O Monitor do Mestre
Há 2.000 anos Jesus, o Cristo de Deus, habitou entre nós, e fez maravilhas, com Suas mãos limpas e voz calma, sublime, educadora. Falou em parábolas para que a essência moral dos seus ensinamentos perdurasse através do tempo, alcançando as mentes e corações apropriados para a germinação e produção dos seus frutos.
Como já tenho um bom entendimento dos ensinamentos do Mestre, acato a principal lei que Ele ensinou como princípio de vida: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo”. Assim, fazer a vontade do Pai é ajudar os irmãos que têm mais necessidade e que posso atenuar ou corrigir os caminhos errados em que eles persistem, levando a compreensão dos ensinamentos do Mestre, conforme aprendi.
Dessa forma, passo a me comportar como um monitor acadêmico, aquele aluno de graduação que, sob orientação de um professor, auxilia na sua disciplina, tirando dúvidas, explicando de forma prática. Assim, aprofundo o meu conhecimento, desenvolvendo a habilidade docente dentro do Evangelho do Cristo, e apoiando o aprendizado de outros que queiram aprender.
Para desenvolver esta tarefa, junto a um professor como Jesus, que deu Suas lições há 2000 anos, vou usar a imaginação e descrever como Ele se comporta, explicando o sentido das parábolas que carregam metaforicamente a essência do Seu ensinamento.
Assim dito vou ensinar a primeira parábola, “O Semeador”, imaginando a forma dele se comportar enquanto ensina.
Jesus estava sentado num barco, perto da margem do mar da Galiléia. Olhava para a multidão reunida na praia e Ele conseguia ver o que cada pessoa realmente desejava. Alguns vinham esperando ver milagres, outros estavam curiosos para entender melhor a sua mensagem e havia também quem quisesse sinceramente mudar de vida.
Então Jesus começou a ensiná-los usando histórias simples e familiares, na forma de parábolas, para transmitir significados profundos. Essas parábolas eram histórias que escondiam verdades maiores do que pareciam à primeira vista.
Esses ensinamentos transformariam corações sensíveis e honestos por gerações. Uma dessas histórias era a parábola do semeador.
Naquele dia, Jesus subiu num barco enquanto o povo ficava na beira da água. Ele começou a falar, ensinando conforme está registrado em Mateus (13, 3-9). Jesus contou que um lavrador saiu para semear. Algumas sementes caíram no caminho, e logo os pássaros vieram e as comeram. Outras caíram em terreno pedregoso, onde havia pouca terra, e essas sementes cresceram rápido, mas como as raízes eram rasas o Sol as queimou e elas secaram. Algumas sementes caíram entre espinhos, e quando os espinhos cresceram sufocaram asplantas novas. Mas algumas sementes caíram em terra boa e cresceram bem, produzindo uma colheita muito maior do que foi plantado. Algumas renderam 100, outras 60 ou 30 vezes mais.
Preste muita atenção, disse Jesus aos seus seguidores. Eles ficaram confusos, porque Jesus não falava de forma clara como os mestres de sempre. Eles foram até ele e perguntaram: por que você fala com as pessoas usando parábola?
Jesus respondeu conforme está escrito em Mateus (13, 11-12): a vocês foi dado o entendimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. Quem já entende receberá mais conhecimento, e terá a riqueza de conhecimento. Mas quem não entende, até o pouco que pensa ter, será tirado.
Jesus dizia que, se as pessoas realmente querem compreender, descobrirá cada vez mais verdades, mas se você ouvir sem interesse, até o pouco que sabe desaparecerá.
Aqueles da multidão que estavam escutando, eram lavradores, entenderam bem a história de um homem caminhando por um campo lançando sementes sobre a terra com a própria mão. Eles sabiam que naquela época não havia máquinas, tudo era feito manualmente. Naturalmente, as sementes caíam em todo tipo de solo. O lavrador não parecia seletivo, escolhendo um terreno certo. As sementes que ele jogava caíam no caminho, entre pedras e entre espinhos.
Por que ele não plantava só na terra boa? Porque o amor de Deus funciona assim. Ele compartilha sua mensagem com todos, dando a cada pessoa a chance de recebê-la.
Depois Jesus explicou o significado da parábola e Mateus registrou (13, 18-23). Ele explicou o que essa história do lavrador realmente quer dizer.
Quando alguém ouve a mensagem sobre o Reino de Deus, mas não entende seu significado, o Diabo vem rapidamente e tira o que foi colocado no coração. Essa é a semente que caiu no caminho.
A semente que caiu no terreno pedregoso é como alguém que ouve a mensagem e se alegra de imediato, mas como não tem raiz profunda, sua fé não dura. Quando surgem dificuldades ou pressões psicológicas por causa do que acreditou, essa pessoa logo desiste.
A semente que caiu entre espinhos, representa alguém que ouve a palavra, mas as preocupações do dia a dia e a ilusão das riquezas tomam conta, e a mensagem é sufocada e não dá fruto.
Mas a semente que caiu em boa terra, essa representa quem ouve entende e guarda a palavra. Essas pessoas crescem e multiplicam o que receberam, produzindo uma colheita de 100, 60 ou 30 vezes mais.
Jesus olhava profundamente nos olhos de cada um de seus seguidores. Ele queria que vissem a verdade.
A mesma mensagem pode cair em corações diferentes e gerar resultados totalmente diferentes. Pense que no caminho a semente foi pisada por pés e cascos de animais até ficar deformada ou tornou-se dura como pedra. Não consegue eclodir e lançar as suas raízes, não conseguem penetrar, então os pássaros vêm e a comem na superfície.
Jesus mostrava que isso é também como um coração que foi endurecido pelo que ouve ou lê, as diversas narrativas que existem no mundo. Assim, essa pessoa pode ouvir e ler a Verdade, mas não a deixa entrar. Essa pessoa não muda o comportamento, não se torna fértil.
O segundo tipo de solo tinha pedras logo abaixo de uma fina camada de Terra. Sementes nesse tipo de solo crescem rápido, mas as raízes não conseguem se aprofundar. Quando o Sol esquenta a planta seca. Isso, disse Jesus, é como as pessoas que se empolgam no início, acham isso maravilhoso, querem mudar de vida, mas é tudo superficial. Quando enfrentam desafios ou críticas por causa da fé, que chegam até a dizer que é um tipo ópio que entorpece a mente, então essas pessoas desistem facilmente.
O terceiro tipo de solo estava cheio de espinhos, as sementes até brotaram, mas os espinhos tomaram conta e a sufocaram. Jesus explicou que esse solo representa pessoas que ouvem a Verdade, mas se perdem nas preocupações diárias e na busca por dinheiro. Estão distraídas com o trabalho, as contas, a aparência e o status social. A mensagem se perde no meio do barulho, não cresce.
O último tipo de solo, é rico de boas intenções, profundo, livre de pedras e ervas daninhas, neste a semente não só cresce, ela floresce e traz uma enorme colheita. Jesus disse que esse é o coração de quem ouve a mensagem e realmente a entende, e permite que ela transforme sua vida. O resultado se vê numa vida cheia de bondade, produzindo 30, 60 até 100 vezes mais do que foi inicialmente plantado.
Qual tipo de solo representa o seu coração? Essa parecia ser a pergunta no olhar intenso de Jesus. Levava a pessoa a refletir sobre a sua própria forma de ver, sentir e agir no mundo. O problema não estava na semente ela era perfeita, a mensagem de Deus é sempre poderosa. Também não era culpa do lavrador, o que realmente importava era a condição do solo, como o coração de cada pessoa recebia a mensagem.