Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
14/04/2026 00h01
LIÇÃO DOS BICHOS

            No Domingo da Páscoa, estava eu deitado na rede e fazendo minhas reflexões, após acordar do silêncio do Sábado que se seguiu à dolorosa Sexta-feira da Paixão.



            Pensava nos meus relacionamentos femininos, nas dificuldades que eu estava enfrentando, querendo construir a arvore do Amor Inclusivo, apoiado no tronco forte composto por mim e minha companheira. Percebo a dificuldade e sofrimento que ela apresenta ao sentir a minha disposição de construir essa árvore com as mulheres que Deus coloca em meu caminho, por mais díspares que elas sejam. Vejo que a maior dificuldade atual está relacionada com a pessoa que era irmã da minha companheira, quando ambas viviam no Convento de Nossa Senhora do Bom Conselho.



            Talvez esteja nesse imbróglio uma grande determinação do Pai, pois foi Ele que tirou essas duas pessoas que eram “esposas” do Seu Filho, para virem se relacionar comigo, e principalmente na base do tronco da árvore do Amor Inclusivo, que Ele me deu como missão a sua construção.



            Sei que isso que estou fazendo, com o significado da Família Universal, vou me afastando cada vez mais da dinâmica do mundo material, da evolução secular, animal, para me aproximar cada vez mais do Reino de Deus, na dimensão espiritual. Posso dizer que, obedecendo ao que o Pai determinou para mim, não pertenço, cada vez mais, a este mundo material.



            Acredito que posso fazer tudo isso sozinho, mas o Pai já deixou escrito que o homem deve se unir à mulher e serem carne da mesma carne. Desta forma, o tronco da árvore do Amor Inclusivo que pretendo construir será mais forte e significativo. Acontece que a mulher que aceita conviver comigo e se tornar carne da minha carne, tem os seus próprios propósitos e considera que os meus não são convenientes para ela, que deseja a relação afetiva fiel apenas aos seus sentimentos, um amor exclusivo.



            Este é o ponto que gera conflito com a pessoa que imagina ser a carne da minha carne. Não deveria seguir a missão do companheiro conforme está na Bíblia? Sendo amada e respeitada dentro desse projeto de vida? Por que nenhuma das mulheres que se uniram comigo conseguem alcançar essa sintonia fina comigo e com Deus? Por que partem para o conflito, na tentativa de impedir os meus afetos e apoios espirituais e materiais, quando estou usando os recursos que o Pai me concede?



            Esta era a natureza da minha reflexão neste dia de Domingo, tão significativo. Estava na claridade do Domingo, mas parece que eu permanecia na escuridão do Sábado. Foi quando o Pai enviou para mim a Lição dos Bichos, que eu consegui interpretar.



            Eu e minha companheira criamos dois cães de pequeno porte, uma Fox paulistinha e outro, um Yorkshire. Este último é o mais carinhoso, o que fica mais tempo colado conosco. A outra é mais independente, fica mais afastada e é a primeira que corre ao portão para ladrar com quem passa.   



            Estando deitado na rede nessas reflexões, e quando desci o pé, e sem querer, toquei no Yorkshire que estava deitado debaixo da rede. Logo ele se levantou nas duas patas e deixou sua cabeça ao alcance das minhas carícias. A Fox paulistinha se aproximou para receber carinho.  Nesse momento o Yorkshire se zangou a rosnou ameaçador para Fox paulistinha, apesar do seu tamanho ser menor. Repreendi o Yorkshire e logo veio o insight, de Deus estar me dando uma lição através dos bichos.



            Todos nós fomos criados pela sabedoria de Deus, através dos milênios, pelo processo natural da evolução. Portando, em nossa evolução, possuímos um cérebro primitivo, reptiliano, instintivo, o primeiro a surgir; depois vem o cérebro límbico emocional, característico dos animais mamíferos, e finalmente o cérebro racional, característico da humanidade. Assim, a racionalidade que compreende a existência do Pai e da obrigação que temos enquanto filhos de fazer a Sua vontade, está ancorada nos cérebros primitivos, principalmente o emocional. Fazer a vontade do Pai é se colocar no lugar do outro, como se fosse nós mesmos. Isso vai de encontro às emoções do cérebro animal, límbico, egoísta, que quer tudo para si, que o cérebro racional deve controlar. Os bichos não têm essa condição de controle, pois o seu cérebro racional não está tão desenvolvido como o nosso. Mas a pessoa humana já tem essa capacidade, e por isso eu decidi fazer a vontade do Pai, acima dos meus interesses de natureza animal; assim muitas mulheres também aceitam seguir nesse caminho, avaliando teoricamente com o seu cérebro racional, mas quando chegam na prática, no momento de decisão, o conflito pode se instalar com a prevalência do cérebro animal.



            Foi esta a conclusão que cheguei com esta lição que o Pai me deu através dos bichos que criamos com carinho. Devo entender a fragilidade das mulheres que estão participando desse projeto de Deus através do meu comportamento. Devem cada uma delas, ter a força e coerência para fazer a vontade do Pai, acima da vontade delas, para assim se habilitarem a serem artífices junto comigo, desta Família Universal, deste alicerce para o Reino de Deus.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 14/04/2026 às 00h01