃO DO SENTIDO DO UNIVERSO
Livro I - O certo e o errado como chaves para a compreensão do sentido do universo. 1. A lei da natureza humana - 2. Algumas objeções - 3. A realidade da lei - 4. O que existe por trás da lei - 5. Temos motivos para nos sentir inquietos.
Prefácio
O conteúdo deste livro foi originalmente divulgado na forma de programas de rádio antes de ser publicado em três volumes separados1: Broadcast Talks (1942), Christian Behaviour (1943) e Beyond Personality (1944).
Nas versões impressas, fiz pequenos acréscimos àquilo que falei ao microfone; mas, em linhas gerais, mantive o texto tal como fora ao ar. Na minha opinião, uma "conversa" pelo rádio deve manter-se o mais próxima possível da linguagem oral e não deve soar como um ensaio acadêmico lido em voz alta.
Em meus programas, portanto, empreguei todas as contrações e coloquialismos usados nas conversas cotidianas. Nas edições impressas, reproduzi este modo de falar, usando don't e we've em vez de do not e we have.
E toda vez que, nos colóquios radiofônicos, eu sublinhara a importância de uma palavra com o tom de voz, publiquei-a em itálico. Hoje, tendo a pensar que isso foi um erro — um híbrido indesejável entre a arte da fala e a da escrita.
Um palestrante deve usar a variação da voz como instrumento de ênfase, pois esse método é próprio ao meio de comunicação empregado. Já um escritor não deve utilizar os itálicos para esse fim. Ele dispõe de meios próprios e diversos de frisar as palavras-chave, e deve usá-los.
Na presente edição, desfiz as contrações e substituí a maior parte dos itálicos, reformulando as frases em que apareciam: espero que, mesmo assim, a obra não tenha perdido o tom "popular" ou "familiar" que desde o início pretendi dar-lhe.
Também fiz cortes e acréscimos em partes da obra cujo tema julguei compreender melhor hoje do que há dez anos, ou onde sabia que a versado original não fora compreendida pelo público.
O leitor deve saber desde já que não oferecerei ajuda a ninguém que esteja hesitante entre duas denominações cristãs. Não sou eu que vou lhe dizer se você̂ deve seguir a Igreja Anglicana, a Católica Romana, a Metodista ou a Presbiteriana. Essa omissão é intencional (mesmo na lista que acabei de elaborar, a ordem é alfabética).
Não faço mistério a respeito da minha posição pessoal. Sou um simples leigo da Igreja Anglicana e não tenho preferência especial nem pela Alta Igreja, nem pela Baixa, nem por coisa alguma.
Neste livro, porém, não busco converter ninguém à minha posição. Desde que me tornei cristão, penso que o melhor serviço, talvez o único, que posso prestar a meus semelhantes incrédulos seja explicar e defender a fé comum a praticamente todos os cristãos em todos os tempos.
Tenho várias razões para pensar assim. Em primeiro lugar, as questões que dividem os cristãos entre si quase sempre envolvem pontos da alta teologia ou mesmo de história eclesiástica, que devem ser tratados apenas pelos verdadeiros conhecedores da matéria.
Vadeando nessas águas profundas, eu não poderia ajudar a ninguém; antes, teria de ser ajudado. Em segundo lugar, penso que se deve admitir que a discussão dos pontos disputados não contribui em nada para trazer para o âmbito cristão uma pessoa de fora.
Enquanto nos ocuparmos em escrever e discutir sobre estes temas, estaremos fazendo mais para impedir essa pessoa de ingressar em qualquer comunidade cristã do que para trazê-la para a comunidade à qual pertencemos.
Nossas divisões só devem ser discutidas na presença dos que já chegaram a acreditar que existe um único Deus e que Jesus Cristo é seu único Filho.
Por fim, tenho a impressão de que mais e melhores autores se engajaram no debate desses temas controversos do que na defesa daquilo que Baxter chamou "cristianismo puro e simples". A parte que me coube é a mais modesta, mas é também aquela em que penso poder dar a melhor contribuição. A decisão de segui-la foi natural.
Pelo que sei, foram esses os meus únicos motivos, e ficarei grato se as pessoas se abstiverem de fazer especulações fantasiosas sobre o meu silêncio a respeito de certos temas em que há desavença.
Este trabalho do Lewis tem certa semelhança com o que estou praticando há mais de 10 anos. Eu faço textos que publico de forma tímida em meu diário neste site do Recanto das Letras, e que tem o potencial de ser publicado como estes que agora por Lewis são recolhidos de sua publicação original nos colóquios radiofônicos. O tema central entre nós é o Cristianismo, sendo o trabalho de Lewis mais focado e mais profundo e o meu mais disperso e mais superficial nos diversos temas que abordo, mas todos procurando seguir a essência dos ensinamentos do Cristo, sem defender nenhuma forma de religião em detrimento das outras, e sempre procurando realçar o que encontro de positivo em cada uma delas.