Aqui estou, Pai, envolto em meus defeitos e vícios e ainda assim querendo fazer a Tua vontade. Talvez seja eu em aleijado querendo correr uma maratona e desejando chegar, pelo menos no fim da meta.
O Pai sonda o meu coração e ver que estou honesto, pelo menos neste momento, que me sinto a maior parte do tempo caído, que percebo a obrigação de fazer a Tua vontade me chamando, mas perco meu precioso temo com repouso que vai além de minhas necessidades, com alimentação que vai além das minhas necessidades, e até com vícios como o sudoku, que não atende a nenhuma das minha necessidades, a não ser a frágil justificativa que isso vai prevenir o aumento de perda neuronais por ociosidade cognitiva... mas fazer estes textos reflexivos, digitar, ler com sentido crítico do que estou absorvendo, tudo isso também não são exercícios intelectuais.
Pelo menos eu consigo ouvir a Tua voz, a qualquer momento. Dentro da minha consciência, onde está escrita a Tua lei e impregnada a Tua essência. Assim, as 02h45 eu desperto do sono que me atingiu enquanto eu fazia o sudoku e ouço a Tua voz reverberar em minha consciência: “Então, Francisco, é assim que queres fazer a Minha vontade?”.
Procuro fixar a vista no relógio da parede para ver esta hora que acordo, sem o efeito do despertador, pois nesta noite não consegui deixa-lo programado. Levanto o corpo, sento na beira da cama e fico a refletir... o Pai está falando diretamente comigo, sem a necessidade da salsa ardente. Mesmo assim, sinto a Sua presença e a Sua cobrança.
O sudoku continua ao meu lado, a tentação vem de concluí-lo, mas a voz do Pai reverbera em minha consciência e sinto a energia dEle sondar o meu coração. Ele continua a ver honestidade nas minhas intenções, mas a minha vontade, recebendo o bombardeio dos desejos que vêm do Beemote, pedem para eu concluir o sudoku, e depois posso ir atender ao Pai, pois Ele sempre vai perdoar as minhas faltas.
Lembro dos argumentos da serpente na sedução de Eva, quando eles, Adão e Eva, estavam no Eden, no paraíso, no constante contato com Deus, nosso Pai, Criador. Eva cedeu a tentação do maligno e pegou na fruta proibida. Eu, estou na mesma condição, claro, bem particular, a minha decisão agora não terá repercussão na humanidade... será?
Mas, foi a minha reflexão sobre a confiança que o Pai tem em mim, da minha decisão de fazer a Sua vontade e não a minha, que faz eu deixar o sudoku de lado, pegar o notebook, sair da cama e vir para a mesa e fazer esta reflexão, que até parece uma das minhas orações que faço a cada início de mês.
Este momento de reflexão que estou fazendo agora, neste pequeníssimo momento de minha vida, mostra o que acontece no meu cotidiano. A tentação que sofro constantemente do Beemote, para alimentar os meus vícios e fortalecer os meus defeitos, frente aos compromissos que tenho com o Espírito que está associado ao Pai, conforme o meu livre arbítrio, a minha vontade, já decidiu.
Este é o front da minha batalha pessoal dentro do contexto da Guerra Espiritual onde todos estamos envolvidos, alguns como massa de manobra, zumbis teleguiados pelas forcas do mal, e outros, como eu, que temos a consciência livre, de querermos sintonizar com a vontade do Pai, mas continuamos presos às influências da matéria que estão à serviço dos interesses das trevas, vestidas de “peles de luz”, como bem orienta o seu mestre luciferino.