Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
17/05/2026 00h01
ENTREVISTA MSGS EM 23-04-26

            Esta entrevista citada aqui de forma anônima para mostrar a importância da depressão, dos benefícios e malefícios dos psicofármacos e a possibilidade de introduzir a espiritualidade no contexto terapêutico.



- Olá. Como é que está você?



- Depois de estar aqui com você, estou bem. Estou vivendo. O senhor está bem?



- Estou bem. E aí, como é que está a sua vida?



- Boa, doutor. A vida de todos ainda está ruim, né? Mas estou vivendo uma crise tão forte, doutor. Tão forte!



- Como é essa crise? É emocional? É no trabalho? É em casa?



- Ela não tem sentido para nada. Não tenho vontade de trabalhar. Não consigo. Não consigo fazer nada. Levantar-se. Viver. Fazer nada.



- Mas está se sentindo satisfeita em casa? Com as coisas à sua volta?



- Está tudo confuso na minha cabeça. Só sei que eu não vejo muito sentido para a vida. Não vejo sentido para levantar-se. Não vejo sentido para trabalhar. Não vejo sentido para nada. Não me preocupo com meus filhos. Nem comigo.



- Aquela vez que a gente esteve lá em Natal, você estava tão animada, com sua filha...



- São meus presentes. Eles cuidam de mim. Mas eu poderia fazer algo por eles. Eles ficam pensando em mim, fazendo por mim. E eles não dão trabalho. Eles cuidam de mim. Não é pra ser assim. Mãe, cuida dos filhos. Mas eles continuam, do mesmo jeito, cuidando de mim. Se preocupando. Tenho que cuidar deles. Eu que penso que eles podem se virar só. E que se eu não estiver mais por aqui... mas eu não tenho aquele pensamento fixo de planejamento de morte. Mas eu tenho vontade de ir embora. Estou com essa vontade de não viver mais. Passei muito tempo tomando uns remédios que me deixavam tremendo. Eu tomava 900 mg de carbolítium. Tremia muito. Chegava perto das pessoas tremendo. Eu parei há poucos dias. Porque o carbolítium me deixava muito mal.



- Carbolítium é para estabilizar o humor. Também controla as manias de compras, de dívidas.



- Talvez por isso o medo do que tenho passado. Eu não estou tendo acompanhamento nenhum. Eu só consigo o remédio no posto de saúde. Minha vida ficou uma bola de neve. Eu comprei, comprei, comprei. Eu tenho um salário bom, mas eu comprei, comprei. Eu fiz os empréstimos todos que existiam no mercado. Fiquei... Descontrolada mesmo. Eu não tenho controle mais sobre as coisas.



- Quem está com a sua finança agora? Tem alguém controlando?



- Minha filha. Ela tem me ajudado. Minha filha está controlando.



- Ela está com você?



- Eu moro com os dois meninos. Mas eu não tenho mais controle. Mamãe está indo embora. Ela já está parando, já não mexe mais nada do corpo. E eu sinto... Não consigo avançar no meu trabalho. Abandonei o meu trabalho no Estado.



- Não, você é funcionária do Estado, mas está doente. Sim, leva um tempo para ser controlada emocionalmente. Tem que se afastar do trabalho, deixar um atestado liberando uns três meses, assim, para ficar em tratamento mais seguro.



- Por isso que eu penso que vou perder o trabalho.



- Não. Você vai mostrar que tem doença. Que está precisando ficar afastada do trabalho. Você está usando que medicação?



- Carbolítium, 900mg. Venlafaxina 300mg. Eu tô me acertando. Você sabe que eu tenho, que eu tenho essa condição, sabe?



- Não. Qual que é a essa condição? Eu tenho... Eu tenho epilepsia. Você deve me achar da mídia confirmada. Eu tomo Leviracetam.



- Quantos miligramas?



- Trezentos. Forte, né? É isso que eu tô vendo. Eu não tenho coragem pra nada, eu não acordo pra vida, porque é assim que eu termino a minha... O carbolítium faz tremer como uma doente daquelas do câncer.



- Vamos ajustar a medicação. Tem que tomar Venlafaxina,



- Pelo amor de Deus. Todas, eu fiquei triste numa época com o senhor por causa da ideologia.



- Foi. Espiritual ou política?



- Política. Por isso que eu me afastei do senhor. Por pensar de uma forma diferente da minha. Espiritualidade, eu estou tendo... eu atraio muitos sofredores. É aqui que eu assisto a minha palestra no Aura Celeste. Nas quintas, o estudo, no sábado, a palestra.



- E tu vai lá no centro de Natal qual dia?



- Na terça-tarde.



- Vai com quem?



- Meu filho... só...



- Você não consegue ir só?



- Não consigo.



- Eu estou tentando fazer um trabalho espiritual mais científico, sabe? Com prontuário, com quem está acompanhando. Você quer participar?



- Eu quero sim. Estou estudando, comprei mais livros.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 17/05/2026 às 00h01