Sióstio de Lapa
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Meu Diário
12/07/2026 00h01
CRISTÃOS E COPA DO MUNDO (2)

            Irei reproduzir aqui partes do pensamento do pastor e professor universitário Tassos Lycurgo, num vídeo que ele postou em seu canal do Youtube, em 05-07-26, com 167 mil visualizações em 08-07-26.



            Após vermos os fatos, a hipocrisia, e o que fazer com tudo isso? Vamos lembrar de um mandamento que é uma obrigação de família. Em Hebreus 13:3, diz assim: “Lembrai-vos dos que estão na prisão, como se aprisionados com eles; dos que estão sendo maltratados, como se vocês mesmos estivessem sendo maltratados”. O que isso nos ensina e nos indica? O que as Escrituras estão nos chamando a fazer? Primeiro, elas não estão nos chamando a termos uma espécie de pena à distância, pena de longe. Ela chama você a se colocar dentro da situação.



            A doutrina do Corpo de Cristo, ela é veemente. Lá em 1 Coríntios 12:26, as Escrituras dizem: “Se um membro padece, todos os membros padecem com ele”. Aquele cristão preso do outro lado do mundo não é um estranho por quem você sente uma vaga solidariedade. Ele é o seu irmão, da sua família. O sangue dele é o mesmo que o seu, pois ambos correm da mesma fonte espiritual, e família não abandona família na prisão. Na prática, diante disso que nós vimos, o que fazer? Primeiro, informe-se e informe outras pessoas. O maior aliado do perseguidor é o desconhecimento. Quanto o mundo não souber, o regime age impunemente. Vamos romper o silencio, vamos falar sobre isso, compartilhar os dados, postar, comentar, para que chegue mais adiante, para mais pessoas.



            Também existem organizações sérias que documentam a perseguição há décadas. Vamos buscar, ler e divulgar. A voz multiplicada é o que transforma uma vítima anônima em um caso que o mundo não conseguirá ignorar.



            Segunda ação prática e relevante: oração. Não de forma vaga, porém mais profundo, ore com nome, com país, com direção. Ore pela igreja escondida em cada uma dessas 14 nações da Copa. Isso dá para fazer, como muita gente sabe. Traz uma exposição de legalidade para a ação sobrenatural, poderosa, soberana de Deus sobre esses regimes. A oração da igreja primitiva, abriu literalmente portas de prisão. Está lá em Atos 12:5-7. Você nunca deve subestimar o joelho dobrado do cristão.



            Terceira ação prática, é sustentar materialmente quem está na linha de frente. Existem missões e entidades que levam Bíblias, socorro jurídico, abrigo, amparo às famílias dos mártires. Você não pode ir literalmente até a cela, mas o seu recurso pode chegar lá. É o mesmo princípio do apóstolo Paulo que dependia de igrejas que sustentavam de longe a obra que ele fazia de perto. Em Filipenses 4:15-16.



            Uma quarta ação, é envolver-se na defesa da liberdade onde você está. Porque a perseguição feroz de hoje, lá longe, quase sempre começou com pequenas erosões de liberdades que ninguém levou a sério. Começou com “você não pode dizer isso, não fale dessa maneira”. Começou com a piada proibida, com a opinião cristã tratada como crime de ódio. A liberdade religiosa e a liberdade de expressão são gêmeas. Quem perde uma, perde a outra logo depois. Então, defender aqui, agora, neste momento, o direito do cristão de falar de acordo com a Bíblia, de discordar do que a cultura predominante diz, de viver a sua fé em público, não é exagero de perseguição, é um antídoto importantíssimo. É impedir que o começo de lá vire o fim de agora.



            Uma perspectiva que só a fé enxerga, para não ficarmos apenas revoltados, e revolta sem esperança, apodrece tudo. A história da igreja tem uma lei que os perseguidores nunca aprendem, que o sangue dos mártires é a semente da igreja. Os impérios que tentaram apagar a fé pela força, todos esses impérios caíram. Roma tentou por três séculos e virou pó. E a fé que eles tentaram enterrar, cresceu justamente onde correu sangue. O perseguidor acha que está apagando uma vela, na verdade está plantando uma floresta. Isso não diminui em nada a dor real das vítimas, mas coloca a dor de cada uma delas dentro de uma história que não termina no túmulo.



            Enquanto 5 bilhões de pessoas celebram a maior copa da história, 14 das 48 seleções que participaram, vem de países que perseguem cristãos. No mundo há 388 milhões de irmãos nossos que sofrem por causa da fé em Jesus Cristo. Isso é a maior violação de liberdade religiosa do nosso tempo e ela virou uma espécie de paisagem escondida atras da festa e da maquiagem, do esporte lavagem, o esporte que é usado para lavar a reputação. Entendemos porque o Ocidente se cala, porque o cristão virou uma vítima politicamente inconveniente, porque o dinheiro e a diplomacia falam mais alto. E porque parte do próprio mundo cristão tem vergonha da própria fé. Vimos a incoerência escandalosa: ou os direitos humanos valem para todos, inclusive para quem não ora, para qualquer pessoa, ou esses direitos não são direitos, são privilégios seletivos.



            Para o cristão, tudo que foi falado não é notícia distante, é família que está na cela, na prisão, no cárcere. A Escritura ordena que a gente se lembre dos presos como se estivéssemos presos com eles. E ordena, de forma prática, saber e divulgar o que está acontecendo. Orar com nome, com especificidade, com direção. Sustentar quem está na linha de frente, e defenda a liberdade aí onde você está. Defenda com todas as suas forças a liberdade. Liberdade de expressão, liberdade religiosa, antes que a erosão da liberdade se transforme em perseguição cruel.



            Não ter medo de dizer o obvio que o mundo combinou de calar. Não podemos ter medo de dizer o obvio que o mundo se articulou para silenciar. E poucas coisas são tão obviamente erradas e tão obviamente silenciadas quanto isto. Há um genocídio lento, distribuído de pessoas cujo único crime é amar a Cristo. E o mundo desviou o olhar, porque a vítima é inconveniente demais para a narrativa que o mundo quer levar adiante, quer construir. Nós não vamos desviar, não vamos ficar cambaleantes sobre as nossas pernas. A gente não aplaude a bandeira e ignora o sangue. A gente tem que ver o retrato por completo. E vendo isso, a situação por completo, a gente age, porque quem tem a liberdade que o irmão não tem, tem também a dívida de usar essa liberdade por ele.



            Que a gente seja a voz dos que foram calados. Isso é o mínimo. E para quem crê, é também o máximo.    


Publicado por Sióstio de Lapa
em 12/07/2026 às 00h01