Por que Deus construiu a nossa mente humana dessa forma? Com a plasticidade para ser moldada pelos pensamentos repetitivos? O que isso tem a ver com o propósito eterno que ele tem para nós?
Existe uma linha que atravessa a Bíblia inteira, do Gênesis ao Apocalipse. Essa linha corresponde a mente humana como ponto de contato entre o ser humano e Deus. Não corresponde ao tempo, aos rituais, às leis.
Tudo começa em Gênesis (capítulo 1, versículo 26): “Deus disse: façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança”. A imagem no mundo antigo, era usada para descrever uma estátua que o rei colocava em territórios distantes para representar sua presença e autoridade.
O ser humano foi criado para ser a representação mental e espiritual de Deus neste mundo. Fomos criados para ser a presença de Deus em forma humana, e a faculdade que torna isso possível, a razão pela qual podemos refletir o caráter Divino no mundo físico, é exatamente a nossa capacidade de pensar, planejar, criar e decidir com intenção.
O inimigo ataca a mente porque, ao contaminar nossos pensamentos com mentira, medo, amargura e desesperança, ele não só provoca problemas emocionais, mas também neutraliza o representante de Deus no planeta.
Paulo escreve em Romanos (capítulo 12 versículos 2 e 3): “não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
A palavra grega para “transformai-vos” é metamorfose, a mesma raiz de onde vem nossa palavra dita morfose. Paulo está dizendo que a transformação espiritual não é um evento emocional, é um processo de reorganização cognitiva. Disse que nós experimentamos a vontade de Deus por meio da renovação da mente. Não que recebemos a vontade de Deus por meio de um sentimento, nós a experimentamos. Nós a vivemos, testamos e comprovamos, quando nossa mente foi renovada.
o arqueólogo e pesquisador bíblico Kennet, após mais de 30 anos pesquisando no Oriente Médio, documentou em sua obra os ensinamentos de Jesus sobre o coração e a mente. Eram radicalmente diferentes dos ensinamentos religiosos contemporâneos. Enquanto os fariseus focavam na observância externa da lei, Jesus consistentemente dá atenção para o processo mental interno que precede cada escolha.
Ele demonstra que a genialidade de Jesus estava em entender que nós não podemos mudar o comportamento de alguém sem mudar os padrões de pensamento que geram esse comportamento.
Jesus não estava apenas ensinando ética, Ele estava ensinando neuroplasticidade espiritual, 2000 anos antes de a neurociência existir. Aqui está o paralelo bíblico mais poderoso de todos, o que vai conectar tudo. Em Filipenses (capítulo 4, versículo 6 a 8) Paulo nos dá o mais preciso e prático protocolo de gestão mental que existe em qualquer texto do mundo antigo. Ele diz: “não andeis ansiosos de coisa alguma, antes em tudo fazer conhecidas diante de Deus as vossas petições, e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”.
Percebemos que está implícito que a paz de Deus guardará o nosso coração e mente. Dois centros e dois territórios, como se Deus entendesse que emoção e pensamento são campos distintos que precisam de proteção distinta.
A paz de Deus atua como um guarda, uma fortaleza mental e emocional que nós não construímos com esforço próprio, mas que se instala quando nós praticamos a oração.
Paulo completa em Filipenses (capítulo 4, versículo 8) com uma lista de categorias de pensamento. Tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama.
Ele está dando uma prescrição cognitiva, está dizendo que existe um conjunto específico de conteúdos mentais que quando cultivados intencionalmente produzem uma mente que reflete o caráter de Deus. Essa mente por sua vez, produz uma vida que experimenta a vontade de Deus.
Isso é o que está na raiz profunda, a camada mais importante de todas, onde teoria se torna transformação, onde compreensão se torna prática, onde nós saímos diferentes do que entramos.
Tudo o que vimos nas camadas anteriores não é teologia abstrata, não é curiosidade acadêmica. É um mapa prático para a vida cristã, que a maioria das pessoas nunca recebeu. Vamos construir esse mapa juntos.