Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
08/10/2025 00h01
CONVERSANDO COM C. S. LEWIS – COLÓQUIOS RADIOFÔNICOS (2)

Livro I



O CERTO E O ERRADO COMO CHAVES PARA A COMPREENSÃO DO SENTIDO DO UNIVERSO



Livro I - O certo e o errado como chaves para a compreensão do sentido do universo. 1. A lei da natureza humana - 2. Algumas objeções - 3. A realidade da lei - 4. O que existe por trás da lei - 5. Temos motivos para nos sentir inquietos.



Prefácio



(continuação)



Esse silêncio não significa, por exemplo, que eu esteja "em cima do muro". As vezes estou: há, entre os cristãos, certas questões pendentes cujas respostas, segundo penso, ainda não nos foram fornecidas. A respeito de outras, talvez eu nunca obtenha as respostas; se as buscasse, mesmo que num mundo melhor, ser-me-ia dito o que foi respondido a um inquiridor bastante superior a mim: "O que lhe importa? Quanto a você, siga-me!".



Há uma terceira ordem de questões, no entanto, sobre as quais tenho uma posição firme, mas mesmo assim não me pronunciarei sobre elas, pois não escrevo para expor o que eu poderia chamar "minha religião", mas para explicitar o cristianismo "puro e simples", que é o que é e sempre foi, desde muito antes de eu nascer, quer eu goste disso, quer não.



Certas pessoas tiram conclusões precipitadas do fato de eu manter silêncio a respeito da Virgem Maria, a não ser para afirmar o nascimento virginal de Jesus Cristo. Mas não é óbvio o meu motivo para proceder dessa maneira? Se falasse mais, penetraria em regiões altamente controvertidas; e não existe, entre os cristãos, uma controvérsia maior ou que deva ser tratada com maior tato. As crenças dos católicos sobre esse assunto não são defendidas apenas com o fervor normal que se espera encontrar em toda a religiosidade sincera, mas com o ardor incomum e, por assim dizer, cavalheiresco, com que um homem defende a honra de sua mãe ou de sua amada.



É muito difícil discordar do católico sem, ao mesmo tempo, não parecer a seus olhos um malcriado ou mesmo um herege. Já a crença do protestante a respeito deste assunto desperta sentimentos inerentes às raízes de todo o monoteísmo.



Para o protestante radical, a distinção entre o Criador e a criatura (por mais santa que seja) parece ameaçada: o politeísmo renasce. Logo, é difícil discordar do protestante sem parecer a seus olhos algo pior do que um herege — um pagão. Se existe um tema que tem o poder de causar danos a um livro sobre o "cristianismo puro e simples" - se existe um tema que pode tornar absolutamente improdutiva sua leitura para quem ainda não acredita que o filho da Virgem é Deus -,  certamente é este.



Os cristãos de várias igrejas sempre estão atentos para identificar pontos de discordância na forma de entender os ensinamentos do Cristo ou da própria Bíblia. Isso nos deixa enfraquecidos nas constantes batalhas da Guerra Espiritual onde Lúcifer se defronta com Deus. O exército luciferino é bastante variado em suas modernas “igrejas”, mas todas se juntas como se suas diferenças fossem meras características grupais que reforça o conjunto do exérctio. Do lado cristão, essas diferenças nas diversas igrejas servem para hostilizar e enfraquer o potencial do exército do Cristo.



C. S. Lewis está correto em apresentar o Cristianismo de forma simples, bastante seguir a Lei Áurea: “Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como se fosse a si mesmo”. Dessa forma, sem estar focando em nossas diferenças de interpretação do livro sagrado ou do comportamento de Cristo, iremos ser um compatente cristão mais eficaz.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 08/10/2025 às 00h01