A Solicitude é a boa vontade, o desejo de atender da melhor maneira possível a alguma solicitação, o empenho, interesse, atenção.
Em uma das reuniões que Jesus sempre fazia, à noite, com os discípulos, André, instado por Pedro, seu irmão, fez uma pergunta, lembrando de uma história que havia conhecido antes por uma pessoa que considerava louca.
- Mestre, poderia nos dizer o que vem a ser a diligência nossa para com os outros e como entender a dos outros para conosco?
- André! A Solicitude não é exigida em todos os momentos de nossa vida, pois estamos permanentemente em comunicação uns com os outros. Quando nos falam, agrada a nossos corações que possamos ouvi-los com paciência. E, já que estamos ouvindo, a sabedoria divina nas nossas consciências nos adverte para não perdermos tempo, procurando aprender o que estiver ao nosso alcance, com o que ouvimos. Nada se perde na vida, tudo tem uma função em nós e por nós. Toda pessoa atenciosa ganha muito em virtude dessa educação que já conquistou no labor diário e nunca lhe faltarão as bênçãos de Deus para que essa atenção se multiplique e se converta em amor, em solidariedade e em alegria.
No entanto, meu filho, é justo que compreendamos o modo de nos empenharmos com as conversas alheias. Quando elas saem da linha da harmonia, da caridade e do bem-estar, é mais do que justo também que nos esfriemos no interesse de ouvir, para que o falante desconfie que não o estamos apoiando no esquecimento do bem, que é toda a nossa meta de vida. Nós temos que nos preocupar com a disseminação das virtudes em todas as direções da vida que levamos e, se for possível, em todos os reinos das consciências dos outros que solicitam a nossa ajuda. Não uma preocupação que nos leve a impaciência, mas aquele dever de servir que todos temos pelo impulso do amor, quando uma criatura nos mostra programas de sua vida, cujas ideias estão fundamentadas na nobreza de caráter, na dignidade, na educação, na disciplina, procurando fazer e entender o bem por todos os meios possíveis. Não existe outro dever maior para nós que a Solicitude para com essas almas, pois encontrando em nós esse apoio, elas se fortalecerão mais e mais na vida de luz que pretendem levar. Esse tipo de gente merece e deve ter toda a nossa atenção.
Dentro da sala, o silêncio parecia falar mais alto que as palavras. O estímulo do bem, despertado pelo Cristo em seus discípulos, era uma força invisível, mas que se fazia sentir pela alegria permanente nas feições dos seus companheiros. O Mestre voltou à conversa:
- Interessa-nos intensamente, André, que possas procurar a Solicitude viva. É o afinco que podes ter de apoiar todos os gestos humanos que não perdem os roteiros do Evangelho, aqueles que trago da parte do meu e do teu Pai que está nos céus. Esse cuidado vivo de que falamos é, por assim dizer, a vivência do bem que podes ouvir dos outros, é a vivência d caridade que já observaste nos teus irmãos, é a vivência da fé de que tens notícia nos caminhos dos profetas. Não obstante, o desvelo maior e de maior esplendor que podes ter, é a Solicitude contigo mesmo, de viver cada dia, cada passo da tua existência, dentro das normas divinas que pregas aos teus irmãos. A exemplificação, meu filho, é a maior força que nos deixa falar com dignidade e gratidão a Deus, pelo que ele nos tem dado até agora. Ouvir com paciência é arte do aluno que está sendo bem sucedido na escola, e saber ouvir é a transição do aprendizado para o mestrado.