Depois que encontrei com Jesus e João Batista na casa de Maria, sua mãe, Nossa Senhora, tive oportunidade de encontrá-lo outra vez em Betsaída, quando estava a ensinar. Deixei de lado minha habitual reserva e solicitei a opinião dEle sobre o tema da universalidade, que até então havia sido abordado apenas por seu primo, João Batista.
- Mestre, o que quer dizer, no sentido maior, o nome Universalidade e como deveremos reconhecer essa ideia diante de nossos irmãos na Terra?
O Mestre, com proeminência, fala enternecido.
- Francisco, que Deus te abençoe, meu filho! Que as tuas ideias sejam livres em todas as direções, para se juntarem com outras da mesma cordialidade, unificando-se em um todo de luz, para que iluminem com maior profusão.
Jesus, lembrando-se da primeira vez que se encontrou comigo na casa de sua mãe, em companhia de João Batista, agradou-se em recordar. E a ternura se expressou em Seu olhar e aqueceu Seu verbo, que explicou o Seu maior ideal.
- Francisco! Todas as leis são universais. Quando o egoísmo se revela em uma pessoa ou em uma comunidade, é porque foram esquecidos os preceitos da divindade. O que falamos, pensamos e fazemos deve estar relacionado com o todo, com o interesse coletivo, porque se cada um de nós é uma peça na engrenagem total, a desarmonia de um faz com que todos sofram as consequências. Cada pessoa é, por assim dizer, a continuação da outra. Nos ditames da lei, trabalha para que a tua liberação se dê em primeiro plano, mas não te esqueças de promover, desde que preparado, a liberação dos outros, entendendo o momento exato da vontade de Deus. Nós estamos aqui em perfeita unidade com o Senhor do Universo e a Ele entregamos nossa vida, sem pensar nas consequências, desde que sejamos acionados por Ele. Toda ideia de luz atrai uma força compatível. Toda intenção das trevas escurece as realizações. Se queres ser cidadão universal, o que também é o nosso ideal, ajuda a todos, sem distinção, e não cobres de ninguém o bem que fizestes. Perdoa todas as ofensas, sem que a lembrança do mal atinja a vaidade ou o orgulho. Faze da caridade um dever que aprimora todas as tuas faculdades de servir e nunca procures saber se o beneficiado está à altura de receber a tua assistência. Ama sem pensar que alguém é obrigado a te devolver amor em troca. E espera em Deus, que Ele te dará o que mereces, sem imposição da tua parte.
O Mestre silencia e eu fico embevecido com a filosofia divina exposta por Jesus, que continua, com suavidade.
- Meu filho, é do nosso agrado que sejas cidadão universal, para que as ideias de luz tomem corpo na tua mente e se tornem sóis de amor.
Fico a refletir na minha imaginação, como colocar em prática tão belas lições sobre a paz e luz universal, num mundo tão cheio de guerras e coberto pelas trevas.