Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
11/04/2026 00h01
FRANKENSTEIN 02 PERFIL PSICOLÓGICO

            Este foi o perfil psicológico, traçado por Mary Shelley sobre o protagonista do seu romance, me trazendo forte identificação.



            Tenho uma carência que nunca consegui suprir. Não tenho amigo, quando estou cheio de entusiasmo ninguém compartilha minha alegria. Quando me decepciono ninguém tenta me consolar. Escreverei os pensamentos, mas isso não é suficiente, eu queria companhia de alguém capaz de simpatizar comigo, cujo olhar respondesse ao meu. Talvez você ache romântico, mas sinto profundamente a falta de um amigo. Não há ninguém próximo a mim, gentil e corajoso. Alguém de mente aberta, que pudesse aprovar ou corrigir meus planos, como tal amigo poderia consertar as falhas do seu pobre irmão, sua aceleração na execução, impaciente em relação às dificuldades. Ainda assim, um mal maior é eu ser autodidata. Dos 14 anos até agora vivi solto, só lendo os livros de viagem do tio Thomas. Só aos 14 anos comecei a ler poetas consagrados, mas já não podia experimentar os principais benefícios de tal educação. Só então percebi quão importante seria dominar outras línguas, além da língua materna. Agora tenho 28 anos e de fato sou mais ignorante, porque muitos garotos de 15 anos pensam mais e sonham mais alto. Mas falta organização a meus pensamentos. Preciso de um amigo capaz de não me desprezar por ser romântico e que me ajude a organizar minha mente.



            Também tive essa carência, mas por outros motivos. Minha mão não tinha condições de manter a minha alimentação e educação e deixou-me com minha avó, desde a idade dos 5 anos. Ela gerenciava sozinha uma Boite e eu passei a ser o seu auxiliar para tudo que fosse serviço, doméstico inclusive. Ela manteve os meus estudos em escola católica, administrada por Padre Penha que tinha interesse em organizar os alunos em volta do escotismo. Fui escoteiro e era um dos momentos que que saia da minha solidão ou dos trabalhos domésticos. Gostava de ler, principalmente histórias românticas, revistas em quadrinhos. A minha mente solitária, envolvida nas histórias em quadrinhos, me levavam à fantasia, da luta do bem contra o mal e do relacionamento romântico que deveria acontecer com uma alma gêmea e que perdurasse para sempre. Porém, não desenvolvi a habilidade de me relacionar com o sexo feminino. As meninas que despertavam meu interesse eu procurava me afastar, para que elas não percebessem os meus sentimentos por elas. Cheguei aos 18 anos com essa dificuldade de socializar, de namorar, de conhecer até mesmo a forma biológica do ato sexual.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 11/04/2026 às 00h01