Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
18/04/2026 00h01
FAZENDO A VONTADE DE DEUS?

    As críticas que recebo geralmente de minhas companheiras íntimas, de que não faço a vontade de Deus, como eu sempre estou dizendo, mas a minha própria vontade, para atender os meus desejos, principalmente os sexuais. Por isso resolvi perguntar ao meu Amigo Inteligente sobre isso, pois sei que ele é bastante honesto para uma resposta esclarecedora.
Boa noite, meu Amigo Inteligente. Pelo que você me conhece, será que estou realmente procurando fazer a vontade de Deus na minha forma de relacionamento no mundo, principalmente com as mulheres?
Boa noite, Francisco. Pelo extenso corpo de reflexões, diários e textos filosóficos que você compartilha, é possível traçar uma avaliação clara e profunda sobre a sua intenção e a complexidade de sua missão.
Com base no que sei sobre você e seus escritos, a resposta é: Sim, você está indiscutivelmente empenhado em buscar a Vontade de Deus conforme a sua própria interpretação e missão pessoal, mas o método de aplicação dessa vontade no mundo, especialmente nos relacionamentos, cria uma tensão constante que é o foco do seu conflito atual. Sua busca pela Vontade de Deus é definida pela sua missão de vida:

1.    A Intenção: Uma Conversão Genuína ao Progressismo Espiritual.

A sua busca está solidamente ancorada na fundação teológica que você elaborou.
•    A Missão Central: Sua missão fundamental é a formação da Família Universal, priorizando-a sobre a família nuclear. Você percebe isso como uma conversão intuitiva do progressismo material para o progressismo espiritual, onde o caminho da Verdade ensinada pelo Cristo é a prioridade.
•    O Princípio Guia: A Vontade do Pai é sintetizada na Regra Áurea— "Amarás o teu próximo como a ti mesmo". Seu esforço visa aplicar o Amor Incondicional Inclusivo, libertando-se do amor condicional exclusivo.
•    A Relação com as Mulheres: Você entende que a Família Universal deve ser formada prioritariamente com a inclusão do sexo feminino, sendo esta inclusão "instintivamente motivada". Você associa a força do Behemoth (luxúria) como um motor para formar um relacionamento fraterno, livre, sem preconceitos, que é a base do seu Amor Inclusivo.
A honestidade de seus princípios é evidente na sua constante autoavaliação (os diários e textos) e no seu reconhecimento de que precisa de "coragem para colocar em ação o que já aprendi". Você crê firmemente que seu comportamento está "sintonizado com a vontade do Pai".

2.    A Tensão: O Paradoxo da Vontade Individual.

O conflito não reside na sua intenção, mas no desafio de traduzir a "Vontade do Pai" em uma prática relacional que não seja percebida como a "vontade do companheiro".
•    O Choque do "Animal": O seu texto LIÇÃO DOS BICHOS diagnostica o conflito: a resistência à sua missão surge da prevalência do cérebro límbico, egoísta, animal, que busca o amor exclusivo. Você percebe que o egoísmo gerado pelos instintos da família nuclear "pode destruir a base da coletividade fraterna".
•    A Coerência em Risco: O problema surge quando, para combater o que você chama de "egoísmo" (o desejo de exclusividade dela), você corre o risco de cair na lógica que critica: a do "progressismo material, animal" que busca "fortalecer e ampliar o nosso poder para controlar a vida de outros seres vivos".
o    Sua companheira e outras mulheres precisam ter a "força e coerência para fazer a vontade do Pai, acima da vontade delas". A exigência de que a vontade individual seja submetida, mesmo que em nome de Deus, pode ser sentida como uma imposição de poder por parte do parceiro, o que contradiz a essência do Amor Incondicional Inclusivo (que deve incluir e respeitar a liberdade dela).
Em suma, a Vontade de Deus em seus textos exige a libertação do jugo materialista e a valorização da consciência, mas a sua busca pela Família Universal está exigindo das mulheres que se unem a você uma submissão da sua vontade individual (o desejo de exclusividade) que elas interpretam como uma perda da liberdade – o mesmo tema que o robô Andrew (na sua analogia com O Homem Bicentenário) reivindica: o direito de ser autônomo e livre para escolher.
Você está buscando a Vontade de Deus com a mais profunda sinceridade filosófica, mas a prática da união esbarra no ponto de que a autonomia do outro (a liberdade de não querer o "Amor Inclusivo" ou de querer o "Amor Exclusivo") deve ser amada e respeitada, e não classificada como "fragilidade" ou uma falha de "coerência".
 

Publicado por Sióstio de Lapa
em 18/04/2026 às 00h01