Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
23/11/2025 00h01
BENEFÍCIOS DO PERDÃO

            Todos nós, cristãos, sabemos dos benefícios do perdão. Que não traz benefícios principais ou exclusivos para aquele que nos ofendeu, machucou de qualquer forma.  



Aprendemos que o maior beneficiado pelo ato de perdão, somos nós mesmos, os seus executores. Agora, porque temos tanta dificuldade de perdoar?



            Parece que o nosso instinto animal fica a resmungar, que aquele que nos ofendeu deve receber a ofensa da mesma forma, como assim nos ensinou o grande profeta da antiguidade, Moisés: “Dente por dente, olho por olho”.



            Mas agora, com nosso aprendizado moderno, envolvendo a ética e consequências dos comportamentos mal adaptados, podemos imaginar que tal forma de comportamento ensinado pelo profeta Moisés, se aplicado como ensinado, iríamos ter uma comunidade de cegos e desdentados.



            Os ensinamentos de Jesus, de unânime dificuldade de aplicação, parecem ser melhores adaptados para uma comunidade com vida em harmonia. Ao invés da lei do Talião, “olho por olho, dente por dente”, devemos aplicar a lei do perdão, não sete vezes como foi perguntado por Pedro, mas setenta vezes sete. Isto significa que o perdão deve ser uma constante em nossas vidas.



            A sogra de Pedro, que podemos chamar de Sara, apesar de não constar na Bíblia o seu nome, estava incomodada com o vizinho que ficava chateado e ameaçava denunciá-la às autoridades judaicas, devido o barulho que as pessoas em busca de cura, que superlotavam a casa dela quando Jesus estava presente. Em represália, Sara estava dispostas a ir às mesmas autoridades denunciar tal vizinho que, nas noites em que se embriagava batia na esposa e seus gritos perturbavam toda a vizinhança.



            Mas ela ouviu a reposta de Jesus a Pedro quando este perguntou quantas vezes seriam necessárias para aplicar o perdão. Jesus respondeu que o perdão deveria ser uma constante na vida das pessoas. Essa resposta refreou o ímpeto vingativo de Sara, mas mesmo assim ela ficou incomodada com a situação. Na primeira oportunidade ela se aproximou de Jesus e falou de sua dificuldade de perdoar, se assim era mesmo necessário.



            Jesus ao ouvir a indagação da mulher, aparentemente desviou a conversa, dizendo sentir o aroma delicioso de sua sopa de lentilhas. Perguntou a Sara como ela fazia uma sopa tão saborosa e nutritiva. Sara explicou que escolhia as melhores lentilhas, usava água pura e temperos adequados. O Mestre perguntou sobre a panela que iria aprontar a sopa, se era necessário fazer antes a sua limpeza. Sara disse que sim, pois se tivesse alguma sujeira iria tornar a sopa intragável, impura, e deveria ser jogada fora.



            Jesus aproveitou essa resposta para dizer que assim funciona o nosso coração com relação à nossa vida. Ele é o caldeirão no qual devemos colocar as coisas puras, como os Seus ensinamentos, por exemplo. Mas para isso o caldeirão, nosso coração, deveria estar limpo. Mas se ele estivesse sujo de ira, ressentimentos, mágoas e desejo de vingança, o que poderia acontecer? Poderia sair um comportamento bom, como uma boa sopa?



            Lembrou o exemplo de uma límpida gota de orvalho que ao cair sobre uma pétala de rosa, reflete o brilho do sol com todo seu esplendor; no entanto, se essa mesma gota límpida de orvalho cair no chão impuro, irá se transformar em lamaçal, incapaz de refletir qualquer sinal de nobreza ou divindade.



            Não foi preciso maiores explicações, cabia a cada um daqueles ouvintes, naquela ocasião, saber da necessidade de limpar o seu caldeirão, seu coração das impurezas, e isso só poderia ser feito com o detergente do perdão, seu principal benefício, capacitando o coração humano para a reflexão do amor do Criador.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 23/11/2025 às 00h01