Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
17/10/2026 00h01
O LEÃO E A RAPOSA

Esta fábula é bem apropriada no momento político que vivemos. Encontrei-a nas redes sociais como uma introdução à situação política que vivemos hoje, e trago aqui para nossas reflexões.



 



Presidiário vota em presidiário!



Já o cidadão e a cidadã de bem.....



 



Conta uma velha fábula que um leão, alquebrado pelos anos e já incapaz de caçar, descobriu que a fraqueza, bem encenada, rende mais do que a força. Recolheu-se à caverna, deitou-se no chão e pôs-se a gemer como moribundo, até que a notícia da falsa agonia real correu a floresta e trouxe à sua porta os súditos comovidos que vinham prestar a última homenagem ao rei. Vieram o javali, a zebra, o antílope, a gazela, o búfalo, o chacal e a avestruz. Entraram pela inocência e pela compaixão, e não saíram nunca, porque o “enfermo”, recuperando por instantes o vigor que dizia ter perdido, saltava sobre cada visitante e o devorava na penumbra.



A procissão de piedosos já havia minguado bastante quando chegou a RAPOSA, já escaldada, que não se deixou embalar pelos gemidos nem pelo convite em voz sumida para entrar e conversar. Parou à boca da caverna e, em vez de olhar para o leão mentiroso, olhou para o chão.



 Ali estava escrita a verdade que a retórica do moribundo tentava esconder: muitas pegadas entrando, nenhuma saindo. Recusou o convite com a cortesia devida à majestade, deu meia-volta e disse adeus. Salvou-se não pela coragem nem pela força, mas pela simples recusa de acreditar no que o poder dizia de si mesmo quando os rastros diziam outra coisa.



Desta lição parte este ensaio: o poder mais perigoso é o que se apresenta como frágil, como benfeitor, como “pai dos pobres”, e a prudência política começa por ler as pegadas antes de ouvir os discursos.



Digamos o óbvio, porque o óbvio, no Brasil, virou ato de coragem: Lula não é um fim de ciclo. É um cadáver político que se recusa a ser enterrado. No dia 4 de outubro, as urnas falaram com a frieza de um laudo. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56.104.503 votos, 47,03% dos válidos. Lula ficou com 53.879.538, 45,16%. São 2,2 milhões de brasileiros a mais dizendo não.



Não foi derrota de pesquisa nem empate de narrativa. Durante o ano inteiro, os institutos mostraram Lula na frente, e na véspera ainda lhe davam vantagem numérica. A urna desmentiu todos eles. O detalhe que a imprensa amiga varre para debaixo do tapete é que, em relação a 2022, Lula perdeu cerca de 3,4 milhões de votos. É o seu pior desempenho percentual num primeiro turno desde 1998. O homem que se vende como inevitável está encolhendo.



Agora recue no tempo e veja as pegadas na boca da caverna. Em 1989, Lula perdeu o segundo turno. Em 1994, foi atropelado por Fernando Henrique no primeiro turno, com 27%. Em 1998, de novo no primeiro turno, com 31,7%. Foi derrota, sem segundo turno, sem a consolação do “quase”. Em 2026, saiu atrás outra vez. Essa é a quarta rejeição da sua biografia eleitoral.



Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar virou a eleição presidencial no segundo. E a história costuma ser impiedosa com quem a ignora. Esse é o Lula real. Um político de 80 anos, três mandatos nas costas e a mesma fórmula apodrecida: fisiologia, emendas, barganha com o Centrão e um discurso eterno segundo o qual toda crítica é golpe, todo adversário é ameaça e todo eleitor contrariado é um ignorante a ser reeducado.



Para entender o “leão” mentiroso, é preciso conhecer a caverna. A Nova República nasceu de um velório. Tancredo Neves morreu antes de tomar posse, e o Brasil acordou com José Sarney no Palácio. Cresceu sob uma sucessão de planos econômicos, e um deles, o de Collor, confiscou a poupança do povo, o dinheiro suado de quem acreditava no próprio país. Amadureceu no lodo: a compra de votos pela emenda da reeleição, o mensalão, o petrolão e, por fim, a Lava Jato expondo as vísceras de um sistema que transformou a corrupção em método de governo.



