Dentro da minha formação médica, a promessa que fazemos a Deus ou aos santos não tem nenhum valor prático, tudo se restringe ao psiquismo da pessoa que faz a promessa e que não repercute fora dela.
Os anos de academia que eu gastei nos estudos da graduação e pós-graduação, formataram o meu pensamento dentro da dimensão material da vida, cheguei até a militar em partidos de esquerda direcionados por pensamentos revolucionários cujos ideólogos consideram a espiritualidade como uma droga usada pelo povo.
Acontece que tudo isso não conseguiu que eu apagasse da memória um fato que aconteceu na minha vinda à luz, no parto que a minha fez pela primeira vez para me colocar dentro deste mundo material. Devido as dificuldades ginecológicas da cidade interiorana onde ela residia, o parto feito em casa assistido por uma parteira, a dificuldade da minha cabeça não conseguir passar pelo canal do parto estava ameaçando a minha vida e a vida da minha mãe.
Não havia a quem recorrer, não havia maternidade, não havia obstetra, a parteira usou todos os seus recursos, puxando com sua mão a minha cabeça, que até hoje tenho o desvio da minha cabeça em relação à coluna e as marcas dos seus dedos nos ossos do crânio. Era apenas esperar o inevitável, a morte da mãe e do filho sobre uma cama cheio de estertores das dores...
Mas quando tudo no mundo material falha para acudir as necessidades de quem sofre, o mundo espiritual pode oferecer o socorro, principalmente quando é instigado por promessas, por um compromisso a ser cumprido se tal pedido for realizado.
A promessa foi feita ao santo mais conhecido do mês de outubro, São Francisco, da cidade de Assis na Itália. Foi a quem meus familiares recorreram, e se ele me salvasse, na sua intercessão ao próprio Jesus com quem ele tanto se identificava aqui na Terra, então eu seria batizado com o seu nome: Francisco.
Consegui nascer, promessa cumprida, como posso esquecer ou desprezar uma memória deste tipo, se toda vez que assino meu nome lembro dessa história? Nem todo conhecimento moderno, científico ou tecnológico pode passar uma borracha nessa história que me foi contada e tem como testemunha o meu registro de nascimento.