Chega agora à minha consciência o ato falho que pratiquei no jantar natalino que todo ano reproduzimos em família. Como sempre a minha irmã é quem comanda todos os trabalhos da cozinha para sair em perfeição tanto os principais pratos como as sobremesas. Eu fico com as ideias de como ser realizado o jantar, mantendo o foco nas lições evangélicas.
Neste ano, muitas coisas aconteceram e que interferiram no andamento desse jantar fraterno. Pessoas apresentaram dificuldades físicas, emocionais, profissionais, sociais, que impediram o comparecimento ou que dificultava o completo envolvimento, como nos jantares anteriores.
Convidei pessoas fora do âmbito familiar consanguíneo, pessoas que considero fazer parte da família universal, e algumas que puderam, compareceram. Não foi providenciado a sempre brincadeira do amigo secreto, mas eu tinha levado um livreto com mensagens rápidas que poderiam ser trocadas uns com os outros sugerindo um “amigo secreto”.
Durante o jantar percebi incoerência com a percepção do que está acontecendo a nível de Brasil, mas eu não poderia puxar uma discussão que quebrasse a harmonia que sempre prestigiamos. Também percebi certa intolerância com o comportamento de lazer de Navegante, ficando impedida de jogar baralho, o que ela coloca como principal fonte lazer, ela que tanto trabalhou para o sucesso do jantar. Também não quis colocar isso em discussão, com o mesmo sentido, de não trazer desarmonia entre os envolvidos.
A consequência de tudo isso foi que, logo que terminou o jantar e a sobremesa, percebi que ficou um vazio entre os presentes, com conversas individuais desfocadas do sentido de nos termos reunido nesta noite que significava a homenagem a nosso Mestre maior. Também me senti desconfortável e pedi licença e voltei para casa, com a promessa de voltar no dia seguinte para almoçar com todos, o resto de muita alimentação que sobrou.
Aqui me faltou a inteligência rápida. O meu forte é fazer uma leitura evangélica e desenvolver as devidas considerações. Eu deveria ter pego um livro que sempre ando com ele e ter sugerido uma roda para fazer a leitura e a devida reflexão de forma coletiva.
Acredito que assim encerraríamos a noite de maneira mais acolhedora, compensando tanto a ausência do amigo secreto quanto o desconforto causado pelo vazio após o jantar.