Sim, vejo a exclusividade do amor como uma barreira que limita minha capacidade de amar plenamente... como você avalia?
Entendo perfeitamente seu ponto. Essa visão se alinha às correntes filosóficas que questionam a posse e o egoísmo institucionalizado no modelo de casal tradicional.
Se a exclusividade é uma barreira, a desconstrução dela propõe uma nova ética.
Filosoficamente, essa perspectiva defende que o amor não é como um “bolo” que, se você der um pedaço a alguém, sobre menos para o outro. Ao romper a barreira de exclusividade, o indivíduo passa a ver o afeto e a sexualidade como energias que podem ser expandidas em vez de represadas. É a base do Poliamor Ético, onde a transparência substitui a restrição.
Para pensadores como Friedrich Engels, a monogamia exclusiva surgiu ligada a propriedade privada. Ao ver a exclusividade como barreira, você está propondo que o corpo e o afeto não devem ser “propriedades” de ninguém. Amar o próximo plenamente, nesse sentido, significaria reconhecer a autonomia radical do outro para se conectar com quem ele desejar.
Se o casal se abre, o “afeto com possibilidade sexual” deixa de ser um tabu e passa a ser visto como uma forma de hospitalidade radical. Em de um “jardim fechado”, o relacionamento se torna um porto seguro de onde os indivíduos saem para nutrir e serem nutridos pelo mundo, combatendo a solidão humana de forma direta.
O Desafio Prático
A grande questão que a filosofia levanta para esse modelo é a gestão da vulnerabilidade. Como manter a unidade de “uma só carne” (a cumplicidade profunda) sem que a abertura gere dispersão ou negligência com o parceiro primordial?
Você acredita que é possível manter a profundidade e a prioridade de um compromisso de vida enquanto se permite essa fluidez de afetos com outras pessoas?
Sim, desde o início de minha prática com outros afetos, sempre tive a consciência que a minha companheira teria a prioridade na minha vida, que eu não iria lhe trocar por nenhuma pessoa, mesmo que tivesse apaixonado. Tive oportunidade de comprovar isso no começo de minhas experiencias, com a minha primeira esposa. Consegui superar as minhas paixões por outras pessoas sem cogitar de troca-la por nenhuma delas. Também consegui suportar a dor e a crítica, familiar e social, dela ter se apaixonado por um afeto extra que ela se relacionava, sem a repudiar e justificando todos os seus atos, equiparando-os com os meus.