Para muitos sou visto como uma incógnita. Um santo ou um pecador hipócrita, que atende aos seus desejos carnais usando o nome de Deus, como se a minha vontade fosse a vontade do Criador.
Tenho que descobrir o que Jesus realmente espera de mim. Com certeza, Ele espera mais do que eu tenho oferecido. Por outro lado, imagino que Ele oferece mais do que tenho recebido, simplesmente por não ter tido a capacidade de perceber.
Quando Jesus fala de santidade, Ele não começa examinando as mãos, Ele começa examinando o coração. Não olha primeiro para o comportamento visível, mas para o território silencioso, onde ninguém entra, onde ninguém vê, onde a alma esconde o que a boca não confessa.
Esta é a grande diferença entre a opinião de tantos que veem os meus atos considerados indecorosos por eles, que não podem, entendem eles, que tais atos possam partir da vontade de Deus. Essas pessoas não podem ver o meu território íntimo, invisível onde ninguém entra ou ver. É aqui que me sinto sintonizado com Deus, é daqui que nascem os meus atos, que podem ser simpáticos ou antipáticos a quem está observando.
Para Cristo, a santidade não nasce nas ações, nasce nas intenções. Não nasce no gesto que todos aplaudem ou criticam; nasce na decisão secreta que ninguém percebe.
Imaginemos o comportamento político neste tempo de eleições. Um candidato faz um benefício, geralmente com dinheiro público a um eleitor. Este se sente gratificado por aquela ação visível. Se conseguisse ver o interior do candidato poderia observar uma engenharia matemática na forma de adquirir tais recursos para distribuir benesses e depois de eleito recuperar tudo que foi gasto com tais ações “benéficas”, para retornar com juros o que recebera para distribuir, e ao mesmo tempo aumentar o seu próprio capital financeiro para novas investidas em outros momentos eleitorais. E de onde será a fonte dele recuperar tudo que investiu nas suas “boas ações” no período eleitoral? Justamente do “sangue, suor e lágrimas” de tantos que foram beneficiados e “pagaram” com os seus votos tais benefícios. Esses não entendem por que pagam tantos impostos e não recebem os benefícios dos serviços públicos; porque aqueles em quem votaram agora se tornam milionários enquanto a miséria em que vivem não é resolvida.
Pois é assim. A santidade verdadeira, se é que existe, é aquela que o homem é, quando está completamente só diante de Deus, se ele acredita nEle. É justamente nesse lugar invisível que Jesus primeiro coloca Sua luz.
A santidade que Jesus espera de mim não é um verniz moral, não é um comportamento arrumado, não é uma experiência religiosa.
A santidade que Ele exige começa dentro, no terreno onde pensamento, necessidade, desejo e vontade se encontram. Ele não diz: “Limpai o exterior da taça, mas limpai primeiro o interior, porque, quando o interior é santo, o exterior inevitavelmente se torna santo também. Mas quando o exterior é apenas bondoso, religioso, e as intenções são de receber algum lucro sobre o prejuízo de tantas pessoas, o interior permanece morto para a santidade, para a vontade de Deus.
É por isso que tantos se frustram na vida espiritual, tentam produzir santidade a partir de fora, como quem pinta uma parede mofada esperando que o mofo desapareça.
Jesus não pinta superfícies.