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30/08/2026 00h01
PORQUE SOU MONARQUISTA

            Aproveito o texto escrito pelo padre Daniel-Ange para transformar a sua pergunta em afirmativa, pois concordo plenamente com sua opinião.



POR QUE SOU MONARQUISTA?



Padre Daniel-Ange de Maupeau d’Ableiges*



            O presente texto nos foi enviado pelo Prof. Bernard Barrandon, distinto amigo e colaborador de “Herdeiros do Porvir”. Seu autor é o Pe. Daniel-Ange, sacerdote e escritor franco-belga, autor de mais de 60 livros e internacionalmente respeitado como intelectual. Extraímos, de seu artigo publicado em “La France Catholique”, de 26/7/2013, sobre a recente sucessão do trono belga, alguns tópicos que interessam, de modo especial, ao público brasileiro. O título “Por que sou monarquista?” e a tradução são de responsabilidade da redação deste boletim.



1️⃣ O príncipe herdeiro é, desde a infância, preparado para sua função, é educado e recebe formação específica de longo alcance, é iniciado no exercício de sua função, durante anos, por seu pai. Durante anos a fio ele exerce numerosas missões diplomáticas, assume compromissos públicos e participa de recepções oficiais. É, ademais, assessorado por diversos conselheiros políticos. Está, pois, sempre perfeitamente a par da atualidade nacional e internacional.



2️⃣ O povo o conhece desde seu nascimento e o acompanhou durante todo o seu crescimento, em sua lenta maturação. Não é um indivíduo que aparece de repente, ninguém sabendo bem de onde veio.



3️⃣ O rei está acima de todas as querelas, mesquinharias, corrupções e rivalidades dos partidos políticos. Nessa matéria, ele é totalmente isento. Sendo de todos, ele pode, verdadeiramente, ser o representante de seu povo, ou melhor, a personificação dele. Seria impensável um rei partidário. Ele está fora e acima dos partidos.



4️⃣ Um rei é recebido e acolhido, porque ele nos é dado. Normalmente, isso se dá sem contestação. Não é o resultado matemático de uma implacável, feroz e mortífera batalha eleitoral, que custa somas exorbitantes, nas quais os candidatos apregoam promessas falaciosas (que, sabe-se muito bem, não poderão ser cumpridas) e metralham seus adversários, sujando-os com maledicências e calúnias, já que nessa guerra todos os golpes baixos são permitidos. Isso envergonha um país. Numa batalha eleitoral, a vitória só é obtida com maioria de no máximo algumas centenas de milhares de votos, e muitas vezes graças às numerosas abstenções. Trata-se de uma “vitória” que tem um custo: metade do povo fica vencida, humilhada, amargurada, quando não revoltada. Como tal “vencedor” ousa pretender, logo depois, ser o representante de toda a nação, o presidente de todos? Isso não é humano, é contra a natureza.



5️⃣ Os presidentes se sucedem em rápida cadência. Os regimes desabam, uns após os outros. Os governos são sem cessar remanejados, dançam os ministros, são regularmente dissolvidas as câmaras. Os programas sociais e econômicos, as políticas educacionais e diplomáticas não cessam de mudar, ao sabor dos caprichos de cada ministro. Numa república, nada é estável. Ninguém garante a continuidade nem a estabilidade, ninguém vela pela fidelidade ao patrimônio nacional, à herança dos séculos, à história da nação. Por vezes, mesmo, estão pouco ligando para essas coisas. Mal está sendo reconhecido o mérito de um presidente, já seu mandato acabou. E, quando o presidente é ruim, esqueçam-se os desgastes, na espera impaciente de eleições. Em resumo, presidentes e governos passam. O rei, como a nação, é permanente.



6️⃣ Os presidentes têm necessidade de muito tempo para se situar na função e para compreenderem o país, tanto na sua história como na sua atualidade. Mas, mal acabaram de fazer isso, já recebem um “fora!” e um novo aparece para recomeçar tudo a partir do zero. Em escala mais reduzida, o mesmo acontece com ministros, prefeitos, embaixadores. Como é possível mudar todos eles de poucos em poucos anos? Mal estão começando a conhecer a fundo seu campo de atuação, sua região ou o país em que estão servindo, já são postos fora e vêm outros...



