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Meu Diário
04/11/2025 00h01
SÍNDROME DE ALICE

            A síndrome de Alice no País das Maravilhas, também conhecida como síndrome de Todd, é uma síndrome que afeta a forma como as pessoas percebem o mundo à sua volta e pode distorcer a sua experiência dentro do próprio corpo e o espaço que ele ocupa. Ela pode incluir distorções da visão e do tempo.



Imagine passar a vida observando os rostos das pessoas se transformando em dragões. Este sintoma é apenas um dos 40 tipos de distorções visuais características da síndrome.



Alguns pacientes descrevem ver diferentes partes do corpo sendo acrescentadas às pessoas à sua frente, como um braço mais curto fixado ao rosto da pessoa sentada à frente deles. Outros sintomas incluem ver pessoas ou objetos se movendo em câmera lenta ou de forma rápida e não natural, ou ainda imóveis.



O escritor Magnaldo de Castro usou o termo no seu livro “Presente no Inconsciente”, quando o protagonista diz para uma jovem que procura novo emprego:



- Você está com a famigerada síndrome de Alice. Os portadores dessa síndrome não sabem que caminho seguir. Marcham como zumbis arrastando suas existências sem propósitos. Tampouco possuem projetos preestabelecidos que iluminem seu ser. São presas fáceis do capitalismo selvagem, do materialismo casual...



A moça reclama dessa comparação com zumbi, mas o professor continua com seus argumentos.



- Você não precisa saber tecnicamente do que trata a síndrome, mas não deixe as necessidades mundanas egoístas a modelarem. O que importa é você se conhecer. O conhece-te a ti mesmo nunca foi levado a sério, deixando as pessoas vulneráveis, caminhando como gado, sendo manipuladas e iludidas.



Esse trecho do livro chamou a minha atenção. Eu não tinha visto ainda esta síndrome e achei muito parecido com as pessoas que se iludem com falsas ideologias que lutam para construir uma sociedade ideal, mas que deixam no rastro de suas ações miséria e destruição.



Essas pessoas iludidas continuam lutando contra uma ideia fantasmagórica que existe na realidade, mas que só percebe o que a ideologia aponta como errado. Temos o exemplo do capitalismo e do cristianismo. Essas pessoas não conseguem ver a construção positiva que essas duas correntes fizeram e fazem dentro dos relacionamentos humanos. Só conseguem ver os erros e que só podem ser corrigidos pela força, pelas armas, pela violência, aprisionamentos e mortes.



Os resultados negativos que as antíteses dessas duas correntes provocam na sociedade estão bem claras às nossas vistas, mas essas pessoas não conseguem perceber. O que justifica essa cegueira psíquica é a existência de um transtorno psicológico, patológico, que essas pessoas adquiriram com a absorção da ideologia nefasta e agora não conseguem livrar suas mentes dessa prisão cognitiva, com as algemas de delírios irracionais.  



É importante que consigamos ver essas pessoas como doentes, como pacientes psiquiátricos, cujo transtorno pode ser transmissível como acontece com as doenças infecciosas. Não podemos tratar essas pessoas com brutalidade, devemos ser compassivos e procurar fazer uma psicoterapia com base em uma reestruturação cognitiva, para alcançar um correto discernimento cognitivo, ajustando a coerência mental com os dados da realidade, identificando as falsas narrativas que servem de instrumento de contaminação e adoecimento.



Somente quando a pessoa alcançar capacidade de ver os dados da realidade e confrontar com suas falsas crenças, criando uma dissonância cognitiva, é que estar apta para retomar autonomia de pessoa humana com sua dignidade restabelecida, conforme o Criador planejou, de amarmos uns aos outros, os mais fortes ajudando os mais fracos, e não os escravizando para conquistar ou manter mordomias.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 04/11/2025 às 00h01