Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
08/11/2025 05h39
DINHEIRO INJUSTO

            O aceite de dinheiro injusto, doado para a Associação Cristã de Moradores e Amigos da Praia do Meio (AMA-PM) sempre foi um motivo de preocupação para nós, diretores, que queremos agir com honestidade dentro dos princípios que o Cristo nos ensinou.



            Encontro na leitura litúrgica de hoje, como a minha primeira leitura do dia, um texto escrito por São Lucas em seu evangelho (16, 9-15), que aguçou a minha curiosidade:



            “Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso (deles?)? Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e riam de Jesus. Então, lhes disse: Vós gostais de parecer justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações. Com efeito, o que é importante para os homens, é detestável para Deus.”   



            Deixei em negrito o vosso e deles, pois me pareceu uma inconsistência. Vosso significa o dinheiro de quem Jesus está falando, e deles, o dinheiro de quem irá fazer a doação, que acho mais correto. Acredito, se eu estiver certo na minha interpretação, que ocorreu um erro na tradução ou digitação.



            Portanto, posso aceitar a doação de dinheiro vindo de qualquer fonte, justa ou injusta. O que importa é verificar, o que irei fazer com essa doação? Afinal, todo recurso que chega em nossas mãos é permissão de Deus. E Ele está colocando esses recursos em nossas mãos e verifica se somos bons administradores do que, afinal de contas são recursos dEle, e não nossos. É neste ponto que surge a minha grande dúvida.



            Esse texto se refere ao trecho anterior do Evangelho que foi lido no dia anterior (Lc 16,1-8) sobre o administrador de um homem rico que foi acusado de estar desperdiçando os seus bens.



            Podemos fazer a seguinte reflexão: Só o Senhor conhece profundamente as intenções do nosso coração e pode ajuizar as nossas ações com justiça e equidade. Enquanto estamos aqui, nós precisamos do dinheiro para sobreviver. O dinheiro injusto é aquele que recebemos de pessoas injustas ou através da prática de iniquidades; o dinheiro justo é aquele que recebemos como fruto do nosso trabalho ou da misericórdia divina, recebendo daqueles que fazem a vontade de Deus, que servem como Seus intermediários. O modo como ganhamos esse dinheiro e como nós o usamos só poderá ser avaliado por Deus, que sonda os nossos corações e conhece a nossa verdade. Por isso, é necessário que façamos uma reflexão consciente dos nossos sentimentos e intenções quando praticamos as nossas ações, tendo em vista o objetivo para o qual vivemos. Dependendo do modo como usamos o dinheiro que ganhamos por nosso trabalho e permissão de Deus, ele deverá se converter em boas obras, daquilo que seja a vontade do Pai. A chave da nossa felicidade aqui na Terra está na fidelidade no pouco e no muito que Deus nos propicia ganhar, na maneira como nos relacionamos uns com os outros, na reciprocidade com que cultivamos o amor, por todos os seus filhos, cuidando daqueles que estão mais próximos pelo grau de consanguinidade, mas sem esquecer daqueles que estão mais distantes e que oram a Deus por alguma ajuda. E a quem Deus vai recorrer para atender as suas preces justas? Aos seus filhos que adquiriram maior compreensão da sua filiação divina, tendo como exemplo Jesus, que deixou a casa da sua mãe e dos seus irmãos e foi doar a sabedoria que recebeu do Pai entre perversos, ignorantes e miseráveis. Com certeza Ele teria ajudado muito mais a sua mãe e aos seus irmãos se tivesse ficado perto deles, mas com certeza hoje não estaríamos com esta atitude tão compreensiva, como filhos de Deus, obedientes ao Pai.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 08/11/2025 às 05h39