Apesar das lições de Cristo e do quanto seu Evangelho se difundiu pelo mundo, as trevas continuam alcançando cargos de poder e nos mantendo presos em suas garras.
Lembremos do profundo simbolismo naquela atitude de Paulo e Silas, nas trevas da prisão. Quando numerosos encarcerados ali permaneciam sem esperança, eis que discípulos de Jesus, embora dilacerados de açoites, começam a orar, entoando hinos de confiança.
O mundo atual não se mostra também coberto de trevas? Sombras densas que parecem prenunciar à meia-noite do império do anticristo?
Vejamos o exemplo dolorido dos nossos irmãos presos às centenas, levados para ônibus, por falsos acenos de quem pareciam confiáveis, por estarem reunidos em praça pública de forma pacífica, reclamando pelos direitos de terem os seus votos esclarecidos para a escolha do presidente da nação. Foram infiltradas pessoas perversas no meio dos reclamantes, para esses destruírem o patrimônio público e assim jogarem uma culpa sobre os inocentes. Então foi feito o arrastão levando velhos e crianças, religiosos e vendedores, curiosos e manifestantes... todos jogados em cadeia coletiva, sem o devido amparo legal, quanto menos qualquer compaixão fraterna, empática.
A nação percebe, impactada, que seus conhecimentos generosos estão eclipsados pelas narrativas enviesadas de uma mídia escravizada pelas verbas publicas das iniquidades. Noções de justiça e direito, instituições de paz e verdade, preceitos constitucionais, são relegados ao esquecimento ou distorcidos em seus princípios.
As pessoas integrantes dessa rede de sombras, direta ou indiretamente, se comportam como animais furiosos, aproveitando as falsas narrativas construídas por eles mesmos, para deixarem emergir das profundezas de suas almas humanas as bestas selvagens sem nenhum tipo de consideração pela justiça ou pela verdade. Se apresentam guardados pela cobertura da civilização, por seus altos cargos públicos, com togas ou faixas simbólicas e tentam dominar as criaturas empregando o terror, a perseguição, a violência e até assassinatos, por ação ou omissão.
Quantos jovens podemos contar nos cárceres das desilusões, das drogas, do patrulhamento do pensamento ou doutrinação ideológica. Nesse rastro de perversidades, por baixo das sombras frias, há mães que choram, velhos desalentados, crianças perdidas... Quem poderá contar as angústias da noite dolorosa?
Nós, os aprendizes do Evangelho, sofremos igualmente perseguições e calúnias e em quase toda parte somos conduzidos a testemunhos ásperos. Muitos se envolvem nas nuvens pesadas, outros se escondem fugindo dos sofrimentos; mas, os discípulos fiéis, estamos prontos para suportar os açoites e pedradas, e, apesar de trevas tão espessas que cobrem a noite de nossa civilização, continuamos orando nas igrejas e santuários do Espírito eterno, cantando cânticos de esperança e fé, alentando os nossos irmãos e companheiros.
Enquanto poucas almas sabem perceber os primeiros rubores da alvorada, por causa da sombra extensa, recordemos o exemplo de Paulo e Silas. Busquemos na prece ativa, o refúgio consolador.
Se o mundo experimenta a tempestade, procuremos o trabalho e a oração, a fé e o otimismo, porque outro dia glorioso está a nascer e, em Jesus Cristo, repousa nossa resistência espiritual.