Lula não esteve à margem dessa história. Ele presidiu o seu auge. O mensalão e o petrolão são o capítulo central do lulismo. Passou 580 dias preso em Curitiba, e suas condenações foram anuladas pelo Supremo por uma questão de competência do foro, não por um exame que proclamasse a sua inocência. Volta agora à cena como se o país sofresse de amnésia coletiva, como se as pegadas na entrada da caverna tivessem sido apagadas pela chuva. Daí o título deste texto. Lula vence com folga nas seções eleitorais dos presídios, onde votam os presos provisórios. Presidiário vota em presidiário. Quem conhece o crime por dentro reconhece os seus. E a pergunta que fica é desconfortável, mas inevitável: se ele é tão bom para o bandido, será que é bom para você?



Há uma crise entre os Três Poderes, e todo brasileiro a sente na pele. Lula não a enfrenta. Ele a alimenta, e vive dela. O Executivo virou balcão. O orçamento deixou de ser um instrumento de política pública e se tornou moeda de troca, distribuída em emendas a quem vota certo. O Congresso foi reduzido a uma espécie de cartório de vereadores de luxo, onde se carimba o que foi comprado e se discute o preço, não a nação. O Judiciário converteu-se numa arena de vaidades, de inquéritos que nunca terminam e de silêncios seletivos que nunca se explicam. No centro dessa engrenagem, Lula é o seu maior beneficiário. Ele prefere o conforto da cooptação ao risco de liderar. Grita que salva a democracia enquanto a dilapida com silêncio conveniente, com inquéritos eternos contra adversários e com um orçamento loteado entre os sócios do poder. Finge ser a solução para um sistema do qual é, há quarenta anos, a peça mais confortavelmente encaixada. O Brasil não precisa de mais um mandato de nostalgia e reciclagem. Precisa de alguém que enterre, de uma vez, este ciclo de esgotamento.



Sou filho de nordestinos. E é ao nordestino que eu falo agora, de igual para igual. Recentemente vi uma maravilhosa metáfora do dançarino Daniel Borges. Pense no Brasil como uma mãe de cinco filhos, exatamente as cinco regiões brasileiras. Quatro delas já olharam para o caminho e disseram: “Não é por aqui que eu quero ir.” Uma única resiste: “Papai Lula vai ser tetra.” Justamente o filho a quem mais se negou. É no Nordeste que estão algumas das cidades mais violentas do país, onde a criminalidade impera. É no Nordeste que mais gente ainda passa fome. É lá que a escolaridade é mais baixa e o IDH é o pior do Brasil.



A pergunta que ninguém em Brasília quer responder é esta: a quem interessa manter o Nordeste assim? Não sou eu quem responde. É o próprio Lula. Ele já disse, com todas as letras, que quem vota no PT é sobretudo quem ganha até dois salários-mínimos. Disse que o metalúrgico de São Bernardo que passou a ganhar oito mil reais “já não quer mais votar na gente”, porque elevou “um milímetro” o seu padrão de vida e de aprendizado. Disse ainda que quem ganha acima de seis salários-mínimos “já tem dificuldade” de votar no partido.



Releia. O líder do maior partido de esquerda do país admite que, quando o povo prospera, o povo vai embora. A conta é simples: a pobreza do Nordeste é o reservatório de votos do lulismo. A miséria é o curral, a escola ruim é a cerca, a dependência é a corrente. Você pode reclamar da direita o quanto quiser. Mas pense no incentivo de cada lado. Para a direita, a única vantagem possível é o Nordeste prosperar, porque gente que enriquece, estuda e ganha autonomia deixa de precisar de padrinho. Para o PT, um Nordeste próspero é um Nordeste perdido.



