Segue-me!... Este é um convite de Jesus que corre durante os séculos...
Tem o exemplo de Mateus, trabalhando em seu ofício de coletor de impostos, um trabalho tão criticado e combatido pelos seus patrícios. Mas o Mestre olhou-o e viu o seu coração acima das aparências, e fez o convite: Segue-me! E ele o seguiu.
Esta é uma lição impactante para a nossa vida que geralmente está tão envolvida nos compromissos materiais para a sobrevivência do corpo que não tem tempo nem de imaginar a importância para a nossa alma de seguir por outro caminho.
Não temos agora à nossa frente a figura do Mestre, como Mateus teve na hora do convite e da sua decisão. O que nós possuímos agora é apenas o relato dito ou escrito por alguém que já o recebeu de outro alguém, que na sua origem vem dos primeiros apóstolos que conviveram e aprenderam com o Cristo.
Hoje nós precisamos de algo mais para seguir o Mestre. Mateus viu o próprio Cristo, o Seu corpo, Sua postura, a Sua voz. Nós só ouvimos ou lemos as lições que outros já aprenderam, e por isso precisamos de um intermediário e maior nível de fé para acreditar no que está sendo ensinado.
O apóstolo Tomé dá uma demonstração da falta de fé. Quando ele ouviu dos colegas que Jesus havia ressuscitado e esteve com eles, Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
Este é o dilema colocado para nós: acreditar sem ver.
Isso não quer dizer que devemos acreditar em tudo que chega ao nosso campo racional. Pelo contrário, devemos usar o nosso poder cognitivo para discriminar o que seja real, desvirtualizado ou mentiroso. Podemos ser enganados por uma narrativa que se mostra verdadeira, mas a nossa racionalidade deve ficar sempre atenta para que seja capaz de discriminar no decorrer da aplicação prática do que a narrativa defende, algum fato que seja incoerente com nossos princípios, que seja capaz de destruir a verdade que a narrativa defende, e que seja tão importante que a narrativa não possa funcionar sem ela.
Dessa forma, a nossa fé deve ser construída sobre uma base racional, fé racionalizada, e que seja sempre submetida aos dados da realidade surgidas e avaliadas por nossa mente livre de cabrestos doutrinários, por teorias e conclusões coerentes com a verdade, que tenham utilidade prática para a nossa evolução material e principalmente espiritual, e levantadas de preferência por atividades científicas livres de quaisquer vieses individuais, ideológicos ou corporativos.