Depois da morte violenta do meu sobrinho, Fabinho, assassinado literalmente nos braços da mãe, Navegante, isso causou um fortíssimo abalo emocional em sua vida. Deixou o seu perfil mais tolerante e servil e passou a ser mais impulsiva, intolerante, raiva com instintos de vingança muito exacerbado.
Fabinho trabalhava numa pequena lanchonete ao lado da casa do seu tio, Carlinhos, e com a ajuda da mãe fazia ótimos lanches, principalmente coxinhas que eram bastante procuradas. Além de um bom produto, tinha também toda a amabilidade de Fabinho no trato com os clientes, com os parentes e até com os animais. Estava sempre pronto a ajudar, a preparar a melhor comida para oferecer, até a quem não merecia.
Sentimos muito a sua morte, e lembro no seu cortejo fúnebre, ao colocar o caixão na sepultura, coloquei sobre o seu peito a Cruz de Malta, dizendo que ele seria o primeiro membro do nosso movimento cristão, a Nova Ordem em Cristo, como um dos novos templários, a trabalhar no lado espiritual.
Sempre procuro consolar sua mãe que continua nos acolhendo em sua casa nas quintas feiras, onde faz o jantar para os parentes que comparecem com a melhor capacidade de fazer sempre o melhor.
Mas eu sinto que há um espaço que devemos ocupar e que pode trazer benefícios para muita gente, e para Fabinho, que sempre está visitando a mãe em momentos em que ela percebe a sua presença espiritual.
Quero falar da pequena lanchonete que se encontra fechada, quase inviolável, da mesma forma que se encontra o seu túmulo na Morada da Paz. Acredito que este não seja o desejo de Fabinho, sabendo da sua disposição de ajudar a todos, até as pessoas difíceis e que se apresentavam como adversários, que não faziam para ele o que ele fazia para todos que precisassem.
Aquela lanchonete poderia ser reaberta, e com um nome, pois nunca teve. Agora seria PONTINHO DO FABINHO. Seria colocada uma foto sua em destaque para todos saberem quem era a pessoa de índole boa, o Fabinho.
Tantas pessoas próximas podiam ser ajudadas com esta lanchonete funcionando com o toque material de Navegante e o toque espiritual de Fabinho. Penso em Priscila, Bia e Laura que já moram com Navegante e que poderiam gerenciar com o apoio dos demais parentes; penso em Gil, a menina que vende seu corpo na prostituição para alimentar o seu filho menor; penso em Renata que mora com dificuldade no Rio de Janeiro e que poderia vir para Natal com sua família, trabalhar também conosco.
Imagino a reinauguração dessa lanchonete, agora formatada neste sentido, com a presença dos seus pais na solenidade, Guto e Navegante, ambos se solidarizando com o amor que não tem fronteiras, não tem distância, não tem medo.
Posso convidar o padre Chagas meu amigo, para abençoar a nova lanchonete e todos juntos poderíamos recitar o amor segundo Paulo registrou em sua carta aos Coríntios: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Com certeza, Fabinho estará conosco e aplaudirá com seu lindo coração, tudo que possamos fazer e iluminar sua memória.