7️⃣ A monarquia constitucional de nossos dias coloca o soberano ao abrigo de qualquer desvio arbitrário, de qualquer veleidade ditatorial, já que ele não pode se arrogar nenhuma prerrogativa não estabelecida na constituição, da qual ele é tão-somente o intérprete e o avalista. Pelo contrário, o sistema eleitoral republicano de modo algum protege um presidente contra a tentação de um totalitarismo ideológico ditatorial ou tendente à ditadura, do que temos nós amarga experiência nesta França, que tanto se gaba dos “direitos do homem”.



8️⃣ Um rei não governa: ele reina. Mesmo assim, ele desempenha um papel decisivo e magistral na política, unicamente por sua autoridade moral, pela ascendência que lhe vem da sua longa experiência, conferindo-lhe uma sabedoria e um discernimento das pessoas e das situações que, na classe política, todos unanimemente reconhecem. A dimensão espiritual e moral o coloca acima de sua função. O poder de um rei decorre mais de sua envergadura moral do que dos estatutos jurídicos do país. E sua influência pessoal sobre partidos e políticos é reforçada por sua popularidade: ele leva o povo consigo. Isso é, para ele, até mesmo uma exigência imperativa. Se ele quer ter uma verdadeira influência política, deve estar à altura de seu cargo, deve ser perfeitamente digno de sua função. Em resumo, deve ser o mais inatacável possível. Somando-se à sua legitimidade, a integridade pessoal do soberano é a garantia de sua autoridade. Mas, por outro lado, sua legitimidade não fica na dependência da sua popularidade. Ele não é como um presidente, submetido de mãos e pés atados, às sondagens de opinião e aos índices de popularidade. A liberdade do rei é, no sentido próprio da expressão, uma liberdade real. Do ponto de vista político, ele é correto, sem ser escravo de pequenos lobbies, ou de grandes magnatas da mídia que fabricam a pseudo-opinião pública. Ele é soberano. Sua autoridade decorre da sua vida interior.



9️⃣ O rei não é um indivíduo isolado. Ele é parte de uma família. É inseparável não só de sua esposa, como também dos filhos, irmãos, irmãs, primos. É toda a família real que “desde sempre” é conhecida. Esse fato dá à vida de um povo uma dimensão familiar muito forte. Daí também a exigência, para o soberano, de ter uma vida familiar inatacável, verdadeira escola de santidade para ele.



🔟 Por fim, o rei e a rainha são amados. Sua família é amada. Esse elemento afetivo humaniza imensamente a vida de um povo. Pode-se admirar um bom presidente, mas dificilmente ele chega a ser amado, mesmo porque, já que ele vai durar apenas um ou dois mandatos, mais vale a pena não se apegar demais a ele. Balduíno e Fabíola, assim como Paola e Alberto, foram profundamente amados na Bélgica. Filipe e Matilde certamente também o serão. Quem viu, quando dos funerais do rei Balduíno, todo um povo em lágrimas, unânime, desde os avós até os netos, sabe do que estou falando.



* Artigo publicado originalmente na edição nº 36 do boletim “Herdeiros do Porvir”, de janeiro, fevereiro e março de 2014. Para receber futuras edições, cadastre-se em monarquia.org.br/faca-parte.



Suas Majestades o Rei Filipe e a Rainha Matilde dos Belgas; Sua Alteza Real a Princesa Isabel da Bélgica, Duquesa de Brabante; Suas Altezas Reais os Príncipes Gabriel e Emanuel e a Princesa Leonor da Bélgica; Suas Majestades o Rei Alberto e a Rainha Paula da Bélgica; Sua Majestade a Rainha Fabíola da Bélgica; Sua Alteza Imperial e Real o Arquiduque Lourenço da Áustria-Este e Sua Alteza Real a Princesa Astrid da Bélgica; e Suas Altezas Reais o Príncipe Lourenço e a Princesa Clara da Bélgica, no Palácio Real de Bruxelas, em Bruxelas, Bélgica, em 21 de julho de 2013.



            Esta é uma forma de governo mais próxima da divindade, pois o rei foi preparado desde o nascimento para servir a nação, e se ele faz isso com honestidade, coerente com os princípios patrióticos que recebeu, certamente estará fazendo a vontade de Deus, e não sendo subjugado por interesses espúrios, como vemos com frequência em nossa malfadada república.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 30/08/2026 às 00h01