Dizer que pretendemos alcançar a santidade, parece presunçoso; seguir os passos de Jesus, a maioria diz ser impossível.
Por outro lado, palavra santidade se tornou tão desgastada, e tão suavizada e tão diluída nos discursos modernos, que muitos cristãos a tratam como um ideal abstrato, um ornamento religioso, algo bonito de ouvir, mas nunca como um chamado urgente e absoluto, algo que seja possível alcançar, uma utopia.
Quando Jesus fala de santidade, Ele não trata isso como opção, trata como identidade. Ele não diz: “Tentem ser santos”, Ele diz: “Sede santos, porque eu sou santo”.
Não se trata de esforço humano, mas de natureza espiritual. Não é sugestão, é convocação. Tenho a intenção de quando aprendo uma lição que parece ser correta, eu procuro colocá-la em prática. Isso pode trazer sérias consequências no meu modo de vida.
Foi o que aconteceu quando aceitei a lição de Jesus, de que a principal lei que eu deveria aplicar na minha vida, era amar ao Pai, Criador, acima de todas as coisas e amar ao próximo como a mim mesmo, fazendo ao outro o que gostaria que o outro fizesse comigo se eu estivesse no lugar dele.
A aplicação dessa lei, seguindo a orientação de Jesus, causou uma reviravolta no meu estilo de vida, a partir da família nuclear onde ofereceu o maior impacto. Para seguir lei eu teria que mudar o compromisso assumido no casamento, do amor exclusivo, que eu só poderia amar a minha esposa, em todos os aspectos. Agora, eu teria que praticar o amor inclusivo, onde outras pessoas podiam se aproximar e praticar as diversas formas de afeto de todas as formas, desde que tivesse dentro da lei, fazendo ao próximo aquilo que eu gostaria de fazer se tivesse no lugar dele.
O conceito de santidade e sua aplicação no cotidiano da vida é como se fosse os retoques finais para quem, como eu, já estou procurando seguir no Caminho da Verdade, que também foi ensinado pelo Cristo.
A santidade é a marca do verdadeiro cristão. Onde não há arrependimento dos erros, conversão para o verdadeiro e reparação dos prejuízos causados, não há cristão.
São palavras duras, mas necessárias. Muitos hoje querem a salvação sem arrependimento, querem o espírito sem renúncia, querem o céu sem cruz, querem Cristo sem santidade. É exatamente por isso que vivem sem fogo, sem discernimento, sem autoridade e sem frutos.
A santidade não é um adereço espiritual, é a evidência de que alguém realmente nasceu de novo. Ainda não tenho essa sensação de ter nascido de novo, mas já sei o Caminho.
Existe um Cristianismo confortável e um Cristianismo real.
Jesus nunca chamou ninguém para a mediocridade espiritual. Nunca chamou ninguém para uma vida morna. Nunca chamou ninguém para uma fé que não transforma.
A santidade não é aquilo que eu perco, é aquilo que eu finalmente encontro, quando deixo de viver para mim e começo a viver para Ele, para o Mestre, Jesus, a representação mais próxima de Deus, o Criador.
A santidade que Jesus espera de mim não é perfeição, mas reparação do que fiz de errado; não é impecabilidade, mas a disposição de não voltar a pecar; não é ausência de queda, mas ausência de resistência ao Espírito Santo que está me intuindo o Caminho, quando dele estou pensando em desviar. É o olhar fixo no meu pastor, os ouvidos atentos à sua voz e os pés dispostos a segui-lo, mesmo quando o Caminho é estreito.
A santidade não é um peso, é liberdade; não é prisão, é ressurreição de um Espírito convertido dentro da mesma carne que lhe serve de veículo.