O Monitor do Mestre
Na parábola da semente de mostarda, o povo ainda ouvia com atenção. Jesus olhou para eles e viu muitos esperando por um Reino poderoso, que esmagaria o Império Romano, mas Ele precisava ajudá-los a entender que o Reino de Deus não funcionava assim.
Por isso Ele usou essa metáfora, para explicar que o Reino dos Céus é como uma semente de mostarda, que um homem plantou em seu campo. É a menor de todas as sementes, mas quando cresce torna-se a maior das hortaliças, é tão grande que os pássaros fazem ninhos em seus galhos.
As pessoas se entreolharam curiosas, muitos eram lavradores ou cuidavam de pequenos terrenos. Eles sabiam exatamente como era uma semente de mostarda, tão pequena que quase desaparecia na mão. Mas naquela região era conhecida por crescer rapidamente até virar um arbusto alto, ultrapassando três metros em apenas algumas semanas. Era um contraste marcante, algo quase invisível se tornando algo enorme.
Jesus talvez tenha segurado uma semente de mostarda na Palma da mão e dito para exemplificar: “veja quão insignificante, mas espere até que seja plantada”.
Ele podia ter apontado para um grande arbusto de mostarda ali perto, com galhos onde os pássaros faziam ninho.
Para aqueles que esperavam um Messias chegar com guerreiros e bandeiras de Vitória, essa história era desconcertante. Jesus mostrava que o Reino de Deus começaria de forma silenciosa, inesperada, com Ele e um pequeno grupo de pessoas comuns. Nada majestoso aos olhos do mundo. Não havia procissões reais, nem exércitos, nem palácios.
Imaginemos a multidão, olhando para o grupo ao redor de Jesus: um homem de uma cidadezinha, pescadores, cobradores de impostos, mulheres e rejeitados socialmente. Será que isso é mesmo o Reino de Deus? Provavelmente se perguntavam, parecia tão insignificante quanto uma semente de mostarda.
Mas Jesus prometeu que esse pequeno começo cresceria e se tornaria algo grandioso. O Reino se expandiria e acolheria pessoas de todas as partes, como pássaros pousando nos galhos de uma grande árvore.
Era uma mensagem encorajadora para os seus discípulos, para não se desanimarem com o quanto isso pode parecer pequeno. Agora, não se envergonhem do pouco que parece ser, Ele dizia. O que estamos começando juntos vai alcançar muito mais longe mais do que vocês podem imaginar.
Realmente, quem poderia acreditar que um pequeno círculo de seguidores da Galiléia, um dia se tornaria uma comunidade global com bilhões de pessoas? Quem poderia imaginar que as palavras daquele carpinteiro atravessariam nações e séculos, transformando corações e sociedades? Mas a mensagem de Jesus também trazia um alerta. O Reino não chegaria de repente, como um raio ou uma revolução imediata. Ele cresceria silenciosamente, como uma semente debaixo da terra, devagar, constante e impossível de parar.
Jesus confrontava as expectativas daquele tempo. Ele não estava trazendo um Reino através de armas, ou tomando o controle dos governos. Estava plantando esse Reino no fundo dos corações, onde a mudança começaria de dentro para fora, transformando lares, amizades e comunidades inteiras.
Esse era o modo de Deus. Ele geralmente age por meio do pequeno, do que passa despercebido, do que parece fraco para realizar os planos mais poderosos. Ele escolhe uma semente, não uma árvore, ele valoriza o crescimento lento e vivo, não a mudança rápida e forçada.
Quem ouvia pode ter lembrado das palavras ditas há muito tempo pelo profeta Zacarias: “não desprezem os pequenos começos”.
Deus estava começando algo por meio de Jesus que parecia pequeno, mas que cresceria muito além do que alguém poderia imaginar.