Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
29/05/2026 00h01
PARÁBOLAS DE JESUS NOS DIAS ATUAIS – 2. O JOIO

 



O Monitor do Mestre



Depois de terminar a história do semeador, Jesus percebeu que a multidão ainda o ouvia com atenção. Então, compartilhou mais uma lição que Mateus registrou em 13, 24-30.



Ele disse que o Reino de Deus é como um lavrador que plantou boas sementes em seu campo, mas enquanto todos dormiam um inimigo veio e espalhou sementes ruins no meio do trigo, e depois foi embora. Quando o trigo começou a crescer e a formar espigas, os joios também apareceram. Os trabalhadores do lavrador foram até ele e perguntaram: o senhor não plantou somente sementes boas? De onde vieram esses joios?



Ele respondeu: foi um inimigo que fez isso. Os trabalhadores disseram: quer que a gente arranque? Não, respondeu o lavrador, porque ao arrancar os joios vocês podem acabar arrancando o trigo também. Deixem crescer juntos até a colheita, então direi aos ceifeiros: recolham primeiro os joios, amarrem em feixes e queimem. Depois juntem o trigo e guardem no meu celeiro.



A multidão murmurava entre si tentando entender o que aquela história queria dizer. Os agricultores do grupo logo reconheceram o tipo de planta que Jesus estava descrevendo. Era o joio, uma planta que quando jovem se parece muito com o trigo. Mesmo um lavrador experiente teria dificuldade em distingui-los no início, só quando as espigas se formam é que a diferença fica clara. O trigo tem espigas douradas e cheias de grãos, o joio cresce com espigas escuras e vazias.



Plantar joio no campo de outra pessoa era um ato real e prejudicial. Na época, era uma forma de arruinar a colheita de um rival e causar um trabalho enorme para separar tudo. Depois, imagine o lavrador caminhando pelo campo numa manhã, observando o crescimento da plantação e de repente percebendo que algo estava errado. Eu não plantei isso, ele pensaria ao ver o joio entre o trigo.



Naturalmente os trabalhadores queriam agir rápido. Aquelas ervas daninhas estavam consumindo os nutrientes, a água e o espaço que pertenciam ao trigo. Mas o dono da terra entendia mais do que eles. Ele sabia que debaixo da terra as raízes do trigo e do joio estavam entrelaçadas. arrancar o joio cedo demais arrancaria o trigo junto, por isso era mais sábio esperar o momento certo, o tempo da colheita quando separá-los seria mais seguro e eficaz.



Mais tarde, quando Jesus estava a sós com seus discípulos, eles se aproximaram e pediram uma explicação da parábola do joio. Jesus explicou e Mateus registrou em 13, 37-43. Quem planta a boa semente é o filho do homem; o campo representa o mundo e a boa semente são as pessoas que pertencem ao Reino de Deus.



Os joios, explicou Jesus, representam aqueles que pertencem ao maligno e quem os plantou foi o diabo. A colheita marca o fim dos tempos e os ceifeiros são os Anjos.



Assim como os joios são recolhidos e queimados, o mesmo acontecerá no fim dos tempos. o Filho do homem enviará seus Anjos para tirar do seu Reino tudo o que leva ao pecado e todos os que praticam o mal. Eles serão lançados numa fornalha ardente, um lugar de dor e arrependimento, mas os justos brilharão como o sol no Reino do seu Pai.



 Jesus então pediu que ouvissem com atenção sua explicação. Ele falou de forma direta, estava claramente dizendo que Ele mesmo era quem plantava a boa semente, e o campo não era só Israel, mas o mundo inteiro.



A boa semente não representava somente ideias, mas pessoas, aquelas que realmente O seguiam e pertenciam ao Reino de Deus. Os joios também eram pessoas, aquelas que escolheram o mal em vez da verdade.



Ainda mais surpreendente foi a afirmação que Jesus fez do inimigo, aquele que espalhou as sementes ruins era o Diabo; disse que estávamos dentro de uma guerra espiritual que estava acontecendo bem diante de nossos olhos.



Jesus deixou claro que essa Batalha não terminaria, até o último momento, no dia de julgamento.



Seus seguidores ficaram admirados com essas informações. Alguns, talvez estivessem prontos para lutar, prontos para enfrentar aqueles que viam como inimigos de Deus. Como aconteceu com Saulo de Tarso, bem distante no tempo e no espaço, mas como acontece até aqui, hoje, entre nós.



Muitos judeus da época de Jesus, acreditavam que o Messias derrotaria as nações, que restauraria o poder de Israel com a força das armas. Mas o que Jesus ensinava era bem diferente: não arranquem os joios, disse o dono da terra.



Jesus estava ensinando aos discípulos a não julgar, nem tentar eliminar as pessoas que achavam ruins, mas o julgamento final caberia a Deus, que separaria o bem do mal no momento certo. Até lá ambos cresceriam lado a lado.



Essa era uma ideia revolucionária, significava que o Reino de Deus não seria estabelecido com força ou purificação ritual, não surgiria eliminando tudo o que é mau e guardando só o que é bom. Em vez disso o Reino surgiria no meio da luta individual, cada pessoa cercada de influências, o bem e o mal existiriam juntos, às vezes até parecendo iguais.



Jesus também deixou um alerta: não se surpreenda quando vir a maldade prosperar, mesmo dentro de comunidades de fé. Não desanime quando o mal parecer vencer no final. Deus fará um julgamento perfeito e os que vivem com justiça brilharão como o sol.



Essa mensagem exigia confiança profunda e paciência. Não era uma solução rápida, era sobre permitir que o bem crescesse, mesmo em condições difíceis até que chegasse o tempo para Deus agir.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 29/05/2026 às 00h01