E para manter o “filho” Nordeste preso em casa, a mentira vem embalada em festa. Ouça o próprio Lula, em palanque: “Nós vamos reunir a família no domingo, fazer um churrasquinho, comer uma fatia de picanha com uma gordurinha passada na farinha e tomar uma porra de uma cerveja gelada… aí o povo entra em delírio.” Nenhuma palavra sobre programa de governo. Só o gemido do “leão” ardiloso na entrada da caverna, a voz sumida chamando para entrar. Ele tem todos os motivos do mundo para enganar você. Já eu, uma pessoa comum, sem partido e sem verba, decidi gastar energia, como muitos que estão me lendo agora, para esclarecer o vizinho, o parente, o amigo de infância. Somos filhos da mesma mãe, e queremos vê-la de pé, com os cinco filhos caminhando juntos.



Durante anos, nos chamaram de pobres de direita. De fascistas. De machistas. De racistas. De homofóbicos. Passaram anos nos humilhando, tratando-nos como cidadãos de segunda classe pelo crime de pensar diferente. Agora é “crente imundo”, “miliciano”, “CEO de MEI”. Xingaram o motorista de aplicativo, o motoboy, a manicure, o caminhoneiro, todos os que acordam antes do sol e ralam o dia inteiro para construir alguma coisa com as próprias mãos. Chamaram essa gente de ignorante, de burra, de alienada. E agora, do nada, querem dialogar. Querem pedir o nosso voto no segundo turno. Querem fingir que nada aconteceu. Alguém, em sã consciência, acredita que o trabalhador brasileiro tem memória curta?



O drama merecido da esquerda brasileira é ter se trancado tanto na própria bolha identitária que perdeu o contato com o chão. Passou tempo demais conversando consigo mesma, nas universidades, nas redes sociais e nas redações, e esqueceu como é a vida de quem pega ônibus lotado às cinco da manhã para garantir o pão do dia. O trabalhador comum não quer saber de pronome neutro nem de seminário sobre gênero. Quer entrar no supermercado e fazer a compra do mês sem escolher entre o arroz e a carne. Quer pagar menos pela gasolina e pelo gás. Quer dar uma vida digna à família sem depender de esmola do governo. Quer ser tratado como adulto, não como tutelado. É por isso que a maioria do povo brasileiro se reconhece hoje à direita. Porque ali o pedreiro vale o mesmo que o advogado. Porque ali dignidade é fruto do trabalho, e não favor do Estado. Porque ali a verdade não é crime, a honra não é piada e a justiça não depende de quem é o réu.



No dia 25 de outubro, a maior parte do povo brasileiro vai às urnas. E esse voto não será de obediência. Será de revolta. Será o Brasil real, o do ônibus das cinco da manhã, da feira de sábado, da oficina e da roça, dizendo, sem gritar, que já cansou. A revolta silenciosa. A revolução silenciosa. Pois esse mesmo eleitorado já falou o bastante. Rejeitou Lula em 1989, em 1994, em 1998 e agora em 2026. Os quatro “filhos” já escolheram o caminho. Falta apenas o quinto voltar para casa.



A moral da fábula é simples: diante de quem já nos enganou e que conhecemos muito bem, a cautela não é covardia, é sobrevivência. O “leão” desonesto e traiçoeiro continua gemendo de dentro de sua “caverna”. A voz continua rouca (e insuportável). O convite continua caritativo ( com o nosso dinheiro suado). Mas olhe para o chão. Ali estão as pegadas da inflação, do imposto extorsivo, do mensalão, do petrolão, do orçamento loteado, da criminalidade generalizada, do Nordeste mantido pobre de propósito. Todas entrando. Nenhuma saindo.



Nesta eleição, não estrague a sua vida. Não destrua o seu futuro. Repense seu voto. Aja como a raposa da fábula!



E um feliz dia de Nossa Senhora Aparecida à todos!



Francisco Carneiro Júnior



            Excelente aplicação da fábula aos embusteiros líderes da esquerdopatia brasileira, que nao reconhecem a sua doença e continuam a prejudicar o povo, aquele que sem consciência que a esmola que recebem dos seus próprios exagerados impostos, voltam como migalhas e enchem os bolsos dos seus “pais” e ainda enviam vultosos recursos para países que seguem a mesma ideologia macabra.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 17/10/2026 às 00h01