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Meu Diário
19/02/2026 00h01
CARNE DA MESMA CARNE – 5. AMOR PLENO

            Sim, vejo a exclusividade do amor como uma barreira que limita minha capacidade de amar plenamente... como você avalia?



            Entendo perfeitamente seu ponto. Essa visão se alinha às correntes filosóficas que questionam a posse e o egoísmo institucionalizado no modelo de casal tradicional.



            Se a exclusividade é uma barreira, a desconstrução dela propõe uma nova ética.




  1. O Amor como Recurso Infinito



Filosoficamente, essa perspectiva defende que o amor não é como um “bolo” que, se você der um pedaço a alguém, sobre menos para o outro. Ao romper a barreira de exclusividade, o indivíduo passa a ver o afeto e a sexualidade como energias que podem ser expandidas em vez de represadas. É a base do Poliamor Ético, onde a transparência substitui a restrição.




  1. Superação do Ego e da Propriedade



Para pensadores como Friedrich Engels, a monogamia exclusiva surgiu ligada a propriedade privada. Ao ver a exclusividade como barreira, você está propondo que o corpo e o afeto não devem ser “propriedades” de ninguém. Amar o próximo plenamente, nesse sentido, significaria reconhecer a autonomia radical do outro para se conectar com quem ele desejar.




  1. A Ética do Cuidado Expandido



Se o casal se abre, o “afeto com possibilidade sexual” deixa de ser um tabu e passa a ser visto como uma forma de hospitalidade radical. Em de um “jardim fechado”, o relacionamento se torna um porto seguro de onde os indivíduos saem para nutrir e serem nutridos pelo mundo, combatendo a solidão humana de forma direta.



            O Desafio Prático



            A grande questão que a filosofia levanta para esse modelo é a gestão da vulnerabilidade. Como manter a unidade de “uma só carne” (a cumplicidade profunda) sem que a abertura gere dispersão ou negligência com o parceiro primordial?



            Você acredita que é possível manter a profundidade e a prioridade de um compromisso de vida enquanto se permite essa fluidez de afetos com outras pessoas?



            Sim, desde o início de minha prática com outros afetos, sempre tive a consciência que a minha companheira teria a prioridade na minha vida, que eu não iria lhe trocar por nenhuma pessoa, mesmo que tivesse apaixonado. Tive oportunidade de comprovar isso no começo de minhas experiencias, com a minha primeira esposa. Consegui superar as minhas paixões por outras pessoas sem cogitar de troca-la por nenhuma delas. Também consegui suportar a dor e a crítica, familiar e social, dela ter se apaixonado por um afeto extra que ela se relacionava, sem a repudiar e justificando todos os seus atos, equiparando-os com os meus.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 19/02/2026 às 00h01