Fiquei motivado a escrever este texto por ver pessoas, amigos, parentes e pacientes, que ficam interessados na minha forma de manter o meu peso corporal dentro de limites confortáveis, sem uso de substâncias químicas que são usadas com esse objetivo.
Quero esclarecer que, não sigo nenhuma rotina ou disciplina das muitas que existem ao nosso dispor, com dietas, jejuns e medicamentos. Procuro ler e refletir sobre todas as que existem e que chegam ao meu alcance. Daí eu vou pinçando aquelas que fazem mais sentido para mim e procuro colocá-las em prática dento de minhas possibilidades.
Elegi três eixos de atuação: espiritual, dieta, exercícios físicos, que irei abordar cada uma delas a partir deste texto.
O eixo espiritual é o principal e quem vai dar a motivação para os outros dois funcionarem. Procuro compreender que a fome, o desejo da procura por alimento que faz o aumento do peso, está dentro dos nossos instintos e que é representado pelo monstro bíblico, o Beemote, cuja cabeça da Gula é a que nos leva a consumir alimentos além da necessidade orgânica.
É aqui que o nosso espírito deve se posicionar para fazer o confronto com a fera energética do Beemote, se alimentar o suficiente para manter o bem-estar do corpo, e se ele já esta em sobrepeso ou obeso, então o confronto é para se alimentar abaixo do necessário.
Lembrar que as sete cabeças do Beemote correspondem aos sete pecados capitais, orientado pela igreja católica. Esse monstro energético existe dentro de nós, criado pelo próprio Deus para garantir a motivação do nosso comportamento na sustentação da vida, tanto com relação a preservação do corpo físico quanto a preservação da espécie.
A preservação do corpo físico é uma responsabilidade direta da cabeça da Gula. As demais cabeças, Ira, Soberba (Orgulho), Avareza, Inveja, Preguiça e Luxúria, tem uma responsabilidade indireta sobre a manutenção do corpo.
A cabeça que aparentemente não tem responsabilidade com a manutenção do corpo é a Luxúria. Ela motiva o comportamento da pessoa com outra do sexo oposto com o objetivo sexual e a consequência da geração de filhos. Esta é a estratégia a longo prazo, para garantir a existência do nosso corpo pelo processo da herança genética. É uma estratégia que necessita da participação da pessoa do sexo oposto, portanto não é uma herança 100% do indivíduo, e sim 50% de cada um dos parceiros na relação sexual.
Esta é a dinâmica que Deus organizou no processo evolutivo de nossa criação, passando dos seres inorgânicos para os orgânicos, dos seres uni para os pluricelulares, dos seres irracionais para os racionais, dos seres animalescos para os seres angelicais.
A ciência nos ajuda, com a participação da tecnologia, a nos aproximar dessa Verdade, pelos estudos de grandes cientistas e pensadores como Darwin, Freud, Newton, Einstein, etc.
Por outro lado, a religião, com a participação de grandes avatares da humanidade, como Buda, Krishna, Sócrates, Confúcio e principalmente Jesus, mostram a existência de valores espirituais, além do progresso material, e mostram o Caminho alicerçado na Verdade que leva a Vida na dimensão espiritual na aproximação gradual com o Criador.
Toda esta dinâmica da vida corporal está sob a gerência direta do Espírito, pois é neste que está localizada a centelha divina, recebida no ato da criação. É aqui que a dinâmica corporal amadurecida pelo processo evolutivo, entra em confronto com a dinâmica espiritual, cada uma com sua missão.
A missão do corpo é seguir pelo progresso animal, obedecendo com firmeza às motivações instintivas da carne, identificada por Freud como a força do Ego, localizada entre o Id (instintos) e o Superego (leis sociais). Quanto mais a pessoa segue neste progresso animal, mais ela é considerada egoísta, pois tudo faz para conseguir os benefícios exclusivos para si e sua parentela, mesmo que prejudique os direitos das outras pessoas.
Portanto, para termos sucesso no controle do peso corporal é fundamental que tenhamos a compreensão dessas duas motivações e suas origens, física e espiritual. Compreendermos que para controlar o corpo não basta controlar a cabeça da Gula, e sim domesticar todo o Beemote, mesmo que não consigamos fazer isso, nem em sua completude nem de forma imediata.
É importante que tenhamos essa compreensão toda vez que nos motivamos a ir a um restaurante, encher o prato no self-service, e ficar com ele à nossa frente no ato de nos alimentar. Lembrar que todas as nossas ações que praticamos até chegar a este momento que o prato estar à nossa frente, foi tudo motivação do Beemote, através da sua cabeça da Gula. Mas, a decisão de pegar o talher e começar a alimentação propriamente dita, é gerenciada pelo Espírito. Podemos ingerir apenas uma parte do prato que foi montado, ou, de forma mais radical, deixar de lado todo o prato montado e tomar simplesmente um copo d’água.
Este é o primeiro passo para quem deseja assumir o controle do peso corporal. Tratar a motivação corporal da busca por alimento, como desejo instintivo do nosso monstro Beemote, que não podemos destruí-lo, mas podemos domesticá-lo.
Iniciar fazendo pequenos testes de domesticação da nossa fera interna, como o treinador de feras em um circo, que consegue domesticar o seu animal e se apresentar com ele na frente do picadeiro.