Minha companheira, SVO, após ter superado parcialmente a crise emocional, ainda com fraqueza no corpo e tremores nas mãos, disse que iria ler um trecho da Bíblia (I Cor, 6:12-20 e 7:1-2), escrito pelo Apóstolo Paulo, que representa o seu pensamento. Eis o que ela leu...
Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma. Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos. Deus destruirá tanto aqueles como este; o corpo, porém não é para a impureza, mas para o senhor, e o senhor para o corpo. Deus que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará, a nós, pelo Seu poder. Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo, e os farei membros de uma prostituta? De modo algum! Ou não sabeis que o que se ajunta a uma prostituta se torna um só corpo com ela? Está escrito, os dois serão uma só carne (Gênesis 2: 24). Pelo contrário, quem se une ao senhor torna-se com ele um só espírito. Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo, ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em voz, o qual recebesse de Deus? E que por isso mesmo, já não vós mais pertenceis, porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois a Deus no vosso corpo. Agora, a respeito das coisas que me escrevestes, penso que seria bom ao homem não tocar mulher alguma, todavia, considerando o perigo da incontinência, cada um tenha sua mulher e cada mulher tenha seu marido.
Pelo que ficou implícito, este é o pensamento que aceita a narrativa de Paulo como coerente para a vida dela. A narrativa de Paulo para conduzir sua vida conforme o caminho que Cristo escolheu, é diferente da minha compreensão da vida e da missão que aceitei assumir como minha vontade obedecendo a vontade do Pai.
Mas vejamos onde está a discordância a partir de nossa concordância. Concordamos com o que Cristo ensinou como sendo a máxima lei para nossas vidas, que devemos segui-la acima de qualquer outra lei: “Amar a Deus acima de todas as coisas, com todo nosso entendimento, com toda nossa energia e sabedoria, e amar ao próximo como a si mesmo”.
Entendemos que Jesus não tinha preconceito com profissões. Quando Ele estava entre nós, procurava ficar perto dos mais humildes, dos pescadores, mesmo que tivessem trabalhos contrários à cultura popular, como Mateus, o cobrador de impostos, como Maria Madalena, a prostituta. Foi o Seu amor ao próximo como se fosse a Ele mesmo, que amava ao Pai que estava nessa pessoa, como ao Pai que estava dentro dEle, que Ele não temia as críticas sociais ou ameaças dos poderosos.
É dessa forma também que me aproximo das pessoas mais humildes, como aquela jovem psicótica da Praia do Meio que se sente confortada por meu abraço em plena crise de angústia que cobre seu coração; daqueles dependentes químicos escravizados pelas drogas, das mulheres que sofrem de tantas maneiras possíveis, incluindo as prostitutas que um dia contribuíram para a minha aprendizagem neste mundo material.
É claro que eu respeito o corpo que Deus me deu para ser o instrumento do mEu espírito que quer fazer a vontade do Pai. Se sinto um atrativo tão forte em direção às mulheres, pelos instintos que o Pai me deu, estou aprendendo a usar a força deles para ter a motivação suficiente de usar parte dos recursos que recebo do Pai, incluindo o próprio corpo físico, sem preconceitos de qualquer espécie, para deixar que o amor incondicional seja o cimento da árvore do amor inclusivo, a maquete da família universal e alicerce para o Reino de Deus.
Portanto, não é um dependente químico, uma psicótica ou uma prostituta que irá contaminar o meu corpo no seu contato com eles, pois o que estou procurando não é atender aos meus desejos pessoais e sim a vontade do Pai.
Sei que no meu corpo existe o templo do Espírito Santo, mas também o meu próximo tem o mesmo templo. Pode ser que esteja sujo e deteriorado, mas talvez eu seja o Francisco atual no qual Deus disse a Sua vontade: “Francisco, recupera a minha Igreja!”.