Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
11/07/2026 01h01
CRISTÃOS E COPA DO MUNDO (1)

            Irei reproduzir aqui partes do pensamento do pastor e professor universitário Tassos Lycurgo, num vídeo que ele postou em seu canal do Youtube, em 05-07-26, com 167 mil visualizações em 08-07-26.



            Milhões de pessoas assistem a maior Copa do Mundo da história. Das 48 seleções que disputam o campeonato vêm de países que perseguem os cristãos. São nações onde professar a fé em Jesus Cristo pode custar o emprego, a liberdade, a família, ou mesmo a própria vida. As pessoas aplaudem essas seleções, muitos sem saber que nesses países, há irmãos em Cristo que estão presos, escondidos ou enterrados, por acreditar exatamente naquilo que eu e você, que é cristão, acreditamos. No mundo 388 milhões de cristãos sofrem algum grau de perseguição ou discriminação simplesmente por causa da fé. É como se para a maior parte do planeta eles não existissem.



            Vou trazer três coisas principais: primeiro, ter a percepção real dessa perseguição, o número, os países, os fatos verificáveis – a maior violação dos direitos humanos silenciada do nosso tempo; segundo, ter o entendimento do Ocidente, que se diz campeão dos direitos humanos, é extremamente seletivo, porque a causa cristã é ignorada, minimizada, e às vezes ridicularizada; e terceiro, a percepção que isso tem a ver conosco, cristão livre, aqui, agora, e o que as Escrituras ordenam a cada um de nós a fazermos com essa informação?



            De acordo com dados internacionais sobre liberdade religiosa, falam de um espectro que vai da discriminação no emprego, na escola, prisão arbitrária, destruição de igrejas, sequestro, tortura, assassinato.



            Vamos ver a correlação disso com a Copa do Mundo. Uma instituição pontifícia que é ligada a igreja Católica, que acompanha a perseguição religiosa no mundo há décadas, mostra a maior parte de países perseguidores da Igreja, no torneio recente. Esses regimes gastam fortunas para brilharem no palco esportivo mundial, para comprar a imagem de nações modernas, festivas, abertas. É o que se chama de esporte-lavagem, usar o futebol para lavar a reputação. E o mundo compra isso. O mundo aplaude a bandeira no gramado e nunca pergunta o que acontece com o Pastor que naquele mesmo país foi preso por ter uma Bíblia. A Copa vira maquiagem, e a maquiagem funciona, porque, nós espectadores deixamos que a maquiagem funcione mesmo.



            Há um paradoxo enorme, quando comparamos o que é postular com a ausência total de liberdade religiosa, em especial quanto o Cristianismo nesses países. Não estou falando das pessoas, dos funcionários, e sim dos regimes, dos governos, as ideologias que oprimem o Cristianismo. Jamais os povos, que em certos lugares, os cristãos perseguidos são o próprio povo daquela nação, sofrendo nas mãos do próprio Estado. Isso não é uma ideia de nós contra eles, países contra países. Estamos falando da humanidade que ama a liberdade, contra os regimes que esmagam a humanidade onde que que eles se instalem.



            A falsa ideia de que o Cristianismo é uma religião ocidental opressora, basta contrapor que os países perseguidores estão no lugar onde Cristo nasceu, no Oriente Médio. As igrejas mais antigas do mundo estão em algumas das regiões onde mais se persegue o cristão. Não é expulsar um invasor estrangeiro, é arrancar uma raiz que está naquele solo há 2.000 anos, muito antes de várias das ideologias que agora perseguem o próprio Cristianismo.



            Por que a maior violação de liberdade religiosa do planeta, recebe tão pouca atenção? Não é falta de informação. Os relatórios existem, são públicos, são detalhados. Por que o silêncio?  



            Vamos elaborar algumas razoes, fugindo de qualquer teoria da conspiração para esse silêncio absurdo, da perseguição de quase 400 milhões de cristãos.



            Boa parte da narrativa cultural dominante do Ocidente, o cristão foi enquadrado como opressor histórico, nunca como vítima. Criou-se uma espécie de hierarquia de vítimas, a grupos, de acordo com a narrativa e a cultura e o mundo. A narrativa cultural predominante a grupos cuja dor merece manchete e grupos cuja dor é constrangedora de admitir. E o cristão perseguido caiu como principal personagem do segundo grupo. Chamar a atenção para o sofrimento do cristão, complica a narrativa que parece ser pré-projetada, arrumada, construída, artificial, de que o Cristianismo é só poder, colonização e privilégio. Então, a solução mais simples é não olhar para a realidade. Assim, 388 milhões de pessoas se tornaram vítimas, politicamente inconvenientes, e por isso não se fala delas.



            Segunda razão, até mais crua, mais direta, tem a ver com dinheiro e geopolítica. Vários dos regimes que mais perseguem cristãos são parceiros comerciais poderosos, fornecedores de energia, são mercados gigantes. Denunciar com firmeza a perseguição custa contrato, acordo, diplomacia. Então, governos ocidentais fazem uma nota tímida de preocupação, tiram fotos sorridentes com o ditador ali na cúpula e seguem o baile. No caso do Brasil isso acontece a todo momento. A liberdade religiosa vira moeda de troca e quase sempre é a primeira a ser gasta.



            Uma terceira razão, dolorosa e interna, é o seguinte. Parte do próprio mundo ocidental que podemos dizer que é cristão de batismo, tem vergonha da própria fé. Uma elite cultural que acha brega, atrasado, embaraçoso, falar de Jesus Cristo e por isso não move um dedo por quem morre por Jesus Cristo. É o cristão morno do qual o próprio Cristo falou que de acordo com Apocalipse 3:16, é aquele que será vomitado. Gente que ainda usa o rótulo, mas perdeu a coragem do conteúdo, a essência, que se diz cristão, mas vive como se Deus não existisse. É uma situação incrível, porque não existe um defensor pior para uma causa do que o que tem vergonha da causa que diz defender.



Há uma incoerência que é, na melhor das hipóteses, escandalosa. O Ocidente se apresenta como o grande campeão dos direitos humanos, da diversidade, da tolerância, do que ninguém deve sofrer por quem é. Ninguém deve sofrer por ser quem ele é. Isso é um princípio que existe graças ao Cristianismo, aos países de base cristã. Mas, por que, esse princípio tão barulhento para tantas causas, emudece quando a vítima é o cristão? Por que uma igreja incendiada, um pastor preso, uma menina cristã sequestrada e forçada a se converter para outra religião, não geram a mesma comoção, o mesmo hashtag, o mesmo minuto de silêncio? Ou os direitos humanos valem para todos os humanos, inclusive para os que oram, para os que rezam o Pai Nosso, ou eles não são direitos humanos coisíssima nenhuma, são direitos seletivos. E direito seletivo é o nome elegante de privilégio disfarçado de princípio.



            Temos que ser justo com algumas pessoas que se calam, porque nem todo silêncio é maldade. Há um silêncio que decorre de ignorância, gente que não sabe porque ninguém contou a essas pessoas. É por isso que temos que esclarecer e afastar a ignorância desse assunto. A arma mais poderosa contra o silêncio não é o grito da indignação. A arma mais poderosa contra o silêncio é a informação chegando a quem não a conhecia, quebrando a engrenagem da ignorância.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 11/07/2026 às 01h01