Se acreditamos em algo, um caminho a seguir, que é melhor do que aquele que já estávamos caminhando, não é coerente que troquemos a nossa rota por esta mais satisfatória?
Foi o que aconteceu comigo, quando pude perceber com mais profundidade o que Jesus de Nazaré queira ensinar nas suas diversas peregrinações pelas terras da Judeia.
O Caminho que Jesus ensinou era diferente de todos aqueles que eu tinha à disposição no mundo material. Eu já estava bem encaminhado neste mundo material, tinha adquirido uma boa profissão, já começava a atuar como médico e tinha a convicção de fazer o melhor pelos meus pacientes.
Foi por isso que entrei no mundo político partidário, filiado a partidos de esquerda, no meu caso ao PDT (Partido Democrático Trabalhista) que sempre entrava em campanhas eleitorais associado a outros partidos de igual direcionamento político. Eu fazia parte do corpo diretivo do Partido e sempre me candidatava para diversos cargos públicos, como vereador, deputado estadual, deputado federal e até vice-governador.
Com algum tempo nesse trabalho partidário, percebi que não iria nunca ser eleito, se mantivesse minhas condições, de lutar pela Dignidade Humana, como eu deixava sempre bem explícito nas minhas propagandas eleitorais. Eu conquistava amigos nas comunidades carentes, que eram a minha base eleitoral, sabia que eles votavam em mim, mas nas campanhas políticas, por suas necessidades pessoais, eles se tornavam cabos eleitorais de algum candidato. Esse meu amigo dava o seu voto pessoal para mim, mas conquistava 100 votos, a base de troca, um benefício (cesta básica, tijolos, chapas dentárias, medicamentos, pagamentos de água e luz, ou mesmo o próprio dinheiro em espécie) pelo voto do eleitor e de sua família.
Deixei de ser candidato e passei a apoiar e votar nos candidatos de esquerda, mantendo a minha filiação no meu Partido. Imaginava que a minha incapacidade de ser eleito devia a um tipo de rigidez comportamental, onde eu não me permitia a trocar as minhas convicções pelo alcance do cargo pretendido. Mas talvez, os meus colegas pudessem trazer os benefícios para o povo de suas ideologias pregadas na campanha, apesar do comportamento antiético praticado como uma forma dos fins justificar os meios.
A gota d’água de minha tolerância aconteceu quando percebi que o candidato a presidência do Brasil, pelo PT que eu apoiava, venceu a eleição e no cargo de Presidente do Brasil, passou a comprar a consciência dos parlamentares no Congresso Nacional, para a aprovação dos seus projetos. Descoberto o escândalo criminoso, ele se defendia dizendo não conhecer aquilo que os seus colaboradores mais próximos praticavam. Percebi que a mentira estava na essência de sua oratória e foi nesse momento, que a sua ideologia que ele defendia e praticava, entrou no meu campo de observação crítica.
Em função disso passei a procurar outra ideologia mais coerente com meus princípios, e foi assim que encontrei o Cristianismo e o seu ideólogo, Jesus Cristo. Foi nesse momento que voltei à leitura dos seus ensinamentos com um olhar mais crítico e percebi que a Verdade estava sempre no centro do que ele ensinava, mesmo correndo perigos os mais diversos.
Mostrou um Caminho respaldado pela Verdade que iria proporcionar uma Vida espiritual mais coerente com o sentido da existência, que obedecia a uma evolução diferente da evolução material, uma evolução espiritual que permanece no mundo transcendental, onde tudo se origina e onde a vida real está acontecendo.
Os meus princípios se ajustaram perfeitamente à lógica do que Jesus ensinava, mesmo que isso implicasse na aceitação de alguns argumentos e fatos que outras pessoas, sabidamente honestas, informavam, sobre a existência desse mundo espiritual que eu, com os meus cinco sentidos não conseguia captar.
Mas a firmeza do que Jesus ensinava, da existência do Criador de toda a natureza onde estávamos incluídos, que era o nosso Pai ao qual devíamos obediência, como Ele mesmo, se mostrando na condição de Filho obediente que veio até nós, a mando do Pai, para nos ensinar essas lições.
Fiquei impactado com tudo isso, da mesma forma que o sacerdote Nicodemos ficou. Nicodemos reconheceu a Verdade que Jesus ensinava, que Ele fazia os milagres na forma que o próprio Deus podia operar, mas não teve coragem de O seguir, como foi convidado, devido aos seus altos encargos na família e no Sinédrio.
Para mim, seguir Jesus não foi tão difícil, pois estou dentro de uma cultura que prevalece o cristianismo. Mesmo assim, tenho dificuldades com a cultura local, mesmo me considerando cristão como os outros, devido a minha consciência apontar Caminho derivado daquele ensinado pelo Cristo, que me afasta da cultura cristã do meu entorno, mas que a lógica da principal lei ensinada pelo Cristo me coloca em situação de crítica por meus irmãos, que também querem fazer a vontade do Pai por outros meios, por outros talentos.
Porém, estou determinado. Depois de ponderar as lições do Cristo, reconhecer a Sua verdade pelo discernimento lógico, acreditar pela fé naquilo que meus sentidos fisiológicos não alcançam, o próximo passo que deverei dar é fazer a aplicação prática do que prendi. Mesmo que eu sinta dificuldades, com minha inteligência, que não é rápida como eu gostaria, com minha sabedoria que ainda é muito imatura e com a coragem que deverei ter para enfrentar com firmeza pontos de vista contrários ou até mesmo o risco de estar colocando em perigo a minha integridade física.