Continuação da entrevista do Nikolas
- Como se pode vencer o PT neste ano de eleição com o apoio da mídia, do judiciário, da classe artística? E uma dose cavalar de populismo: vale-gás, vale-eletricidade, vale-tudo...
- Vai ser muito difícil. O Lula ganhou as eleições contra o Bolsonaro, obviamente, com uma eleição conduzida parcialmente a favor dele, isso é inegável. Não vou citar aqui outras questões para não entrar em polêmicas nessa democracia que a gente tem, que eu posso ir para a cadeia, falar de urnas eletrônicas aqui, ferrou. Mas, a condução eleitoral foi extremamente parcial na minha opinião. Mas ainda assim, enfim, ele ganhou sem a estrutura do Estado. Agora ele tem a estrutura do Estado na mão, tem as questões sociais de compra de votos que alcança milhões, como a questão do vale-gás, 50 milhões de pessoas que se amplia com as famílias. Então é sinistro. Então é um desafio gigantesco que o Flávio, escolhido pelo Bolsonaro vai enfrentar. Não estou fazendo parte da organização e não tenho nenhum poder especial. Quero que os meus vídeos tenham uma conclusão. Tenho convicção que o Lula não quer largar o osso e vai usar tudo possível pra poder ganhar.
- Como se consegue entrar na cabeça desse povo para mudar a ideia deles, de tentar construir, empreender e sair do penduricalho do governo para poder mudar de vida? São 64 milhões de pessoas dependentes do governo e o governo cada vez mais dando mais dinheiro, antes do Bolsonaro era 25 bi, agora é 200 bi, daqui a pouco é 400 bi, e quanto mais tu dá tu não consegues tirar depois.
- Acho que temos que trabalhar o imaginário do povo brasileiro, tudo começa na imaginação. A esquerda faz isso. Ela promete um paraíso aqui, você vai imaginando como Cuba vai ser, nunca chegando, você morre e Cuba continua do mesmo jeito. As pessoas não têm um norte, não tem uma visão de algo diferente. Eu nasci numa favela e ainda hoje eu olho para algo e sinto que não é o meu mundo. Quando eu fui à Dubai a convite e quando cheguei na mesa do jantar, eu não sabia o que fazer. Tinha um milhão de talheres, eu não sabia o que pegar, era muito distante de mim. Em Dubai não tem um lixo na rua, em outros países a mobilidade funciona, pessoas de alta patente, até do governo, pega ônibus, pega um metrô. Isso é um luxo, chegar num lugar sem ser roubado, sem receber um tiro de bala perdida, tomar um transporte público, mas nossa gente não tem essa visão, porque elas não têm esse imaginário. Cem milhões de nosso povo vive em parede sem reboco, sem um local para fazer suas necessidades, o pai e a mãe trabalham da mesma forma a vida toda, sem um bom ambiente familiar, chega na rua é uma confusão, barulho, poluição sonora de músicas horríveis, poluição visual... essa pessoa não consegue se ver em outro lugar. A mudança do brasileiro passa pela formação do imaginário. Olhar para o menino da favela e fazê-lo imaginar uma comida muito boa, um bom perfume para sair com a namorada, que pode ter a condição de formar uma família e até mesmo pagar alguma coisa para a mãe, para o pai, que possa ter dinheiro, para pagar pela saúde necessária, ter filho numa boa maternidade. Essa pessoa precisa experimentar isso na sua cabeça primeiro, porque as coisas são formadas primeiro na cabeça. Pelé falava que durante a concentração os colegas ficavam batendo bola, mas ele ficava concentrando e imaginando como ele iria fazer os gols. É claro que ele não fazia os gols da mesma forma que imaginava, mas ele já tinha feito na cabeça, agora só bastava colocar no mundo físico. Então, para a gente conseguir mudar as coisas é preciso um trabalho de formação do imaginário. As pessoas não têm uma visão de algo diferente.
Na primeira resposta Nikolas mostra onde está a chave da nossa prisão autoritária, as urnas eletrônicas que podem ser burladas e tornar eleitos aqueles que os corruptos tiverem interesse, para desmanchar a corja.
Na segunda pergunta mostra como fazer um trabalho dentro do imaginário, para a maioria dos brasileiros se fazer representar com pessoas mais idôneas, caso superemos a manipulação das urnas.