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11/09/2026 00h33
PODER, CORRUPÇÃO E JUSTIÇA

No século XVI, uma imagem perturbadora começou a circular pelas cortes e prefeituras da Europa — uma pintura que retratava o castigo de um homem chamado Sisamnes, um juiz cujo crime não foi assassinato nem traição, mas corrupção.



A cena representada remonta a cerca de 500 a.C., durante o reinado de Cambises II, rei do Império Persa.



Sisamnes era um juiz real, encarregado de interpretar a lei em nome do rei. Seu cargo carregava enorme autoridade — e, com ela, a exigência de integridade absoluta. Mas Sisamnes aceitou um suborno e deliberadamente proferiu uma sentença injusta. Aos olhos da corte persa, isso não era uma falha pessoal. Era um ataque direto à própria ideia de justiça.



Quando a corrupção veio à tona, Cambises ordenou que Sisamnes fosse preso e condenado. A punição foi severa e calculada: Sisamnes seria esfolado vivo.



Segundo as fontes antigas, antes que a sentença fosse executada, o rei fez uma última pergunta ao juiz desonrado:



Quem deveria substituí-lo?



Ainda agarrado à noção de legado e privilégio, Sisamnes indicou o próprio filho, Otanes, esperando que a misericórdia se estendesse pelo laço de sangue.



Cambises concordou.



Otanes foi nomeado juiz em lugar do pai.



Mas o rei ainda não havia terminado.



Após a execução de Sisamnes, sua pele foi curtida e usada para revestir a cadeira do tribunal — o mesmo assento sobre o qual Otanes passaria a julgar. Cada audiência. Cada veredicto. Cada exercício de autoridade aconteceria sentado literalmente sobre os restos do próprio pai.



Não se tratava apenas de crueldade.



Tratava-se de instrução.



A mensagem era inequívoca: a justiça não se herda, e o poder não justifica a corrupção. A lei existia acima da família, acima do conforto, acima do medo.



Séculos depois, artistas retornaram a essa história. O exemplo mais famoso é O Julgamento de Cambises, pintado em 1498 por Gerard David, um díptico encomendado para ser exibido em um tribunal da cidade de Bruges. Não era arte para contemplação privada, mas para o exercício do poder público — um aviso pendurado nas paredes da própria autoridade.



Juízes passavam diante dele todos os dias.



E deveriam se lembrar.



Se Otanes governou com justiça perfeita, isso se perdeu no tempo. O que permanece é a ideia de que, quando a justiça é corrompida, a reparação precisa ser severa o suficiente para atravessar gerações.



O castigo de Sisamnes não foi feito para ser esquecido.



Foi feito para tornar a corrupção impossível de ignorar.



E é por isso que, mais de dois mil anos depois, essa imagem ainda inquieta — não por sua violência, mas por sua clareza.



Poder sem integridade tem consequências.  



E a justiça, quando traída, sempre cobra seu preço.



Créditos: Estudos Históricos



Encontrei este texto que ainda não conhecia, mas que traz um alívio a todos nós brasileiros, que vivemos uma verdadeira época de trevas sob um governo comunista, cujos tribunais mais elevados deixam seus membros participarem de roubos sistemáticos. A justiça existe, e quando a Verdade surgir o poder que não esteja corrompido apresentará as devidas consequências, como no caso que acabamos de ler.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 11/09/2026 às 00h33