No campo da espiritualidade existe um acordo que pode ser feito entre a pessoa humana e a entidade divina, e que chamamos de promessa. Queremos algo muitas vezes impossível que somente a entidade divina pode realizar, então é feita a promessa com esse objetivo: se tal fato acontecer se compromete a pagar alguma promessa colocada como dívida.
Aconteceu esse tipo de acordo comigo, no meu nascimento. Eu sou o primogênito, o primeiro filho do meu pai e minha mãe. Na hora do parto houve dificuldade da minha passagem pelo canal vaginal. A minha mãe que morava no interior, sem a devida assistência médica, era assistida por uma parteira que fazia todo o esforço, com sua habilidade prática de me puxar pela cabeça. Até hoje tenho as marcas na formação do meu crânio, dessas heroicas tentativas.
Mas nada do que se tentava ocorria êxito. Todos já cansados, minha mãe desfalecendo, e felizmente não lembro do quanto sofri como alvo desse esforço que passava a ser coletivo, tido a mãe no centro junto com a parteira e os demais parentes como plateia angustiada.
Todos já temiam pela morte da minha mãe e a minha também. Não se tinha a quem recorrer, as lágrimas já corriam em diversos rostos. Foi quando alguém lembrou que se podia recorrer à divindade. Como era o mês de outubro, foi escolhido o santo mais festejado, São Francisco, para se fazer esse acordo, essa promessa. Se ele conseguisse salvar a minha vida, então eu receberia o seu nome na pia batismal.
Assim aconteceu, consegui sair com vida daquele perrengue e minha família pagou a dívida, recebi o nome de Francisco das Chagas.
Agora, a mãe espiritual de minha companheira está também numa situação precária. Sua doença, leucemia, avança detonando os principais órgãos, pulmão, rins, fígado... está entubada dentro de uma UTI e os médicos, os mais otimistas, que ela tem apenas 15% de possibilidade de sair dessa situação com vida. Os parentes, muito espiritualizados, já estão em constantes orações.
Foi nesse contexto que fiquei a imaginar... por que não se faz um acordo com alguma divindade, ou com o próximo Deus, para que ela supere a doença e possa voltar para casa?
Com a minha formação acadêmica parece que uma promessa, um acordo com a divindade, algo fora de propósito ao bom senso. Naquela UTI o que realmente importa é a aparelhagem ao seu dispor garantindo o funcionamento dos órgãos. Mas, além da minha formação acadêmica está a coerência do meu pensamento com a existência real do mundo espiritual e dos seres divinos, principalmente o Pai, o Todo-Poderoso.
Então eu posso fazer esse acordo com o Pai, pois já aprendi a ser bem próximo dEle, converso com Ele profundamente em todo o início do mês. Acredito que posso fazer por aqui esse acordo com o Pai.
Quais seriam os termos do meu acordo com o Pai? A recuperação da mãe da minha companheira, mesmo que seja por pouco tempo, 3 anos, por exemplo. Caso ela saia daquela UTI sem sequelas que impeçam a sua autonomia e capacidade de pensar, eu me comprometo a ensinar os princípios espirituais durante essa sobrevida que ela vai alcançar. Colocarei todos os meus recursos, acadêmicos e espirituais para que ela tenha um melhor burilamento de sua alma.
Acredito que fiz, desta forma, o meu acordo com o Pai, e registrado de forma transparente, espero com alegria o momento de fazer a minha parte, pagar a promessa e aqui neste espaço, ter os meus leitores como testemunho.